Monday, July 06, 2009

Leituras


O Templo do Povo

Um dos grandes mistérios da humanidade reside no entendimento da noção de idolatria por parte das massas em redor de um indivíduo. São vários os exemplos do passado a iluminar esta realidade e, embora os mais atentos estejam cientes dos constantes sinais de despotismo que os tiranos, desde muito cedo, alimentam, nem por isso a história se reescreve com novos capítulos nem com diferentes percepções dos indícios que perigosamente adivinham o futuro. É-me difícil assistir à cegueira generalizada das massas em função do seu líder tirano sem que, de dentro de mim, avancem aos tropeções cães raivosos em busca de um motivo, um só motivo que me faça explicar e entender a razão pela qual as pessoas, com ou sem olhos, sofrem de miopia no cérebro.
Assistindo ao discurso formatado de Vieira, na tomada de posse de mais um mandato no trono benfiquista, lembrei-me de um tal de Jim Jones, o homem que levou ao suicídio colectivo, em delírio e de livre vontade, um milhar de pessoas. Pessoas como nós, crentes e descrentes no mundo, pais, filhos, primos como nós, uns aos outros atirados, gente. O cerebelo engaiolado de milhares de pessoas na ideia de um homem e das suas loucuras.
Jim Jones convenceu o povo de que o caminho era ele que o conhecia e, com isso, permitiu-se todos os delírios que o mundo ainda estava para adivinhar: violência mental, violação física, humilhação, aniquilamento, desprezo e homicídio - tudo de forma perfeitamente natural e quase sem contestação (alguns, no fim da crença, desconfiaram do homem mas já seria demasiado tarde). Gente como nós. Pessoas como nós, que religiosamente seguiram aquele homem até à própria morte, desterrados na Guiana, entregues ao cultivo dos alimentos e ao desaparecimento da consciência e do pensamento próprio. No fim, devotados à causa, devotaram-se à morte e entregaram-se-lhe livres, inteiros e preenchidos por, com aquele gesto, seguirem viagem para o lado de lá com o seu líder. Entender isto? Não sei. Explicá-lo? Menos ainda. Só a certeza da incompreensão por tamanho delírio colectivo.
Ao ver o pavilhão da Luz repleto de benfiquistas em louca e desenfreada euforia, gritando "O Benfica é nosso até morrer", idolatrando em êxtase o tirano, não pude, não consegui, deixar de ver naqueles que gritavam a mesma alma de pedra daqueles que um dia foram ao encontro da sua própria demência, cruzando o canal do Panamá.
Ontem, 91,7 por cento dos benfiquistas votantes entregaram o Benfica a quem o desprezou, o humilhou e o desrespeitou. Ofereceram ao líder, de livre e espontânea vontade, a crença na obra feita - a obra dos terceiros e quartos lugares no campeonato (haverá tetra para a medalha de bronze?), a obra da mentira, do enxovalho, da contradição, da falsidade, da injustiça, da desvalorização do que é, ou do que foi?, este clube.
E o líder subiu ao palanque. Não riu porque os líderes não riem, não precisam. Leu o texto que o súbdito lhe escreveu e, ditas as banalidades que o povo queria ouvir, abandonou o local em ombros (mas cuidado com as intimidades), seguro de si e do seu próprio ego. Estava concluída a sessão.



Ricardo, O Templo do Povo, Ontem vi-te no Estádio da Luz

Monday, June 22, 2009

A caneta de aluguer

Quando não se está a refastelar em almoçaradas ou jantaradas (habitualmente pagas) no restaurante Catedral, no estádio da Luz, José Manuel Delgado é a voz do "dono" nas páginas do jornal “A Bola”. Isto é do conhecimento geral e portanto não espanta muito. No entanto, e como nos últimos tempos, a estratégia do “dono” é a do vale tudo, Delgado lança hoje nas páginas do jornal onde escreve, uma teoria da conspiração digna de poder – com um pouco mais de esforço, diga-se – dar corpo a uma série televisiva que possa ombrear com um qualquer prison break. A história que Delgado conta começa logo com um título pomposamente ridículo, fazendo alusão a um período da história do país – o período filipino e a um assalto espanhol ao Sport Lisboa e Benfica. Segundo fontes "altamente colocadas" – não se sabe muito bem onde, mas também não interessa muito – haveria uma operação, altamente complexa – de facto, a complexidade da tese é tanta que não se chega a perceber grande coisa da mesma – com várias entidades, fusões entre elas, algumas dessas fusões encontrando-se ainda no plano das previsões, empréstimos bancários. Enfim, uma salganhada apenas passível de ser engendrada por um jornalista (?!) como Delgado. A coisa mete a Prisa, a Cofina, a Mediacapital/TVI, uma tal de Mediapro, outras entidades que ainda não existem, e por aí fora, pelo meio José Eduardo Moniz é, para o articulista, o facilitador do negócio que viabilizaria a venda dos direitos televisivos dos jogos do Benfica à TVI. E Delgado até adianta, sem explicar como lá chega, o valor da negociata – oito milhões de euros / época!! Mas a tese não fica por aqui, não, isto ainda não é nada. Segundo as mesmas fontes “altamente colocadas”, O futebol do Benfica com Moniz seria colocado nas mãos de investidores privados…mais uma vez, a caneta de aluguer de Vieira se esquece de, para uma conclusão desta espécie, estabelecer um nexo de causalidade minimamente congruente e coerente, basta a garantia das fontes e da sua alegada boa “colocação”. Isto é o jornalismo que se pratica no jornal que em tempos chegou a ser uma referência da comunicação social, e até, da cultura portuguesa.

Mas José Manuel Delgado, não contente ainda com esta história fabulosa, na última página do jornal, no seu habitual espaço de opinião, tem o fantástico descaramento de pedir ao presidente demissionário da Assembleia Geral – aquele que compactuou com o maior golpe anti-democrático que o Benfica já viveu – para que seja benevolente para com Bruno Carvalho, no sentido de permitir a viabilização da sua candidatura, isto em nome da tradição democrática do clube, que merece ter um acto eleitoral que não seja de candidato único. Dá para acreditar nisto?!!

Thursday, June 18, 2009

A deriva benfiquista continua...

Hoje ficou a saber-se que a deriva desportiva do Sport Lisboa e Benfica irá continuar, para grande júbilo dos seus adversários e simultaneamente para grande desalento dos benfiquistas mais esclarecidos.
A “chico-espertice” de Luís Filipe Vieira deu este fruto e, portanto, o objectivo da mesma foi alcançado. No entanto, na cabeça dos mais esclarecidos, este atropelo da cultura e história do clube, não será esquecido tão cedo. Não bastava a Vieira ser o presidente cujo número de treinadores contratado é superior aos anos que leva de presidência do clube, não lhe bastava ser o presidente com piores resultados desportivos (numa lógica de rácio entre anos de presidência e títulos) da história do clube, não, Vieira tinha também que perpetrar este golpe baixo, que, repito, manchará indelevelmente a sua história no clube.

Agora resta ir assistindo a um filme que já é mais visto que a “Música no Coração”.
Todos os anos se vão vendendo novas ilusões, vai-se acenando com a obra feita (mas que raio, mal feito fora se em oito anos não houvesse obra para apresentar), e com um discurso demagógico assente num maniqueísmo patético de que de um lado está o único indivíduo competente e sério e do outro apenas se encontra uma legião de abutres, pára-quedistas, oportunistas e outras coisas que tais…no fim, o resultado é sempre o mesmo: o Benfica perde, a culpa é sempre de alguém, menos, claro está, do seu inimputável presidente.

Já o disse, e nunca é demais repetir, Vieira foi o homem providencial que teve um papel crucial numa fase muito delicada da vida do clube. É impossível não reconhecer isto. Contudo, este facto não pode fundamentar quase uma década de equívocos em termos de política desportiva e, pior ainda, a perpetuação de Vieira no cargo de presidente do Sport Lisboa e Benfica. Segundo esta lógica, António de Oliveira Salazar ou Adolf Hitler também se deveriam ter perpetuado no poder, afinal ambos recuperaram os respectivos países de situações profundamente caóticas sob quase todos os pontos de vista…

Monday, June 15, 2009

Leituras

"(...)Tivesse Vieira para as coisas do futebol, a intuição animal e o saber prático, intratável, que tem para estas coisas da política interna, e o Benfica já somaria um ror de títulos nacionais e internacionais.
Ou seja… se o presidente do Benfica fizesse gato-sapato dos adversários externos como faz dos adversários internos… imaginem, caros benfiquistas, como ia bordejado a ouro, a diamantes e a tacinhas de todos os tamanhos e feitios, o nosso palmarés desportivo dos últimos anos.(...)"


Leonor Pinhão, A BOLA, 11 de Junho 2009

Monday, June 08, 2009

Um grande apego...

Ora aqui está um acto de grande apego ao Sport Lisboa e Benfica. Um apego exagerado. Um apego que já é tudo menos desinteressado. Um apego que já é algo que não se coaduna com a história e cultura democráticas do clube encarnado. Este apego déspota e desenfreado revela, como todos os despotismos, que a sua única prioridade é a perpetuação do poder do apegado, mostrando também, de forma inequívoca, o seu temor em enfrentar possíveis candidatos num acto eleitoral que se deveria pretender de discussão salutar e imbuído do tal espírito que faz parte da genética benfiquista.

Sunday, June 07, 2009

Leituras

"(...) A verdade é que o prof. Carlos Queiroz é um treinador único. Sobretudo no sentido em que é o único treinador que eu conheço que, tendo à disposição simão Sabrosa e Nani, escolheria Luís Boa Morte como primeira opção. É possível que haja apenas uma posição nas qual a selecção de Portugal não tem qualquer problema: a de extremo. Carlos Queiroz conseguiu arranjar um. É preciso talento.
Quando se lamenta a escolha de Quique Flores para treinador do Benfica, é importante não esquecer que Carlos Queiroz chegou a ser hipótese. Muita sorte tivemos nós."


Ricardo Araújo Pereira, A BOLA, 7 de Junho 2009

Thursday, June 04, 2009

Never Ending Story

O Sport Lisboa e Benfica é como a água, está sempre em constante renovação. A coisa já é um lugar-comum.
Desde a época 2005-2006, que os disparates vêm sucedendo a um ritmo frenético. Contudo, neste momento só há um adjectivo capaz de qualificar a situação do clube: caótico.
Oficialmente o clube tem contrato com um treinador que já sabe há cerca de um mês ou mais (ele e o mundo) que não irá terminar o seu vínculo contratual. Enquanto clube e treinador se vão tentando entender quanto ao valor da indemnização, já se sabe (também há muito tempo) quem irá ser o seu sucessor, que entretanto também continua ao serviço de outro clube, com o qual tem contrato em vigor. Pelo meio desta salganhada, também já se contrataram dois ou três jogadores, não se sabe é se foram contratados com o aval do treinador em exercício ou do treinador a exercitar, ou, mais ridículo ainda, se sequer tiveram aval de algum deles.
Até o já clássico “roubo” de contratação, perpetrado pelo clube ressentido do norte, teve lugar.

A situação financeira, após uma época de avultado investimento, e sem qualquer retorno em termos de resultados, obriga a vender uma ou mais jóias da coroa – fala-se em Luisão, Cardozo e Dí Maria…tiros no pé, portanto.

O presidente quer a demissão dos órgãos sociais para provocar eleições antecipadas e com isso minar as hipóteses dos seus adversários, salvaguardando o seu absolutismo obsessivo que é pródigo em delírios com abutres e conspiradores vindos de todos os lados e outros tiques autocráticos.

No que respeita à gestão do futebol do Benfica, em traços gerais, a situação objectiva e conhecida é esta. E isto é a balbúrdia total que se tem repetido época após época. É uma história interminável, tal como indica o título deste texto. A diferença é que o Never Ending Story que foi um sucesso nas salas de cinema durante a década de 80 teve um final feliz, o mesmo não se poderá dizer desta história que o clube da Luz vai vivendo.
Naturalmente que deste quadro não se pode augurar nada de bom, nem sequer razoável. Mas atenção, parece que o clube foi distinguido pela terceira vez, como sendo marca de excelência

Todos os benfiquistas estarão seguramente satisfeitos com o novo estádio, com o centro de estágio, com o projecto olímpico, com a revitalização das modalidades, com o aumento do número de sócios, com a clínica e o canal Benfica, etc.
Mas…e o futebol? Como tem sido gerido o core business da empresa Benfica? Está á vista de todos. Quer dizer…nem todos, basta ler uma entrevista de Domingos Soares Oliveira no último número da revista mística, onde o guru se multiplica em considerações vácuas acerca da saúde empresarial do clube.

Importa abrir um parêntesis para deixar bem claro o seguinte: Luís Filipe Vieira foi o homem providencial numa fase terrível da vida do clube. Não o nego e sempre soube reconhecer essa importância. No entanto, dos muitos ciclos que o Benfica tem vindo a iniciar e a acabar, o ciclo do presidente é o único que justifica uma conclusão. O projecto desportivo para o futebol tem sido permanentemente adiado. O Benfica clube não ganha e com isso, a prazo, o Benfica empresa também estará em dificuldades. Não é preciso ser guru da Gestão para alcançar tão óbvia constatação.

Saturday, May 30, 2009

Leituras



Tenho com o Barça uma estranha relação. Cresci a admirar o Dream Team, a delirar com os golos deliciosos de Romário e com Laudrup a olhar para um lado e a dar para o outro. Mas mal este acabou, virei-me para o Madrid de Raúl para chatear o meu pai e por lá fiquei. Hoje, mesmo preferindo o Madrid ao Barça, é-me humanamente impossível não admirar a orquestra blaugrana. Uma equipa que ameça seriamente tornar-se uma das míticas.Apesar da globalização, as equipas mantêm uma certa identidade. Não falo apenas do Athletic de Bilbao (esse mostra o dedo do meio à globalização), falo de várias: o Milan é cínico, a Juve chega a ser velhaca. O Liverpool é mítico e o Real Madrid monstruoso. Pensamos no Manchester United e vem-nos um vendaval à cabeça, o Bayern de Munique um exército. E quando pensamos no Barça?O Barça de Pep Guardiola (um jogador tão brutal que Valdano dizia que ninguém o devia tratar por tu em campo) é uma delícia muito difícil de descrever e está tão afinado que dói. A equipa que faz coisas que, como escrevi sobre a finta de Messi no Calderón, dão vontade de virar a cara por pudor. Um pudor que o Barça já não tem. Em certos momentos, a humilhação do rival chega a dar pena. Acabam de joelhos, cansados, desmoralizados, esmagados.A bola parece não parar. Minha, tua, tua, minha. Passe longo, passe curto. Um, dois, três e a equipa mexe-se como num tango. Divertem-se todos, disfrutam. Tudo começa em Xavi, um maestro que - passe a heresia - passou o mestre Pep que se senta num banco. Refinou o futebol a dois toques que o mítico 4 tanto amava: parar e receber. A melhor solução está sempre ali: perto ou longe, depressa ou devagar, o arranque fatal ou o passe para trás. A bola sempre com ele, a orquestra a girar. Os rivais desesperam. Depois, há Iniesta, a centopeia (expressão de Jorge Valdano). Um anjo com a bola nos pés. Siamês de Xavi, é como se fosse uma versão mais mexida, mais driblador. A maneira como ontem arrancou entre Carrick e Anderson para o primeiro golo é de uma elegância artística. Repare-se na diferença: Cristiano Ronaldo quando arranca é em força, tipo vulcão. Iniesta ontem pareceu-me que voava.

Por fim destaco, obviamente, Leo Messi. A pulga que nos parece mesmo ter genes de, ele mesmo, Maradona. A bola colada ao pé esquerdo como por encanto, a anca que finta repetidamente, os arranques imparáveis, como se fintasse os buracos da rua onde jogava quando era pequeno e depois tentasse rematar entre baldes do lixo. Messi é o menino da rua que, como li nalgum lado, paarece-nos que chega ao campo de boné para trás e pergunta timidamente se pode jogar.

Mas mais do que isso, este Barcelona revolucionou o futebol. Entregou-o de novo aos artistas. E até a mim, um defensivista, me conquistaram. Honra seja feita a Pep e a Luis Aragonés (que descobriu no Europeu que se desse um trinco - e, logo, a liberdade - a Xavi e a Iniesta dava à equipa a hipótese de poder mesmo passar os 90 minutos com a bola nos pés). O Barcelona que vi esta época fez jus à cidade. Não à parte turística, cheia de ingleses bebâdos. Fez jus aos bares escondidos no Bairro Gótico, onde se fala em catalão de liberdade.

Ver este Barça jogar emociona-me mesmo, como me emocionei a ler o "Por quem os sinos dobram". Arrepia-me ver aquela equipa baixinha, em Roma, trocar a bola rente à relva como se ensina aos infantis. E a alegria com que toda a gente se mexe e descobre um espaço e passa e arranca e a maneira como todos disfrutam. Ontem, em Roma, ganharam os bons. Os príncipes, os artistas. Aqueles a quem normalmente se reservam as vitórias morais. O Manchester, mais alto e mais forte, talvez lhes ganhasse todas as provas de atletismo. Mas ontem, a beleza do futebol - aquela que Nélson Rodrigues descreveu antes de todos os outros e Valdano continuou - revelou-se toda, num jogo que sintetizou uma época que será sempre falada no Bairro Gótico.


Este Barça não é uma equipa, é uma orquestra. Um sinfonia, um hino, arte. Quando Xavi lançou aquela bola celestial para Messi, percebi logo o lance e arrepiei-me. Arrepiei-me mesmo, como se um calafrio me passasse. A bola é divina, é perfeita, há um momento - como diz o jornalista do As - em que até parece que se atrasa para chegar à cabeça de Messi, como se tudo fosse combinado.Não sei se este Barça da bola no chão e tabelas e passes vai durar muito. Se num futebol cada vez mais fodido pela globalização, cada vez mais rápido a consumir-se, se vai durar o suficiente para marcar a década. Mas a mim, que cresci com o jogo e que me apaixono por toda a vida, toda a história que ali se faz, já me marcou.

Foi como se me apaixonasse. Este Barça é o Esplendor na Relva.

Diário de um ultra, 24 de baril de 2009.

Thursday, May 28, 2009

Com naturalidade...

Desilusão e confirmação. Foram as duas realidades que resultaram deste jogo. A desilusão de não vermos um jogo equilibrado, tal como nos tinha vindo a ser anunciando. A confirmação é a de que, actualmente, há a Premiere, a liga espanhola e italiana, e depois há o Barça…

Qualificar o futebol praticado por esta equipa do Barcelona, implica um risco muito provável de incorrer em lugares-comuns, já que o chorrilho de elogios tem sido uma constante ao longo da época. Um dos epítetos mais recorrentes que tem sido imputado ao futebol blaugrana, é o do futebol romântico, em oposição ao pragmatismo e resultadismo, como por exemplo, aquele que o Chelsea revelou nos confrontos das meias-finais. No entanto, parece-me que este futebol está muito para além do romantismo e de todas as outras coisas que lhe têm sido atribuídas. Aquilo é a essência do futebol. Está lá tudo, os deslocamentos, as coberturas ofensivas e defensivas, as compensações, as combinações tácticas e todas as acções e princípios elementares e basilares da organização do jogo. Portanto, este Barcelona ganhou com naturalidade a competição, e as restantes em que esteve envolvido. Com muita naturalidade.

Tuesday, May 12, 2009

O verdadeiro Código Quique

Ser filho de Carmen Flores, sobrinho de Lola Flores e afilhado de Di Stéfano, deu uma ajuda importante na afirmação de um debutante treinador espanhol chamado Enrique Sánchez Flores. Antes de abraçar a carreira de treinador, desenvolveu diversas colaborações com a comunicação social, o que veio cimentar, ainda mais, a relação profícua que Quique mantém com aquilo que se convencionou chamar de “quarto poder”.

Duas temporadas no Getafe com uma subida ao escalão maior e na época seguinte, manutenção da equipa nesse escalão. De seguida, o Valência, onde consegue a qualificação para a Liga dos Campeões e atinge os quartos-de-final da prova. Estes feitos razoáveis serviram para colocar Quique no patamar dos treinadores de sucesso, tendo mesmo chegado a ser comparado, inúmeras vezes, com José Mourinho!

Chega a vez do Benfica. Um clube lendário mas que vive em depressão profunda há uns valentes anos. Mais que um grande desafio, é uma oportunidade de ouro para o espanhol atingir, com fundamento, esse patamar do sucesso. No entanto, Quique não abraçou essa perspectiva.
O espanhol quis grandes jogadores, preferencialmente oriundos do campeonato espanhol, convidou um preparador físico de nome e sucesso, e achou que tudo isso seria mais que suficiente para vencer um campeonato “subdesenvolvido” como o português. Assim que chegou, Quique mostrou ao que vinha. Diamantino Miranda e Fernando Chalana, de imediato foram relegados para papéis abaixo do secundário na estrutura técnica.

Por detrás de uma imagem polida e de um discurso aberto e fluído, o espanhol foi dando mostras de uma enorme arrogância e de um ego desmesurado. Foram inúmeras as acusações de falta de empenho e qualidade que fez à sua equipa e a jogadores em particular, sem nunca assumir (ou sequer admitir essa possibilidade) qualquer responsabilidade quando as coisas corriam menos bem. Para além disso, ia dando umas entrevistas a órgãos de comunicação do seu país onde revelava de forma evidente, o seu desmedido umbiguismo e a atitude desprendida e pouco séria com que sempre encarou esta “passagem” pelo Sport Lisboa e Benfica.

Do ponto de vista táctico, Quique insistiu teimosamente num sistema e modelo de jogo absolutamente desajustados às características do futebol português e ao plantel de que dispunha. Para manter essa sua cruzada, o espanhol foi sacrificando jogadores nucleares. Sobre Léo, mantém-se o mistério de perceber o que teria ele que aprender com Jorge Ribeiro que entretanto também passou, num ápice, de tacticamente culto a jogador descartável. David Luiz acabou por ser o remendo inevitável, o que acabou por, não obstante as cavalgadas ofensivas dos últimos jogos, debilitar a organização defensiva da equipa e atrofiar o desenvolvimento de um defesa central com reconhecido potencial…
Rúben Amorim, já se sabe, um dos melhores para ocupar a zona central do meio-campo, acabou por servir de tampão para atenuar os desequilíbrios potenciados pelo 4-4-2 de Quique. A parca utilização de Óscar Cardozo, as dúvidas permanentes relativamente à constituição da dupla a utilizar na zona central do meio-campo e muitos outros aspectos marcaram esta época de equívocos técnico-tácticos de Enrique Sánchez Flores no clube da Luz. Como resultado, o futebol produzido pela equipa foi sempre qualquer coisa abaixo do sofrível. Isto foi o que toda a gente viu durante a temporada. No entanto parece que há resultados invisíveis, segundo o treinador…

O espanhol teve um dos melhores plantéis da última década, teve sempre a benevolência da comunicação social e do Terceiro Anel, algo de que nem todos os que têm passado pelo clube se podem gabar. Ainda hoje, há adeptos a manifestarem o desejo da sua continuidade em nome de um conceito muito estranho de estabilidade…Apesar disso tudo, o afilhado de Di Stéfano nunca conseguiu perceber o "código" de Tulipa, Domingos Paciência ou Manuel Cajuda, e o pior de tudo é que, facilmente se percebe, que nem sequer se esforçou para o conseguir.


PS: Sei perfeitamente que os problemas do Sport Lisboa e Benfica não se esgotam na questão do treinador, no entanto, uma coisa não invalida a outra. Os problemas estruturais não invalidam a notória incompetência de Quique Flores.

Saturday, May 09, 2009

Começou o Brasileirão

É uma afirmação no mínimo discutível, mas não tenho dúvidas que o Brasileirão, que arranca este fim de semana, é sob várias perspectivas o melhor campeonato do mundo. Nenhum tem tanta paixão acumulada. Nenhum tem tantas equipas grandes em competição. Nenhum tem tantas rivalidades. E, embora sem as grandes estrelas do país, nenhum terá tanto potencial a aparecer de ano para ano.

Filipe, Vai começar o campeonato da paixão!, Jogo directo


Subscrevo totalmente esta opinião relativamente ao campeonato brasileiro. Não o definiria melhor. Esta temporada o Brasileirão conta ainda com o aliciante de podermos ver três grandes craques que a ele regressaram: Ronaldo no Corinthians (que já se fartou de dar que falar durante o Paulistão); Fred no Fluminense, e Adriano, aquele que trocou o glamour de Milão pela rudeza da favela, e que afinal, soube-se agora, também queria trocar o Giuseppe Meazza pela Gávea...

Para além destes três enormes nomes do futebol mundial, há ainda os jovens valores a despontar, tais como Maicosuel do Botafogo, Neymar do Santos e Keirrison do Palmeiras, entre muitos outros.

Sobre o campeonato brasileiro recaiem alguns mitos, como o de que o futebol praticado é lento, individualista, entre outras coisas. Paradoxalmente, a Europa olha de forma sobranceira para o futebol jogado em terras de Vera Cruz, sem no entanto se cansar de lhe subtrair, ano após ano, todos os Patos, Kákás e Robinhos que por lá vão surgindo…
Para além de que quando se fala de futebol brasileiro é necessário ter em atenção que ele assume estilos diferentes em função do território onde é jogado. Por exemplo, a ginga do futebol carioca nada tem a ver com o jogo mais musculado de Rio Grande do Sul.

Eu, pessoalmente, também recomendo este campeonato. Tal como o Filipe do Jogo Directo, também só não verei o que não puder.

Thursday, May 07, 2009

Sobre o Chelsea-Barcelona

Nunca se saberá se Hiddink falava verdade quando afirmou que a sua equipa iria abordar o jogo de forma diferente relativamente ao jogo de Camp Nou. O pontapé certeiro de Essien, nos primeiros minutos do jogo, inviabilizou essa descoberta. No entanto, viu-se a espaços um maior atrevimento por parte dos londrinos quando a bola estava na sua posse. Não foi apenas futebol directo para Drogba como na Catalunha, de vez em quando apareciam 4/5 jogadores em zonas de finalização. Isso, associado ao desacerto defensivo dos homens de Guardiola promoveu a ilusão, “comprada” por muitos, de que o Chelsea foi superior ao Barça neste jogo. Talvez a ilusão também se explique pelo facto de que na verdade, os comandados de Hiddink apenas foram superiores (e muito!) ao Chelsea da primeira mão.

Fragilizados por ausências de peso, os blaugrana foram fiéis a si próprios. Jogaram como jogam sempre. Essa é a sua grande marca distintiva. Não fizeram muitos remates à baliza, dizem os mais radicais compradores de ilusões. Pois não. Mas desde quando é que o Barcelona é equipa que remata muito à baliza? Os remates de meia distância e os cruzamentos para a área são acções que não integram o manual de princípios desta equipa. Ao invés, é em ataque posicional, com passes curtos e tabelas que procuram desequilibrar o dispositivo defensivo dos adversários. Ora, isso, nestes dois jogos foi contrariado com sucesso pela equipa de Londres. As insónias de Hiddink deram frutos e ontem, o meio-campo catalão carecido de Iniesta que estava deslocado para outras paragens, progredia com a bola até á área adversária, contudo o último passe não saía. Esbarrava na extraordinária organização defensiva do adversário. Até ao minuto 93…

Chegou á final a melhor equipa no conjunto dos dois jogos. A equipa que foi igual a si própria e que jogou o futebol que joga sempre. Ficou pelo caminho aquela que, sobretudo num dos jogos, apenas procurou anular o seu adversário.

Sobre a arbitragem…o que se tem dito é manifestamente um exagero. Existirão dois lances passíveis de terem sido mal ajuizados com prejuízo dos londrinos, tal como Abidal também foi mal expulso, e já agora, tal como em Barcelona, também houve vários lances mal ajuizados e que prejudicaram os catalães – um deles provocado por Bosingwa…

Wednesday, May 06, 2009

Insónias

"Penso em diferentes formações. Esta semana tive sempre caneta e papel ao pé da cama. Depois do primeiro jogo não conseguia dormir e passava a noite a escrever"

Guus Hiddink, citado por vários jornais ingleses

Monday, May 04, 2009

Leituras

"...Se sienten a gusto jugando así. No hay más. O sí, hubo algún matiz de pizarra. Como volcar a Etoo a la derecha y meter a Messi entre líneas. Se encontró tantas veces con Xavi e Iniesta, que al Madrid el balón le desapareció.
Los centrales del Madrid son buenos si tienen una marca de referencia. En cuanto la perdieron, se sintieron incómodos. Bien pensado por parte de Guardiola y muy bien ejecutado por sus futbolistas..."

Johan Cruyff, Guardiola fue fiel a sí mismo, Las Claves de Johan Cruyff

Saturday, May 02, 2009

Estabilidade?!

Depois de ver a fragilidade do 4-4-2 clássico – que enorme desperdício de jogadores a que ele obriga! – com que o Real Madrid foi esmagado pela máquina trituradora da Catalunha, vejo o Benfica na madeira com as mesmas fragilidades típicas do sistema, mas com a agravante de o seu oponente não ter, nem de perto nem de longe, os argumentos de uma “grande equipa”. É Confrangedora e embaraçosa a incapacidade do Benfica desequilibrar uma equipa cujo método defensivo é a marcação individual. Como se isso não bastasse, as intervenções emanadas do banco, em vez de resolverem essa incapacidade, ainda a exponenciam mais. Deslocar o suporte de um meio-campo em permanente dificuldade e retirar de campo um de dois avançados que estavam a ser marcados individualmente por três defesas centrais, é algo de inexplicável…

Estabilidade assente num equívoco? Não, obrigado!

Wednesday, April 29, 2009

Meias-finais da Champions League - Preâmbulo

Parece existir alguma tendência crítica nas análises "profissionais" que são feitas à forma como o Chelsea jogou ontem em Camp Nou. Os londrinos estacionaram um autocarro de dois andares na sua grande área e apenas procuraram impedir (com sucesso, diga-se) o desenvolvimento do habitual carrossel catalão. Contudo, não deveria haver crítica nenhuma. A época passada, o por cá tão elogiado, Manchester United (de Ronaldo e na altura ainda de Queiroz) utilizou exactamente a mesma estratégia em Camp Nou e não me lembro de ler ou ouvir grandes críticas, pelo contrário, foi prova de maturidade e sabedoria táctica. Já agora, é a isto que chamam de maravilhoso futebol inglês?

Thursday, April 16, 2009

Belenenses - Declínio de um histórico *

Se falarmos com um estrangeiro sobre o futebol lisboeta, e se o nosso interlocutor for minimamente informado acerca do desporto-rei, seguramente que os nomes de Benfica e Sporting serão pronunciados, e pouco mais. No entanto, lá para os lados de Belém – onde, por acaso, o futebol até recebeu o seu primeiro forte impulso organizativo – habita um clube que também já fez parte da elite alfacinha. Um clube que chegou a ser campeão nacional, que foi orientado por grandes treinadores, como Fernando Riera, Helenio Herrera ou Otto Glória, que teve jogadores lendários, como Matateu, Vicente e Pepe, mas que, apesar do peso histórico, tem vindo a reduzir o seu estatuto no futebol português.

O enfraquecimento gradual do Clube Futebol Os Belenenses deve-se, em boa parte, à complacência e má politica dos sucessivos dirigentes que têm passado pelo emblema do Restelo. O clube parece carregar uma cruz, que ironicamente faz parte do seu emblema.

Esta época é um exemplo claro destas dificuldades, com a equipa a agonizar no fundo da tabela classificativa. E o mais paradoxal é o facto de ter vindo de duas temporadas extraordinárias, onde, inclusive, regressou às competições europeias e marcou presença numa final da Taça de Portugal. O problema é que este ano, para além do abandono do treinador Jorge Jesus, saíram do plantel 19 jogadores, tendo entrado 17 novos atletas, quase todos oriundos do futebol brasileiro – muitos vindos de divisões secundárias, outros das reservas de alguns clubes do Brasileirão.

Face a esta profunda transformação, o futebol da equipa afigurou-se pouco consistente e provocou os maus resultados sofridos nas primeiras jornadas. O treinador brasileiro Casemiro Mior acabou por ser dispensado, sem grande surpresa, tendo entrado para o seu lugar, o já experimentado nestas lides, Jaime Pacheco. O treinador nortenho de imediato começou a trabalhar na construção de uma equipa à sua imagem, recorrendo ao mercado de Inverno para realizar os necessários ajustes nesse sentido. O problema é que enquanto este complicado empreendimento foi ganhando forma, o campeonato não parou, e com isso o clube azul foi perdendo terreno até acabar por se fixar nas sufocantes posições do fundo da tabela. Nesta altura, o espectro da quarta descida de divisão da sua história é uma constante no dia-a-dia do clube.

Princípio da ruína

A queda do Belenenses tem início ainda na década de 80, com a primeira descida de divisão na história do clube. O desastre ocorreu na temporada 81/82 durante a qual, a equipa conheceu sete treinadores, entre os quais Artur Jorge e Nelo Vingada. O inferno da segunda divisão durou duas épocas.

O abandonado campo das Salésias, antiga casa do Belenenses, assemelha-se à perda de importância que o clube tem vindo a sofrer no futebol nacional.


A seguir a esta tempestade, porém, veio uma agradável bonança. O clube reergueu-se e atingiu boas classificações, como um brilhante 3.º lugar em 87/88. Foram também atingidas duas finais do Jamor, sendo que numa das vezes, na época 88/89, o troféu foi mesmo conquistado pelos azuis – o último grande troféu oficial conquistado (vitória frente ao Benfica por 2-1). Também nesse período, as noites europeias voltaram a animar o Estádio do Restelo, com particular destaque para uma eliminatória com o Barcelona que terá promovido, talvez, a última grande enchente. Neste Belenenses, orientado por Marinho Peres, sobressaíam jogadores como Mladenov, Sobrinho, José António, Chiquinho Conde, entre outros. Findo este período, porém, o clube voltaria a cair nas profundezas da Liga de Honra em mais duas ocasiões (90/91 e 97/98). O regresso às competições europeias e a uma final da Taça de Portugal aconteceu apenas recentemente, com Jorge Jesus. Pelo meio houve uma época (95/96) em que, pela mão de João Alves – com jogadores como Ivkovic, Fernando Mendes, Tulipa, Giovanella, Mauro Airez, entre outros – os azuis mantiveram, com o V. Guimarães, uma luta árdua por um lugar de acesso à Europa. Levaram a melhor os homens do Minho, contudo essa equipa garantiu um lugar no cantinho das boas memórias dos adeptos belenenses.

Na actualidade os adeptos do clube continuam a reclamar o estatuto de quarto grande do futebol português, mas apenas a história consegue legitimar tal posto, já que no campo esse estatuto tem sido disputado de forma mais justificada por V. Guimarães, Braga e Boavista (antes da recente queda ao segundo escalão).

O declínio competitivo do futebol do Belenenses, associado ao amadorismo e aventureirismo de muitas das suas direcções, e também às questões relacionadas com o envelhecimento demográfico da população lisboeta, tem levado ao contínuo afastamento dos adeptos do clube – algo que é bem visível de 15 em 15 dias nas despidas bancadas do Estádio do Restelo. O clube de Belém corre o risco de se transformar num resíduo simbólico e histórico, tal como o seu primeiro campo de futebol – as abandonadas e degradadas Salésias.

* Texto publicado em

Monday, April 13, 2009

Corinthians - Uma proposta táctica diferente para conquistar o Paulistão


Foi ontem no Pacaembu que o Corinthians venceu o arqui-rival e todo-poderoso São Paulo FC. Estava em causa o avanço até à final do "Paulistão". Agora, ao "timão", basta um empate daqui a uma semana no Morumbi para atingir esse objectivo. O jogo teve contornos dramáticos para o S. Paulo, já que o golo que deu a vitória ao Corinthians foi obtido no último minuto do tempo de descontos. Após um período de intensa pressão corinthiana, sobretudo depois de se encontrarem em superioridade numérica, Cristian, arrancou e desferiu um potente remate que só fez parar a bola no fundo da baliza de Rogério Ceni.

O jogo de ontem cumpriu com uma das regras basilares do actual futebol brasileiro – muita luta a meio campo, alicerçada na rigidez das marcações individuais. No entanto, do lado do "timão" havia qualquer coisa de pouco habitual no futebol brasileiro dos três “zagueiros”. Mano Menezes estruturou – à semelhança do que tem feito noutros jogos – a sua equipa num sistema de 4-3-3 que, pressionando alto, obrigou o tradicional 3-5-2 do S. Paulo a transformar-se num expectante 5-3-2, pois a permanente procura da profundidade pelos corredores laterais, através da velocidade de Dentinho e Jorge Henrique, obrigava os laterais são-paulinos a terem mais preocupações defensivas do que seria habitual. A equipa do Parque São Jorge teve assim um domínio claro do jogo face a um S. Paulo que ficava assim condicionado a procurar surpreender em contra-ataque ou através de bolas paradas.
É uma proposta táctica de Mano Menezes, que difere dos dominantes 3-5-2 ou 4-4-2 com dois “meias” (4-2-2-2) e que, como tal, junta à recuperação de Ronaldo o “fenómeno”, esta outra particularidade de interesse aos jogos do popular clube brasileiro.

Tuesday, April 07, 2009

Breves notas sobre o Manchester United - FC Porto

1) Exibição personalizada do FC Porto em Old Trafford.

2) Fernando foi, do ponto de vista individual, a unidade em evidente destaque pela positiva.

3) O mais recente ídolo da imprensa lusa conseguiu uma soma de disparates absolutamente notável. Quando mais deu nas vistas, foi quando manifestou a sua patética tendência mártir, que nestes palcos não parece ser muito bem sucedida...

4) Ferguson, agora na recta final da sua carreira, optou por dar um valente pontapé na filosofia que sempre defendeu e que pôs em prática no clube, para se render ao pragmatismo, resultadismo, defensivismo, ou será mesmo cobardia? Herança de Queiroz?

Wednesday, April 01, 2009

ANUÁRIO FUTEBOL MUNDIAL 2008/09 (Rui Malheiro, QuidNovi, 2009).



O futebol português visto à lupa: Liga Sagres, Liga Vitalis, II Divisão, Taça de Portugal, Taça da Liga, Liga Intercalar e Supertaça. A actividade das Selecções nacionais: dos sub-15 aos AA. Os campeonatos de mais de 100 países. Tudo sobre o futebol inglês, italiano, espanhol, francês, alemão, brasileiro e argentino. As provas internacionais de clubes e selecções. O perfil de cerca de 1000 jogadores de todo o Mundo ao longo de 816 páginas.


"Estou feliz por ver um sonho realizado e contente por uma obra tão rica aparecer em Portugal. É um documento fantástico, de enorme valor, que resulta de uma pesquisa exaustiva e que demonstra a dedicação ao futebol por parte do autor. Trata-se de uma obra que tem um largo campo de interesse. Para mim, como treinador, é uma ferramenta de consulta extremamente útil, como também não tenho dúvidas de que o será para os diversos agentes desportivos - clubes, treinadores, jogadores, jornalistas e adeptos -, que passam a ter em mãos um vasto documento com informação organizada sobre os intervenientes dos principais campeonatos".

Paulo Sousa


"À estatística, comum aos dois almanaques internacionais mais conhecidos, decidimos juntar a táctica, a análise e a prospecção de jogadores, com o objectivo de enriquecer a obra, conferindo-lhe um carácter único".

Rui Malheiro



Decorreu ontem a cerimónia de lançamento desta magnífica obra e eu tive o privilégio de ter estado presente. Para além de passar a ter este importante documento na minha estante, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o seu autor - alguém por quem já nutria particular admiração, por via de muitos dos seus trabalhos, disponíveis online, tais como o mítico terceiro anel e o playmaker.
Voltei também a discutir futebol com o Ricardo do Catenaccio. Conheci o Nuno Francisco, director da revista 'Futebolista', o João Gonçalves, do Encarnado e Branco e o jornalista José Marinho, tendo tido também a oportunidade de com eles trocar umas ideias e opiniões sobre este assunto que a todos nos anima. Foi, em suma, um momento muito bem passado.
O Anuário, pelo que já pude observar, é um documento de extraordinária importância - imprescindível para quem, de alguma forma, está ligado ao futebol. Por exemplo, para as coisas que eu por aqui vou escrevendo, o Anuário vai, seguramente, ser consulta recorrente.
Resta-me, mais uma vez, endereçar os meus parabéns ao autor Rui Malheiro, fazendo votos para que continue a aplicar todo o seu saber na elaboração dos próximos anuários e de outros contributos que queira dar ao futebol, pois é das pessoas mais qualificadas para o fazer.