
Foi ano de Campeonato da Europa, no qual a selecção espanhola tratou de desmontar o eterno mito da “fúria espanhola”, demonstrando ao planeta da bola, uma das mais belas lições de futebol. Ao leme da equipa esteve o velho Aragonês, algo que também contribuiu para desmistificar aquela velha lengalenga de que a ambição é um atributo exclusivo dos mais novos…
Foi também o ano de Cristiano Ronaldo. Beneficiando de uma péssima época do Milan de Káká e de uma lesão que afastou Leo Messi durante a maior parte da temporada, Cristiano acabou por não ter rivais à altura na sua luta pela conquista de todos os prémios individuais. Diga-se, em abono da verdade, que o número de golos apontados na Liga Inglesa e na Liga dos Campeões são de facto algo que merece ser registado e que até apaga o mísero desempenho na Áustria e Suiça, pelo que os prémios acabam por ser justamente atribuídos ao jogador português. E Ronaldo que os aproveite bem, porque dificilmente voltará a estar próximo de os vencer de novo, sobretudo se Messi (e o Barcelona) continuar a jogar o que tem jogado…
Em 2008 terminaram as suas carreiras dois dos mais geniais jogadores portugueses de sempre. Ambos estão a ter brilhantes desempenhos nas actividades que entretanto abraçaram. João Pinto tem transportado a genialidade do jogador para o comentário e análise. Rui Costa foi capaz de trazer para o Benfica, mas sobretudo para o nosso depauperado futebol, jogadores com a classe de Pablo Aimar, José António Reyes e David Suazo. É obra…
Este ano que termina dentro de algumas horas, foi também o ano em que a enorme “bolha” das finanças mundiais rebentou…algo que, naturalmente, também não deixou de afectar o futebol. Até Abramovich já pondera colocar o seu Chelsea no mercado…
Este assunto é propício para terminar este texto com aqueles lugares-comuns de votos de um ano melhor. Não vou por aí, é óbvio que se deseja um ano melhor, não apenas no que respeita às crises económicas e financeiras, mas em relação a tantas outras coisas que ano após ano constatamos estarem sempre na mesma, o que nos obriga a este repetitivo exercício dos votos e dos desejos contidos nas passas da meia-noite.
Resta-me desejar um óptimo 2009 a todos os que por aqui passam, e que a bola continue a rolar muito, pois acredito que o futebol continua a ser um dos melhores anti-depressivos para um mundo que constantemente se vai atormentando.