Monday, January 28, 2008

Sporting - 2 F.C. Porto - 0

Já é um clássico. Sempre que Jesualdo defronta uma equipa cujo sistema assenta na utilização de quatro elementos no meio campo, o professor altera o sistema habitual da sua equipa numa perspectiva de garantir a igualdade numérica nesse sector do campo.

É uma máxima que muitos gostam de sublinhar – a de que as grandes equipas não alteram a sua forma de jogar em função do adversário. Foi estranha a opção táctica de Jesualdo, sobretudo se pensarmos que um dos eventuais pontos fracos do adversário seriam os corredores laterais do sector defensivo, entregues ao jovem Pereirinha – adaptação de recurso no lado direito, e do lado contrário ao muito disponível Ronny, mas que em termos de posicionamento defensivo evidencia algumas fragilidades.

Na segunda parte, o professor voltou ao sistema táctico em que a equipa se encontra absolutamente rotinada, e acabou a jogar em 4-2-4. O F.C. Porto teve sempre o domínio do jogo, mas aí também cabia ao Sporting gerir a vantagem algo cómoda com que saíra para o intervalo. No lado do Sporting, há que destacar o bom jogo de Pereirinha, sempre apoiado pelo incansável João Moutinho, e de Izmailov do lado contrário que, para além do golo que marcou, foi constante também no trabalho defensivo, nomeadamente na missão de parar as arrancadas de Bosingwa. Quanto à velha questão do parceiro de Liedson para a frente de ataque, parece que a solução está encontrada e nem veio do mercado de Inverno...

Thursday, January 24, 2008

Para ficar na história

Notícias e contra-notícias acerca do assunto já transformaram o caso em mais uma novela do nosso "futebolzinho". No entanto, há sinais indicativos de que na próxima época, Léo não continuará de águia ao peito. Se a decisão é acertada ou não, logo se vê...
Uma coisa é certa, Léo terá lugar de honra na história do clube encarnado.

Monday, January 21, 2008

IV Jornadas Técnicas de Futebol - O Estratega


Realizaram-se ontem, dia 21, no auditório do Centro Cultural de Moscavide, as IV Jornadas Técnicas de Futebol (O Estratega), colóquio organizado pela JaPlurivents e pelo Jornal Record.
Tive oportunidade de estar presente e de facto valeu a pena. E ainda tive a oportunidade de conhecer pessoalmente um colega de blogosfera, cujo trabalho muito aprecio, o Ricardo do blog http://www.catennac1o.blogspot.com/

A sessão iniciou com o trota-mundos Sebastião Lazaroni que transmitiu aquilo que para ele são os condimentos essenciais para formar uma equipa, mas sempre reconhecendo - e a frase é sua - que não existem fórmulas mágicas.

De seguida o peculiar e actualmente na moda, Manuel Cajuda, sempre avesso a abordar questões tácticas, partilhou muitas das suas experiências, sempre num estilo espirituoso que arrancou umas quantas gargalhadas à assistência. Entendo que a resistência do treinador algarvio em falar de sistemas e modelos de jogo não significa um menosprezo por esses aspectos, sendo antes uma forma, porventura crítica, de querer dizer que por vezes a questão táctica é sobrevalorizada e que há outros aspectos tão ou mais importantes que esse numa equipa de futebol.

José Couceiro acabou por ser o único a abordar a questão táctica, concretamente falando acerca do seu modelo e princípios de jogo. Mas não só. Couceiro também sublinhou, em tom crítico, que o que interessa actualmente no mundo do futebol é “ganhar”, descurando-se outros aspectos importantes como sejam a formação, entre outros.
As relações, muitas vezes atribuladas, entre os meios de comunicação e os actores e agentes do futebol foi outro dos aspectos que o treinador abordou, reconhecendo que o problema se encontra nas estruturas organizacionais dos clubes, que em Portugal, parecem não estar suficientemente preparadas para dar resposta a esta questão, o que resulta invariavelmente numa excessiva exposição mediática dos treinadores.

Por último, e porque Jorge Costa acabou por abandonar o colóquio devido a motivos pessoais, João Alves disponibilizou-se para responder às questões colocadas pelo painel de jornalistas e teve oportunidade de assumir a sua satisfação em estar de momento a trabalhar com os mais jovens.
João Alves, veio-se a saber no final, era o homenageado da noite, recebendo um prémio carreira da entidade organizadora do evento, a JaPlurivents.

Por último importa sublinhar a importância de eventos desta natureza. José Couceiro sublinhou este aspecto, reconhecido por todos os intervenientes. Colocar os principais actores do futebol a falarem públicamente sobre o jogo só poderá contribuir para um melhor entendimento do mesmo por parte do público do futebol, e como tal, também poderá contribuir para que esse mesmo público, tantas vezes pouco correcto, assuma posturas mais adequadas e esclarecidas face ao fenómeno futebol.

Thursday, January 17, 2008

Corinthians: redenção no Paulistão?


Após a descida ao inferno, o timão entra com o pé direito na temporada, averbando uma vitória sobre o Guarani por 3-0, para o Paulistão.

Mano Menezes foi o técnico escolhido pela direcção Corinthiana para encetar a recuperação do clube e devolvê-lo à série A brasileira. Seguramente que na cabeça dos dirigentes do clube paulista está o feito recente do técnico que em duas épocas levou o Grémio da segunda para a primeira divisão, conquistando o título da série B, um campeonato Gaúcho e ainda uma classificação para a Libertadores onde atingiu a final, tendo sido derrotado pelo Boca Juniors da Argentina.

O plantel também foi profundamente remodelado. Relativamente a contratações, sobressaem o avançado Acosta já aqui destacado, o lateral direito Eduardo Ratinho, regressado do CSKA de Moscovo, o volante Perdigão (ex-Vasco da gama) e os centrais Chicão (ex-Figueirense) e William que foi capitão do Grémio de Mano Menezes.

A ideia de Mano Menezes parece ser a de juntar alguma experiência a um conjunto de jovens e talentosos jogadores que já estavam no clube, como sejam Lulinha e Dentinho.
E o segundo hoje até foi determinante, marcando um golo, fazendo a assistência para o golo do companheiro Finazzi e ainda sofrendo uma falta na grande área adversária que daria lugar à marcação de uma grande penalidade da qual resultaria o terceiro e último golo.

Para já, vencer o estadual, seria uma maneira excelente de esquecer o desgosto da descida de divisão, porém, os rivais Palmeiras, Santos e sobretudo o São Paulo FC, reforçado com os craques Adriano e Carlos Alberto, não facilitarão a vida ao timão.

Monday, January 14, 2008

Jorge Ribeiro: afirmação inequívoca

Enquanto Joaquim Teixeira e Álvaro Braga Júnior dão voltas à cabeça para tirar o Boavista FC da agonia financeira em que se encontra, Jaime Pacheco lá vai dando o seu contributo como técnico da equipa de futebol, e para tal tem contado e muito com Jorge Ribeiro. Jorge Ribeiro, formado no SL Benfica, atingiu a idade sénior numa altura em que a formação do clube da Luz era tudo menos uma coisa séria. Acabou por sair do Benfica para andar por clubes pouco competitivos, incluindo uma experiência na Rússia que se revelou um fiasco, para ele e muitos outros...
Más decisões, falta de oportunidades, entre outros factores, estarão na origem de uma afirmação que só agora parece ser evidente e inequívoca.

No Boavista de Pacheco, Jorge Ribeiro já jogou como defesa lateral, médio interior e no último jogo ocupou a ala esquerda do ataque e sempre com rendimentos muito positivos. Tem feito assistências e golos, alguns decisivos como aquele marcado na penúltima jornada frente ao Sporting, que acabou por colocar um ponto final numa eventual reacção leonina à desvantagem mínima em que se encontrava. Cansei-me de o ver jogar nesse jogo, tal a intensidade com que o jogador abordou o jogo desde o primeiro minuto. A questão que se coloca é a de saber se Pacheco poderá continuar a contar com ele, pois estamos em época de transferências e naturalmente muitos clubes andarão atentos às prestações do jogador.
Por enquanto o Boavista FC agradece, e a selecção nacional também.

Saturday, January 12, 2008

Outsiders no topo

Manchester City e RCD Espanyol, o que têm em comum estas duas equipas? O facto de não pertencerem às elites dos seus campeonatos e de se encontrarem actualmente no topo dos mesmos. Mas não só. Manchester City e Espanyol também têm em comum o facto de serem vizinhos de dois colossos do futebol europeu e mundial e como tal viverem na sua sombra. Sempre tive uma simpatia e admiração pelo Espanyol. É de facto de um enorme estoicismo viver paredes-meias com um clube que se confunde com a própria cidade. Barcelona vive e respira o Barcelona FC. Pode parecer mentira, mas a verdade é que muitas das pessoas que visitam a cidade desconhecem a existência de outro clube que não o Barcelona FC.

O clube catalão está a fazer uma época brilhante, encontrando-se a um ponto do segundo lugar, ocupado precisamente pelo rival Barcelona. Já o ano passado o Espanyol fez um brilharete enorme ao atingir a final da Taça Uefa (a segunda na sua história). Da época passada para a actual, não se verificaram mudanças significativas no plantel, com excepção da saída do uruguaio Pandiani. Orientado pelo seu ex-jogador Ernesto Valverde, o Espanyol apresenta um futebol caracterizado pelas rápidas transições ofensivas, sobretudo através de contra-ataque e/ou ataque rápido. O sistema varia entre o 4-4-2 clássico e o 4-2-3-1. Uma linha defensiva que transmite segurança à equipa, não esquecendo também o elástico guarda-redes camaronês, Kameni. Os centrais habituais são jarque e Torrejon, fortes no posicionamento e marcação; na esquerda Clemente ou David Garcia são as opções mais recorrentes, sendo laterais mais posicionais. Do lado direito existe uma aposta mais regular no argentino Zabaleta que gosta de se soltar em apoio às acções ofensivas. A outra alternativa é Lacruz que também é opção para o centro. No meio campo, sobretudo na zona central, tem existido uma maior rotatividade face à época passada, alternando entre o doble pivot composto por Moisés e Angel, ou então juntando a um destes o criativo De La peña. Nas alas, soltam-se Riera à esquerda e Valdo no flanco contrário. Na frente, o mortífero Tamudo que já leva 10 golos na sua conta pessoal esta época, ora jogando só, ora tendo Luís Garcia como companhia. Independentemente de quem joga, uma coisa é certa, os jogos do Espanyol são puras lições do que é o contra-ataque e o ataque rápido.





















Em Manchester, o City, é um caso diferente. Ao contrário do clube espanhol que aposta sobretudo na sua cantera e nos proscritos dos grandes espanhóis, os blues de Manchester viram o seu clube, propriedade do milionário tailandês Shinawatra adquirir, desde logo um dos mais conceituados treinadores do mundo do futebol, Sven Goran Eriksson, para além de um conjunto de jogadores que vieram juntar mais qualidade a outros que já lá estavam antes. Contudo, não se pense que este facto retira brilhantismo à época que o clube está a fazer, pois a qualidade do futebol praticado é inequívoca e nem sequer foram adquiridos nomes com estatuto. O sistema habitual é 4-4-1-1. Na defesa, destaca-se a dupla de centrais, Richards/Dunne. O primeiro, pela velocidade, capacidade de antecipação e de passe, para além de ser já um valor assumido do futebol inglês. O segundo, experiente e muito forte na marcação. Juntos têm formado uma autêntica muralha de betão na defesa blue. No lado direito da defesa, Eriksson incialmente apostou em Corluka, um jogador muito interessante, que nos últimos jogos subiu para o meio campo, como médio de transição tendo tido um excelente desempenho na posição, fazendo dupla com um médio que garante a segurança defensiva nessa zona nevrálgica do terreno: Dietmar Hamman. Onuhoa, tem sido recentemente o substituto de Corluka no lado direito da defesa.Também Richards jogou alguns jogos como lateral direito. À esquerda, o espanhol Garrido, ou Michael Ball. Nas alas o destaque vai para a velocidade do "torpedo" búlgaro, Martin Petrov, um extremo à antiga que encostado à linha lateral, explode em tremendas arrancadas, culminadas quase sempre com remates à baliza ou cruzamentos para a área. Do lado contrário, Ireland é a aposta frequente. Na frente, o italiano Bianchi, aposta do treinador sueco no início da época, tem vindo a perder o lugar para Darius Vassel ou Mpenza, tendo sempre um deles, nas suas costas a criatividade e explosão de Elano, este sim uma aposta regular de Eriksson. O City assenta o seu jogo num bloco médio/baixo e também nas rápidas transições ofensivas, contando para tal com a já referida velocidade do búlgaro Petrov e a técnica do brasileiro Elano que estão ambos a realizar uma época extraordinária.



Tuesday, January 08, 2008

taxativo

"...tem seis bons jogadores e mais dois razoáveis. E nada mais - o que é pouco para acorrer às várias frentes. Se o Quaresma, o Bosingwa, o Bruno Alves, o Lisandro ou o Lucho se magoam, se são castigados ou se estão cansados ou em dia de desinspiração (o que não é mais que legítimo), não há ali ninguém que os possa substituir com um mínimo de qualidade. Sem eles, e com os maravilhosos reforços desta época, o FC Porto estaria a lutar para não descer de divisão."


Miguel Sousa Tavares, Jornal a Bola, 8/1/2008

Tuesday, January 01, 2008

Taxativo

"...Se calhar se fosse no Benfica ao fim de seis meses seria dispensado ou os adeptos criticavam-no e não havia mais condições para o Lisandro continuar a jogar com a camisola do Benfica."



"...Ganhamos um ou dois jogos e somos os maiores. Os adeptos põem-nos lá em cima e não há nada que nos pare. Depois perdemos um jogo e já somos outra vez os piores. Precisamos de reforços e vem mais uma carrada de jogadores (risos) Os adeptos do Benfica são apaixonados pelo clube de uma maneira muito especial."


Nuno Gomes, entrevista ao maisfutebol