Thursday, December 27, 2007
Bwin Liga: primeiro balanço
Relativamente aos três grandes, pouco há a dizer, na medida em que são escalpelizados diariamente pela imprensa e não só...
O FC Porto é líder incontestável, mercê de uma equipa totalmente rotinada, um onze que quase joga de olhos fechados. Adriaanse deixou uma boa herança a Jesualdo Ferreira, e isso traduz-se naturalmente num avanço significativo relativamente aos seus opositores directos, que mexeram na estrutura das respectivas equipas - sendo o Benfica um caso flagrante.
Jesualdo apenas puxou uma peça do meio campo para a defesa no tabuleiro do dragão, porque quanto ao resto, não se vislumbram grandes diferenças, sobretudo no que respeita às opções para titulares do onze portista (O problema é quando falha uma das peças do onze titular...).
Até Tarik, inicialmente proscrito pelo Professor tem a assinatura do excêntrico treinador holandês.
No que respeita ao Benfica, já muito foi escrito. Plantel renovado, e refira-se, tardiamente; substituição de treinador já com a época em curso...
Não se poderia esperar muito dos encarnados. José António Camacho tem esta época para construir uma equipa. E tem, na minha opinião, matéria prima para o fazer.
O Sporting após um início de época prometedor baixou o seu rendimento e os maus resultados começaram a aparecer. Apareceram também as diversas análises acerca do fenómeno, umas a incidirem na pouco profícua política desportiva, nomeadamente no que se refere a algumas contratações duvidosas, outras houve, que incidiram fundamentalmente em questões técnicas e tácticas.
Na minha opinião, nem umas nem outras explicam a crise leonina. O que se passa no Sporting é uma crise de balneário. Os sinais estão aí, só quem não quiser ver.
Para além dos grandes, há que referir as excelentes campanhas dos Vitórias, ambos sem terem plantéis com nomes sonantes, têm conseguido estar muito para além das mais optimistas expectativas.
Destaco também o Belenenses, que me parece ser uma equipa com uma excelente organização em campo. Do ponto de vista táctico, o Belenenses é de facto um caso interessante. Creio que com um pouco mais de qualidade (leia-se capacidade de finalização) na sua linha avançada, a equipa do Restelo poderia dar mais que falar.
Monday, December 24, 2007
Tuesday, December 18, 2007
O melhor do mundo, para mim.
Nesse colectivo que é uma equipa de futebol, existem posições e funções específicas e distintas, e normalmente nestas atribuições há como que uma implícita e injustificável superioridade moral dos avançados ou dos médios criativos face aos defesas, guarda-redes ou médios defensivos. Há excepções, ainda o ano passado houve uma, que por sinal bastante alarido provocou na prosa de muitos analistas…
Mas está bem, aceitemos a coisa. Podemos considerar, que de facto as individualidades que compõem essa ordem colectiva, muitas vezes são de tal forma influentes e geniais que podem mesmo sobrepor-se a ela, proporcionando-nos aqueles jogos que por vezes assumimos terem sido resolvidos por um jogador (o que será sempre um exagero).
Outro factor que pode levar à aceitação do evento é o facto de que a atribuição resulta do sufrágio de um universo qualificado e supostamente competente. Não se entendem por isso as afirmações que apontam a existência de critérios relacionados com os desempenhos / resultados das equipas a que pertencem os jogadores nomeados, o que nos remete para a evidência referida no primeiro parágrafo. Esses critérios até poderão existir, mas serão sempre subjectivos, e é da soma dessas subjectividades todas que surge então o FIFA player of the year. E já que é de subjectividade que estamos a falar, aproveito para assumir quem é o jogador que para mim é o melhor do mundo na actualidade. E não o vou fazer recorrendo a estatísticas de golos, assistências, ou títulos conquistados, muito menos com recurso a argumentos científicos relativos a capacidades físicas, técnicas ou tácticas. A minha escolha centra-se em algo mais simples. A emoção, a satisfação própria de quem aprecia um espectáculo, a estética se preferirem. Tudo aquilo que o jogo provoca a quem gosta tanto dele. Por isso para mim, o melhor jogador do mundo da actualidade é inequivocamente, Lionel Messi.
Monday, December 17, 2007
A muito lenta construção do Benfica...

Ainda recentemente, após ouvir inúmeras dissertações acerca do sistema e modelos de jogo do Sporting, no programa Pontapé de saída, não resisti a enviar esta mensagem para o dito programa: Custa-me ver semanalmente, no melhor programa sobre futebol da televisão nacional, ouvir tanta dissertação acerca do losango do Sporting. Porque não uma palavrinha para uma equipa que joga de forma muito boa nesse sistema. A equipa que melhor aplica o método da defesa zonal em Portugal e exímia a aplicar a "off-side trap". Falo naturalmente do Belenenses.
Já falar sobre o Benfica é algo que se afigura ligeiramente mais complexo. A verdade, dura e crua, é que este Benfica, após quatro meses de Camacho, ainda não apresenta uma ideia clara de jogo. Não tem modelo, nem dinâmica. O que vai disfarçando esta situação são as “muchas ganas” que o treinador espanhol certamente incute nos treinos e no balneário, aliada à qualidade individual dos jogadores. De facto, em termos de atitude, os encarnados têm feito alguns jogos que têm que ser considerados como muito satisfatórios, no entanto, uma equipa de futebol não se pode esgotar nessa única variável.
Era expectável e até compreensível que esta época não viesse a ser recheada de sucessos, tendo em conta os disparates ocorridos durante a preparação da mesma. Seria de esperar, tal como o treinador José António Camacho inúmeras vezes assumiu, que esta seria uma época para construção de uma equipa. No entanto, julgo que neste momento, já era altura dessa equipa apresentar um modelo de jogo com alguma consistência...
Sunday, December 16, 2007
Afinal, o que é a mística do Benfica?
É preciso sair do país para enxergar o prestígio e o tamanhão do Benfica em todo o mundo. Estive três anos em França, no Marselha, joguei num estádio fantástico, o Vélodrome, convivi com grandes jogadores como Pain e Waddle, mas o Benfica estava sempre no meu pensamento. Os meus companheiros de equiopa não percebiam o meu entusiasmo pelo clube, já que sabiam pouco do futebol português, embora reconhecendo o tremendo historial do Benfica.
Durante os primeiros tempos tive de aturar os comentários de Papin, logo desde o início, sempre que jogávamos em casa. Uns dias antes de cada jogo, o Papin chegava para mim e me dizia: "Mozer, vais ver o que é um estádio cheio e um ambiente terrível." Terrível para os outros. Não sei se o Papin fazia isso para me intimidar, já que era ainda novo no clube e não percebia muito daquela conversa. Mas para mim, sempre pensava: "Este cara precisava de jogar no Maracanã ou no estádio da Luz, cheios." Era o que eu pensava.
Até que, na taça dos Campeões, nas meias-finais, o Benfica calhou no caminho do Marselha. Fiquei, ao início, desgostoso, porque ia defrontar o meu Benfica, clube que os meus companehiros sabiam que eu adorava,. Me lembro do sauzée, o meu zagueiro do lado, me ter perguntado:"você vai estar em condições de jogar contra o Benfica?" Aí, senti que beliscavam o meu profissionalismo. Nos dois jogos, joguei a duzentos por cento. Depois do primeiro jogo, em Marselha, uns dias antes de jogarmos na Luz, virei para o Papin e lhe perguntei: " Papin, você quer mesmo ver o que é um estádio cheio, com 120 mil a gritar todos para o mesmo lado?" Engraçada, a reacção do Papin: "Você está me querendo meter medo, Mozer?" Não estava não e por isso lhe disse para esperar e ver. E já agora tremer. Pois bem, chegou o dia, chegámos no estádio da Luz e fomos indo para os balneários. Muitos risos, muita convicção de que íamos jogar a final da Copa dos Campeões. Lembro até que Tapie disse aos jornalistas franceses que lhe podiam chamar Bernardette se o Marselha perdesse a eliminatória.
Antes de subirmos ao relvado, para o aquecimento, Papin ainda troçou de mim, dizendo que estava já "tremendo de medo". E ria-se bastante.
Os jogadores foram saindo do balneário e eu atrasei um pouco, porque estava colocando uma ligadura no tornozelo. Quando cheguei perto do túnel de acesso ao estádio, começo a ver os meus companheiros, completamente assustados e todos do lado de dentro, não querendo entrar. Só depois é que percebi que, nessa altura, o Eusébio foi chamado ao relvado para receber uma homenagem e foi aí que o estádio quase vinha abaixo. Logo no momento em que os meus companheiros do Marselha se preparavam para entrar. Claro que voltaram atrás, assustados e me perguntando "o que era aquilo?". Aquilo, respondi eu, é o inferno da Luz. Aí todos começam a me dizer para ser eu o primeiro a avançar, subi as escadas, entrei no relvado, não fui mal recebido e quando olhei para trás, estava sozinho. Espreitando, à saída da escadaria, estavam alguns companheiros do Marselha, ainda com um olhar de medo e só nessa altura foram começando a entrar. No regresso às cabinas, perguntei ao Papin: "Já sabe agora o que é um estádio cheio e um grande ambiente?". A resposta nunca mais a esqueci: "Mozer, nunca vi uma coisa destas. Tudo isto é incrível. Sempre tiveste razão, o Benfica é enorme." Naquela noite, o Marselha perdeu, fiquei triste mas senti orgulho pelo Benfica. E já agora, naquele balneário, fui o único a ter uma vitória. Foi uma vitória moral, sobre aqueles que não acreditavam na grandeza do Benfica.
Mozer
Retirado de, Pela Mística dentro, José Marinho, Prime Books
Monday, December 10, 2007
Itália: viveiro de pontas de lança

Por muito que nos deslumbremos com as correrias de um extremo ou com a criatividade de um nº 10, o homem que nos faz gritar a plenos pulmões é o ponta de lança.
Há vários tipos de ponta de lança: os ágeis, velozes e tecnicistas, que por norma garantem uma maior mobilidade no sector mais avançado da equipa, normalmente não são jogadores de grande estampa física. Dentro deste tipo há aqueles que têm grande facilidade em aparecer nos espaços vazios e por tal assumem uma capacidade finalizadora acima da média, há outros que com as mesmas características não são tão exímios na concretização, pelo que se sentem mais confortáveis jogando com outro avançado ao seu lado, ou então movimentando-se nas suas costas.
Também existem os chamados pontas de lança “posicionais”, normalmente de estampa física considerável, fortes nos lances divididos, no jogo aéreo e com grande capacidade de choque. Geralmente jogam como pivot, de costas para a baliza, segurando a bola e permitindo assim a subida da equipa.
O tipo de ponta de lança que uma equipa possui é factor determinante da forma de jogar da mesma. Por norma, um jogador móvel assentará melhor numa equipa cujo método ofensivo seja o ataque rápido e/ou contra-ataque. Por outro lado, um jogador mais posicional, assentará melhor numa equipa que jogue em ataque organizado.
Há na Europa um enorme viveiro deste tipo de jogadores. Na série A italiana – curiosamente aquela onde todos dizem que só se joga à defesa - todas as equipas têm pelo menos um jogador destes.
Ficam os números, à 15ª jornada (apenas jogadores italianos):
Cristiano Doni (Atalanta): 12 jogos / 11 golos
Cláudio Belucci (Sampdoria): 12 / 8
Marco Borrielo (Génova): 12 / 7
Di Natale (Udinese): 12 / 6
Francesco Tavano (Livorno): 12 / 6
Vincenzo Iaquinta (Juventus): 11 / 6
Quagliarella (Udinese): 15 / 6
Maccarone (Siena): 14 / 5
Tommaso Rochi (Lazio): 15 / 5
Nicola Pozzi (Empoli): 10 / 5
Nicola Amoruso (Reggina): 13 / 5
Saturday, November 24, 2007
Depois de Scolari...
O que vai ficar da selecção após Scolari? A resposta é fácil: Para já, um segundo lugar num Campeonato da Europa, um quarto lugar num Campeonato do Mundo, duas qualificações, uma para um Mundial, outra para um Europeu. Isto no espaço de três anos. O que não vai ficar também é fácil de responder, e porventura ainda mas relevante que o que fica: "casos Paula"; "casos Saltillo"; lobbies nas convocatórias; mau ambiente nos grupos de trabalho, resultante das diferentes cores clubísticas...
Para finalizar, recomendo a leitura deste excelente texto que diz tudo: http://jogodirecto.blogspot.com/2007/11/afinal-o-que-deixar-scolari.html
Thursday, November 22, 2007
God save the english football

O mítico estádio de Wembley assistiu ontem ao maior desastre da selecção inglesa nas últimas décadas, a não qualificação para uma fase final de um Europeu de futebol.
O astuto Gus Hiddink tinha feito essa previsão, que no fundo não passou de um auto de fé e também de uma estratégia de motivação para os jogadores russos.
Esta situação encerra uma reflexão mais profunda acerca da fase que o futebol inglês atravessa. Inglaterra possui uma das ligas europeias que mais dinheiro gera, quiçá a mais mediática também, chegando a ser chamada de NBA do futebol. No entanto, importa referir que 60% dos jogadores da liga inglesa não são ingleses. Nos últimos anos, o número de estrangeiros que migram para o futebol inglês tem vindo a aumentar de forma significativa, em contrapartida, o número de ingleses que procuram outros destinos futebolísticos é muito reduzido, insignificante mesmo. Esta época, nas principais ligas europeias, apenas se detecta um futebolista inglês na liga espanhola, ao serviço do Múrcia e outro em França, no Nice, e claro, não esquecendo o spice boy Beckam recentemente seduzido pela aventura do soccer. Até mesmo dentro do Reino Unido, na liga mais relevante, a escocesa, apenas jogam 28 futebolistas ingleses.

É inegável a existência de qualidade no lote de jogadores que nos últimos anos têm representado a selecção da velha Albion. Também se reconhece que se está a assistir a uma natural fase de transição com a inclusão de vários jovens nas chamadas à selecção, como sejam, Aaron Lennon, Downing, Wright Phillips, Jermain Defoe, Micah Richards, entre outros que já espreitam essa possibilidade pela janela da selecção sub-21 (David Nuggent, Gabriel Agbonlahor e Theo walcott). De assinalar, contudo, que com excepção de Micah Richards, todos os restantes jogadores são avançados ou médios de ataque. Nota-se assim uma carência de jogadores, sobretudo para o sector defensivo, que possam vir a substituir jogadores já com alguma antiguidade como Sol Campbell, Ferdinand, Neville, Ledley King e Carragher. No meio campo, Gerrard e Lampard ainda terão seguramente muito tempo para representar o seu país, há também Carrick, Hargreaves e pouco mais.
Com isto não se pode dizer para já que há falta de jogadores, contudo comparando com outras selecções,a longo prazo, e com as circunstâncias referidas, poderá vir a haver alguma míngua em alguns sectores específicos. A Alemanha passou por algo semelhante em 2000, mas aí devido a um certo retardamento numa renovação que já se impunha há algum tempo.
Um outro aspecto, porventura ainda mais pertinente, é o facto de hoje em dia não haver um treinador inglês de referência. Longe vão os tempos de Paisley; Brian Clough; Alf Ramsey ou Bobby Robson – curiosamente apenas os dois últimos foram seleccionadores nacionais. Na realidade qualquer um destes nomes está inscrito nas páginas douradas do futebol inglês, com títulos conquistados dentro e fora de portas do país de sua majestade. Actualmente, os principais clubes ingleses estão a ser orientados por treinadores estrangeiros. Sven Goran Eriksson, foi o primeiro seleccionador estrangeiro a estar à frente da selecção de um país conservador nos hábitos e também no futebol, porém, a sua chegada à selecção nunca foi bem vista pela inenarrável imprensa inglesa, tendo o treinador sueco sido alvo das maiores tropelias, como especulações fabricadas em torno da sua vida privada, e até mesmo de estratagemas com o objectivo de pôr o seu nome em causa, tendo acabado por ser injustamente afastado do cargo, em função de duas eliminações através da lotaria das penalidades, como todos os portugueses, bem, se recordam.
Agora após o afastamento de Steve Mc Laren, os nomes que têm surgido, são, precisamente de treinadores estrangeiros, José Mourinho, Luís Filipe Scolari e o Norte-Irlandês, Martin O`Neill, actual treinador do Aston Villa que antes de rumar a Inglaterra, esteve seis épocas ao serviço do Celtic de Glasgow. Seja quem for, seguramente terá árduo trabalho pela frente.
Obrigado Scolari!

Há por cá, no pequeno país com a mania das grandezas, quem continue, de forma descabida e até patética a achar que temos a melhor equipa e os melhores jogadores do mundo e que como tal teríamos que "esmagar" todos os adversários...
Eu cá para mim penso é que existe muita ignorância e também muita azia. São os ódios de estimação...
Lembro-me bem do tempo das vitórias morais, do tempo em que nos jogos decisivos a selecção portuguesa realizava exibições deslumbrantes, mas falhava...
Neste momento o que conta são os factos e esses indicam-nos que em termos de resultados a selecção portuguesa nunca fez melhor, sobretudo atendendo ao curto período em causa. São três apuramentos consecutivos, não obstante o primeiro deles ter decorrido do facto de sermos o país organizador. Pelo meio, um segundo lugar no Europeu de 2004 e um quarto lugar no mundial de 2006. Realmente, o que querem mais?
Scolari tem todo o mérito nestes feitos e merece da parte de todos nós um enorme "muito obrigado".
Wednesday, November 14, 2007
Raúl Tamudo: Uma vida de golos dedicada ao Espanyol

"Este clube tem sido a minha vida e é a melhor coisa que pode acontecer a um jogador saído das camadas jovens".
Raúl Tamudo
Raúl Tamudo é um daqueles jogadores que nunca representou um clube proporcional à sua dimensão como futebolista, facto que causa alguma estranheza. Também no que respeita a representar o seu país, o jogador tem o módico registo de apenas 12 internacionalizações pela selecção principal do país vizinho. Foi em Agosto de 2000 que se estreou na selecção espanhola, lançado por José António Camacho. Recentemente convocado por Luís Aragonés, Tamudo foi lesto em justificar a decisão do seleccionador, pois apontou o primeiro golo frente à selecção dinamarquesa, em jogo da fase de qualificação para o Euro 2008, jogo que a selecção espanhola viria a vencer por 2-1.
Raúl Tamudo formou-se como jogador no clube que representou desde sempre, desde a época 1996/1997, sendo que pelo meio houve um curto interregno de empréstimos a Lleida e Alavés nas épocas 1997/1998 e 1998/1999. Recentemente, consagrou-se como o maior goleador da história do RCD Espanyol, ultrapassando Rafa Marañón. Os golos que igualaram e superaram o anterior registo (111 e 112, respectivamente), foram apontados, curiosamente, em Camp Nou, frente ao rival Barcelona, clube que - diz-se - o terá rejeitado no início da sua carreira. Esses dois golos acabaram por impedir o colosso catalão de conseguir o título espanhol em 2006/2007.
O mundo do futebol tem destas coisas estranhas. Este "mortífero" goleador apenas ostenta duas Copas do Rey, uma Copa da Catalunha e uma medalha de prata dos jogos olímpicos de 2001 em Sidney. Não se sabe se a sua "sala de troféus" se ficará por aqui, a única certeza que se pode ter é a de que Tamudo, para já, continuará a beijar o emblema do seu Espanyol - forma de celebrar os golos que marca semana após semana na liga espanhola.
Monday, November 05, 2007
"Liedshow"
Dunga não poderá deixar de chamar Liedson para representar o escrete...
Há quem argumente que os jogadores brasileiros que actuam na liga portuguesa não são alvo de atenção no Brasil. Assume-se facilmente a parca qualidade da nossa liga, mas Afonso Alves joga na liga holandesa e Wagner Love na liga russa! Na minha opinião o "levezinho" não lhes deve nada em termos de qualidade futebolística.
Saturday, November 03, 2007
inoportunidades...
Alexandre Pereira, Jornal A Bola, 1 de Novembro 2007
Tuesday, October 30, 2007
Adenda ao post anterior
Rigor
Monday, October 29, 2007
Beto Acosta (Náutico)

Wednesday, October 24, 2007
Red Bull Boavista?


Wednesday, October 10, 2007
Leituras
"O comportamento de quem dirige o futebol do clube está a fazer lembrar outros tempos e outras práticas. Na realidade, traduz-se numa inaceitável pressão sobre os árbitros, que obviamente os condiciona e cria terreno propício a mais erros."
Falta seguida de falta… não é falta (João Querido Manha, zonadeataque.blogs.iol.pt, 2007/10/08)
Benfica em construção
A ânsia de marcar um golo para evitar uma derrota que se adivinhava, era grande e isso sentia-se em cada milímetro de relvado e, já agora de bancada. Era já a fase em que o coração se sobrepunha à razão.
O Benfica está em construção, é esta a mensagem que o treinador espanhol está a transmitir desde que pegou na equipa encarnada.
Há quem estranhe o facto da reacção às críticas por parte do treinador espanhol conter tons críticos e irónicos, tendo em conta que é a sua segunda passagem pelo clube e como tal deveria conhecer a realidade que envolve o mesmo. Não tem nada de estranho. O Benfica, como qualquer grande clube tem essa sina, seja em que circunstância for. De qualquer maneira, a pressão agora tem uma dimensão muito maior. Camacho quando chegou ao Benfica, encontrou um clube depauperado, humilhado, cabisbaixo, com poucos recursos. Foi ele um dos obreiros do início da recuperação do clube. Naturalmente que adeptos e comunicação social souberam sempre dar um certo desconto relativamente a resultados menos conseguidos. Apesar de tudo, terá existido uma maior paciência por parte dos adeptos e também uma maior benevolência por parte da imprensa.
Hoje é totalmente diferente. Depois de Camacho, o Benfica tem-se vindo a aproximar cada vez mais do seu estatuto, com resultados internos e também no plano internacional.
O forte investimento feito esta época, associado a um discurso arrojado, e porventura, algo desmedido, por parte do presidente Luís Filipe Vieira, conduziram a um, também ele desmedido, estado de espírito na massa adepta do clube. A imprensa, já se sabe, centra-se sobretudo nas questões tácticas e no investimento dispendido em algumas onerosas contratações.
A única certeza que neste momento existe é a de que o Benfica é uma equipa em construção. Camacho ainda anda a “apalpar terreno”, quer a nível de conhecer os recursos que tem ao seu dispor, quer a nível táctico também.
Seria importante que Luís Filipe Vieira, o principal responsável pela situação, viesse clarificar isto junto dos associados e adeptos do clube da Luz.
Wednesday, October 03, 2007
Leituras
"A arbitragem submetida a meios electrónicos e audiovisuais seria altamente discriminatória para os clubes com mais exposição e interesse mediático e não seria aplicável em 99% dos campos de futebol. A solução passa pelo reforço do número de árbitros auxiliares."
Monday, October 01, 2007
O queixume do costume
Na verdade, uma decisão que na perspectiva dos leões, penalize injustamente o clube desencadeia sempre uma convulsão que é capaz de durar uma época inteira. Tem sido assim esta época com o lance do dragão ocorrido à segunda jornada, e agora após o derby da Luz, Paulo Bento falou em vergonha e dirigiu mais uns quantos mimos aos árbitros e suas estruturas organizativas. Tudo isto roça o ridículo quando pensamos que ainda na penúltima jornada o clube de Alvalade foi objectivamente beneficiado com uma decisão da equipa de arbitragem, quando esta não assinalou uma grande penalidade (daquelas que não suscitam dúvidas nem discussão) a favor do Vitória de Setúbal. Nesse caso onde terá parado a vergonha? E existem muitos outros exemplos em que o Sporting saiu beneficiado, e na sequência dos quais, o silêncio ou o assobio para o lado foi a nota dominante por parte do clube de Alvalade. E desengane-se quem pense que este facto é algo de agora ou dos últimos anos. De facto esta idiossincrasia está inscrita no código genético da instituição. Nascido em berço de ouro, e como tal com tiques de fidalgo que espera sempre obter graça de outrem, o clube fundado pelo Visconde de Alvalade, desde muito cedo foi pródigo em manifestações de indignação sempre que os seus responsáveis entendiam que estariam a ser prejudicados. Foi assim no campeonato de Lisboa - época 1910/1911, em que os leões tiveram uma falta de comparência por alegadamente terem sido prejudicados num fora-de-jogo, precisamente num jogo frente ao Benfica. Nos primeiros passos do futebol lisboeta, dominados pelo popular Benfica, o Sporting sempre fez uso da sua maior riqueza material e influência para contestar tudo o que não lhe corria da forma que esperava.*
Houve um outro episódio interessante e pitoresco, que também encerra paralelismo com a actualidade, ocorreu num torneio lisboeta, em 1907 – ano em que o clube do Visconde de Alvalade conhecia a sua fase de expansão, quer em termos de infra-estruturas, quer ao nível da sua equipa de futebol, fruto da debandada de jogadores do Sport Lisboa (cerca de um ano mais tarde, Sport Lisboa e Benfica). Reza a história que num encontro frente ao Cruz Negra, após um remate de um jogador leonino a bola tabelou numa das árvores plantadas em redor do recinto de jogo, sendo depois devolvida para um remate que viria a resultar no golo dos sportinguistas. A comunicação que o clube mais tarde produziu em resposta a toda a polémica e discussão que naturalmente este lance provocou, foi a seguinte: «1º - O referee não apitou e, como tal, o jogo devia continuar; 2º - Em igualdade de circunstâncias, quando a bola bateu nas árvores do lado do campo, caindo na volta dentro do jogo, não era considerada fora.»*
Estes episódios pertencem a um passado longínquo, são história, contudo, esta não serve apenas para interpretar as acções passadas. A história também nos dá um enorme contributo para a análise e interpretação do presente.
Se o Sporting por vezes é prejudicado, também há outras em que é beneficiado, e não faz sentido algum assumir veementemente a postura moralista e de arauto da verdade desportiva na primeira situação, se na segunda se fala “baixinho” ou nem isso…
*Homero Serpa, História do Desporto em Portugal – Do Século XIX à Primeira Guerra Mundial, Instituto Piaget, Lisboa, 2007
Tuesday, September 18, 2007
Fantasy football - UEFA Champions League
Este é o meu onze para esta primeira jornada. Criei também uma liga privada para a qual convido desde já, quem quiser aderir à mesma a fazê-lo. Não esquecendo que o prazo para inscrever equipas para esta jornada termina hoje.
Código de acesso à liga: 119977 - 22775

Monday, September 17, 2007
Adeus campeão
Thursday, September 13, 2007
Aditamento - ainda sobre o sucedido em Alvalade
Luís Filipe Scolari assumiu publicamente o seu acto, e sobretudo, pediu desculpa a todos.
Não fico indiferente a esta tomada de posição do seleccionador nacional, na medida em que o aspecto mais grave foi, na minha opinião, a não assunção do acto na conferência de imprensa, não assunção essa que constituía uma profunda e descarada falta de respeito relativamente a quem viu clara e objectivamente as imagens transmitidas pela televisão.
Uma das coisas que mais lamento é o facto de saber que a esta hora estão os anti-scolaristas a rejubilar com o sucedido, e pior ainda é constatar que foi o próprio Scolari a promover essa situação, pois o que se passou foi demasiado grave.
Repito, a retratação pública de Scolari deve servir de atenuante, não tenho dúvidas disso, bem como não tenho dúvidas do mérito indiscutível de Scolari no que respeita a resultados e não só...
Portugal tem que estar agradecido a um homem que conseguiu pôr ordem numa casa desregrada e que conseguiu ser vice-campeão europeu e 4º classificado num mundial. Obviamente que o que se passou ontem não pode "beliscar" de forma alguma estes feitos. Contudo também todos sabemos que o que se passou não pode passar em claro e seguramente virão aí consequências que, sublinhe-se, se impõem. Há outros casos no passado das nossas selecções que nem vale a pena estarem agora a ser recordados, e não pode de maneira alguma, haver dois pesos e duas medidas para situações desta natureza.
Agora mais a frio (também eu!), reconsidero o que escrevi no post anterior quando afirmo a obrigatoriedade do afastamento do seleccionador nacional. Penso que a atitude tomada durante o dia de hoje tem que ser valorizada.
Neste momento há duas correntes de opinião, ambas radicais e as quais não devem ser levadas em consideração. Uma tenta branquear o sucedido, a outra rejubila com a "crucificação" de Scolari.
Exige-se alguma razoabilidade e sobretudo agora é necessário dar tempo para deixar actuar os organismos competentes.
Wednesday, September 12, 2007
O fim de um ciclo

Tuesday, September 04, 2007
O trio da comédia
Momentos da última edição do programa:
"Sabes o que é um losango?" - pergunta de Rui Oliveira e Costa para Rui Moreira.
E o que dizer da fantástica verdade de La Palisse, do mesmo Rui Oliveira e Costa: "o 4x2x3x1 é o sistema, para mim, mais equilibrado do futebol". Sistema táctico, que segundo o dito comentador, foi introduzido em Portugal por Marinho Peres...
Thursday, August 30, 2007
O Enorme "Petit"

Petit não é um Simão ou um Miccoli, não é daqueles jogadores que com uma finta são capazes de levantar um estádio, contudo, Petit é um dos jogadores do actual plantel benfiquista que encarna bem aquilo que constitui grande parte da história do clube encarnado: garra, trabalho, combatividade, agressividade e espírito de sacrifício.
SL Benfica na Liga dos campeões

Wednesday, August 29, 2007
Sobre EdCarlos
Nos últimos dias chegaram dois internacionais uruguaios Maxi Pereira e Cristian Rodriguez. Sobre o primeiro pouco se sabe. Do segundo, o Youtube dá a ajuda possível...
Mas como o problema "central" é mesmo esse (defesas centrais), devido à onda de lesões que fustigou todos os jogadores encarnados que actuam nessa posição, lembrei-me de pedir ajuda - informação avalizada - sobre a outra recente entrada no plantel benfiquista, o central EdCarlos.
Nesse sentido, desde já, endereço os meus maiores agradecimentos pela atenção concedida a todo o pessoal do Na Cal, em em particular ao Sidarta, um sãopaulino que tratou de operacionalizar tudo.

Assim sendo, deixo aqui o link para o post que contém um conjunto de opiniões acerca do "zagueiro" brasileiro.
http://nacal.blogspot.com/2007/08/adeus-edcarlos.html
Saturday, August 25, 2007
A pré-época do Benfica começou hoje...

Thursday, August 23, 2007
Derlei e a hipérbole do golo...
Muito do que se tem dito de Derlei nos últimos dias é uma tremenda desonestidade, quer para com o público do futebol, mas sobretudo para com o próprio jogador.
Derlei continua no Sporting a ser o mesmo Derlei do Benfica, só não me atrevo a dizer que é o mesmo Derlei do FC Porto, porque admito que o tempo que distou desse período até agora seja suficiente para que, por uma diversidade de razoes, o seu desempenho se tenha alterado um pouco.
De resto, o jogador continua a trabalhar de forma incansável durante o tempo que permanece em campo, móvel, sempre em busca do espaço vazio, no jogo sem bola, no trabalho defensivo…
A única diferença foi uma bola que, em vez embater no poste ou passar perto dele, foi parar direitinha ao fundo das redes, e logo no primeiro jogo da liga…
Benfica: O fim do losango?

As opções em termos de sistema, parecem assentar no 4x3x3 e no 4x4x2 clássico. Não é de estranhar, na medida em que foram exactamente nessas duas estruturas tácticas que o espanhol trabalhou na anterior passagem pela Luz.
Não querendo entrar em deambulações teóricas sobre táctica, é imperativo referir que este plantel foi concebido com o losango no horizonte, relegando todas as outras alternativas – fundamentalmente o 4x3x3 – para estatuto de “plano B”. Não é difícil aferir isto. A não ser que, e tendo em conta que o “extremo puro” também é espécie em vias de extinção no futebol actual, a opção seja a de um 4x3x3 “à Barcelona” em que a última linha é composta por um avançado centro e dois médios ofensivos com maior vocação e/ou apetência para actuar em posições mais centrais, encostados às faixas laterais (Messi e Ronaldinho), que no caso do Benfica bem poderiam ser Adu e Dí Maria. Excepção feita a Coentrão e Luís Filipe – estes, sim, opções mais naturais para ocuparem as faixas laterais no referido sistema.
Relativamente ao 4x4x2 clássico, o problema das alas persiste e junta-se-lhe ainda o desaproveitamento daquele, que por razões não apenas tácticas, mas sobretudo técnicas e psicológicas, se antevê como peça imprescindível nesta equipa. Falamos de Rui Costa, naturalmente.
Todas estas questões vão ser, em breve, apreciadas e aprofundadas.
Aguardemos.
Wednesday, August 22, 2007
Perplexidades

Admito que é um jogador que possui características específicas que no caso da posição que ocupa se tornam fundamentais, sobretudo para a aplicabilidade de um modelo de jogo que muitos afirmam ser o modelo de um futebol “moderno”.
No entanto, sou capaz em fracções de segundo de me lembrar de três, quatro jogadores com as mesmas capacidades e mais algumas, como por exemplo, e se o argumento for a juventude: Vincent Kompany (Hamburgo) e Micah Richards (Manchester City). Mas há muitos mais…
Se houve transferência neste defeso que me surpreendeu, foi a de Pepe, por razão dos valores envolvidos, apesar de o clube comprador ter sido o megalómano e inconsciente Real Madrid, que acabara de em nome do “bom futebol” despedir um dos treinadores mais vencedores do mundo e que acabara de se sagrar campeão espanhol, para contratar um debutante que tem passado por clubes de segunda e terceira linha no país vizinho.
Mas não sou ingénuo e sei o poder que têm certos empresários para promover ou despromover este ou aquele jogador, consoante os respectivos interesses.
No entanto apesar de tudo, sempre dei o benefício da dúvida, pois quem sou eu para desmentir o mundo inteiro? Mas, eis que assistimos a um confrangedor início de época, quer para Pepe, quer para o seu actual clube, e eis que também ainda não se ouviu ou leu uma palavra substantiva acerca deste facto, por parte de quem durante época e meia em Portugal colocou o jogador no mais elevado pedestal, pior que isso, leio na imprensa desportiva que Pepe é futuro jogador da selecção nacional…
Tuesday, August 21, 2007
Taxativo
Monday, August 20, 2007
Fernando Santos: O óbvio culpado!?

Começando pelo Benfica, é de referir que o início de época dificilmente poderia ser pior.
Hoje provavelmente mais de metade da nação benfiquista rejubila com duas notícias: saída de Fernando Santos e regresso de Camacho. Como benfiquista não sinto a menor vontade de rejubilar com o que quer que seja, no entanto não me apetece opinar nessa qualidade, opto sim, por fazê-lo na qualidade de adepto da modalidade que tem as suas opiniões e ideias – pelo menos vou tentar!
Fernando Santos, para além de nunca ter tido o apoio da esmagadora maioria dos sócios e adeptos desde o primeiro dia em que entrou no Benfica, também se confrontou com um conjunto de dificuldades às quais foi alheio e que resultaram numa época de insucesso para um clube como o Benfica a quem são exigidos títulos. Escusado será recordar a “balbúrdia” vivida no início da época passada e que na minha opinião condicionou toda a época, de forma determinante.
Este ano, nova trapalhada na pré-época. Simão Sabrosa sai definitivamente, numa altura já adiantada dos trabalhos. Juntando-se-lhe os casos de Anderson e Manuel Fernandes – este último caso classifico-o de inadmissível no que respeita a um clube com a dimensão do Benfica. Muita ingenuidade no que respeita à gestão do caso do jovem jogador, quer por parte do treinador, mas sobretudo por parte da estrutura directiva. Somando a isto tudo, a catadupa de lesões que atacou o plantel, temos um autêntico “cocktail molotov” que acabou por rebentar nas mãos do Engenheiro.
Em termos técnicos e tácticos, Fernando Santos quis impor as suas ideias e mudou de forma significativa o futebol da equipa encarnada face ao estilo que a caracterizara nos últimos anos, antes da sua chegada à Luz. E isso também não foi, naturalmente, um processo simples. Pessoalmente, não me recordo da última época em que o Benfica foi invencível para as provas nacionais em sua casa, antes da época anterior. A única derrota ocorreu frente a um “encolhido” Manchester United que se limitou a tentar controlar o jogo e que o venceu num golpe de contra-ataque, já ao cair do pano. Vi muitas vezes, durante a época transacta, exibições de bom nível da equipa – mais ofensiva, mais pressionante, muito diferente – para melhor, nesse sentido – do que se vira com Trapattoni ou Koeman. No que respeita a resultados, falhou, é certo, mas o título nacional decidiu-se na última jornada numa situação inédita em que qualquer dos três grandes poderia ainda alcançá-lo.
Não vou fazer grandes considerações acerca da saída de Fernando Santos. Apenas me apraz dizer que me parece óbvio o desfasamento entre o discurso da direcção, face ao sucedido no dia de hoje. Excepção feita, naturalmente, ao episódio do "pesadelo" no qual pareceu ter existido uma subliminar mensagem...
Chega agora José António Camacho, por quem muitos benfiquistas suspiraram desde que abandonou o clube para abraçar o seu Real Madrid…
Tuesday, July 31, 2007
As férias terminaram, a "silly season" está quase...
Thursday, June 21, 2007
Recorra-se à justiça italiana...
A sexta copa para o clube de "los descamisados" e a terceira para Riquelme

Tuesday, June 19, 2007
FUCK HIM

Isto tudo a propósito da recente OPA feita pelo empresário Joe Berardo ao meu clube do coração.
Em conversa há uns meses com um amigo sportinguista na qual debatíamos as realidades económicas dos nossos clubes, e estando eu a enaltecer o bom trabalho levado a cabo a esse nível pela actual direcção, respondia-me ele: “ Se o Benfica estivesse assim tão bem já estaria cotado em bolsa”. Na altura fiz-lhe ver que o Benfica cotado em bolsa estaria sujeito, com muito mais facilidade que outros clubes portugueses, a investidas como a que se verifica agora, e de natureza diferente, isto é, aquilo que Berardo disse não ser o seu caso – o de uma investida hostil.
Assim que li as primeiras notícias acerca da operação financeira fiquei, naturalmente apreensivo. Esse sentimento foi-se desvanecendo à medida que me fui inteirando de todos os detalhes e que me apercebi que o clube não corria o risco de ficar nas mãos do magnata. Aliás foi o próprio que em entrevista reiterou isso tudo.
Li e reli as inúmeras opiniões que foram sendo dadas pelos especialistas em matéria económica e fui-me tranquilizando ainda mais. Tentei colocar de lado a emoção (difícil) e puxei da razão para pensar nos eventuais benefícios que esta operação poderia acarretar. Uma das teses que mais me convenceu foi a de que esta OPA serviria também para prevenção de outras operações similares mas com outros intuitos, designadamente de carácter hostil. Sabe-se o interesse que o Benfica desperta a vários níveis, por exemplo, o maná que representa em termos de audiência televisiva e sabendo-se do interesse que Joaquim Oliveira tem em não perder esse mesmo maná, a que não será alheio o facto de ser um dos accionistas detendo 4% das acções B, esta OPA seria um sério“aviso à navegação”. Para além disso, o facto de Berardo assumir não querer ficar dono do clube e pretender ajudar o Benfica, avançando mesmo com a ideia de criar um fundo de investimento para a compra de jogadores, também ajudou a aliviar a tensão em torno do assunto e a que se olhasse com melhores olhos para a situação.
O ataque a um dos maiores símbolos de sempre do Benfica e do futebol português revelam que afinal, Berardo não parece – tal como havia dito – assim tão desinteressado em intervir nos destinos do clube.
Outra coisa não menos importante é a demonstração cabal de que Berardo, de futebol percebe muito pouco, pois esquece-se que o actual campeão europeu de clubes tem um plantel composto por muitos jogadores com idades acima dos 30 anos – os 19 jogadores convocados para a final da Liga dos campeões tinham uma média de 32,37 anos. Relembre-se também a pressão feita por Moratti (que percebe mais de futebol que Berardo) para que Luís Figo (34 anos) jogasse mais uma época no Inter.
Nem vale a pena dizer tudo o que Rui Costa representa para qualquer bom benfiquista. Para além disso, Rui Costa é também o paradigma de valores que se foram extinguindo com a actual mercantilização do futebol, se calhar por isso é que Berardo, um mercantilista nato, se lembrou de afirmar tamanha boçalidade.
Disse Berardo que se Rui Costa quisesse ajudar teria vindo para o Benfica com 25 anos. É necessário recordar que Rui Costa foi vendido numa fase complicada na vida do clube, a fase embrião do que viria a ser o período mais dramático da vida do Benfica. E refira-se que ainda assim, das várias alternativas que existiam, Rui Costa optou por aquela que melhor serviu os interesses do Benfica, em detrimento dos seus próprios interesses. Na altura a Fiorentina vivia os seus tempos de grande ostentação e oferecia muito mais que o Barcelona pelo passe de Rui Costa. Evidentemente que Rui no Barcelona teria tido uma projecção muito mais consentânea com o seu real valor, mas escolheu o clube italiano e o Benfica ficou a ganhar. Apetece perguntar a Berardo o seguinte: se ele quer tanto ajudar o Benfica, por onde andou ele durante a década horribilis do clube? Ai não sabe? Andou a fazer pela sua vida tal como Rui Costa? Então Fuck him.
Monday, June 18, 2007
Mais futebol e política: A antítese de Lucarelli

Friday, June 15, 2007
Cristiano Lucarelli: Futebol, política e golos

Época – 05-06 – 36 jogos – 19 golos
Época – 06-07 – 34 jogos – 20 golos
“A política está em todas as coisas, inclusive na minha camisola”.
A frase é de Cristiano Lucarelli, um dos melhores pontas de lança do Calcio.
A cidade de Livorno, situa-se na região da Toscana, a 86 km de Florença, onde Antonio Gramsci fundou o Partido Comunista Italiano em 1921. O seu clube de futebol mais representativo é o A.S. Livorno Cálcio onde actua Cristiano Lucarelli, conhecido por ter uma massa adepta profundamente associada ao ideário socialista, sendo que o possante avançado italiano é um assumido partidário desses mesmos ideais. São conhecidos os duelos travados nas bancadas entre as claques do Livorno e por exemplo as da S.S. Lazio – conhecida pelo carácter fascista das suas claques.
Lucarelli, enquanto futebolista e concretamente, enquanto ponta de lança, dispensa apresentações, pelo menos para os mais atentos ao Calcio. Para os menos familiarizados com o futebol italiano, basta olhar para os números apresentados atrás.
Mas a popularidade do goleador não se limita às suas capacidades futebolísticas. Lucarelli é um símbolo do clube e da cidade toscana, tendo inclusive já rejeitado convites de clubes maiores por causa das suas convicções políticas.
Cristiano Lucarelli que costuma comemorar os seus golos com o braço erguido e punho fechado foi um dos fundadores da claque organizada do Livorno, as BAL (Brigadas Autónomas Livornesas).
Lucarelli, o futebolista que disse que “há jogadores que com um bilião de dólares compram iates e ferraris, mas que ele, simplesmente compraria a camisola do Livorno”, é apontado como alvo do Benfica para a próxima temporada. Sem dúvida que seria um excelente reforço para o clube da Luz.
Tuesday, June 12, 2007
Nuestros hermanos fazem-no às claras...
Já ouve cá no nosso burgo quem se indignasse com insinuações de que se faziam coisas destas.
Por cá é "às escuras" para não variar...
Monday, May 28, 2007
Taça de Portugal e algumas notas soltas
Uma palavra para o Belenenses que fez uma época muito boa também, sobretudo se atentarmos para o facto de no início da época não se saber se o clube do Restelo iria disputar a primeira liga ou a liga de honra. Ontem qualquer uma das equipas poderia ter vencido o jogo o que só dignifica os “azuis”. Houve momentos de domínio por parte de uma e outra equipa. Em suma, foi um jogo equilibrado. É certo que o Sporting, estruturalmente, foi igual ao que tem sido durante a época inteira, cabendo ao Belenenses uma postura eventualmente mais calculista. Os azuis souberam segurar os ímpetos ofensivos do Sporting, designadamente através de uma estratégia que assentava no povoamento do meio campo com uma permanente acção de preenchimento dos espaços “vitais” do jogo ofensivo leonino. Na altura certa, Jesus alterou a estrutura – passou do 4-2-3-1 para um 4-4-2 semelhante ao dispositivo sportinguista – aí o clube da cruz de Cristo empurrou o adversário para o seu reduto, criando alguns momentos aflitivos para os leões, no entanto, foi imediatamente a seguir a esse assédio azul que o Sporting marcou o golo da vitória – construído pelo corredor esquerdo do seu ataque, zona de acção do lateral direito “belenense” que estava então fora do jogo a ser assistido.
Brevemente escreverei umas ideias acerca da época finda (por falta de tempo ainda não o fiz).
No entanto, aproveito a deixa para tecer algumas considerações acerca das épocas dos dois finalistas.
O Sporting como comecei por referir acabou por arrecadar um justo prémio com a conquista da taça de Portugal. Foi uma equipa consistente, excepção feita ao período a seguir à paragem de Natal em que teve alguns jogos sem conhecer o sabor da vitória. Contudo, nesta recta final regressou ao ritmo do início da época e arrancou para uma série de vitórias consecutivas que o deixou a um ponto do título – ficou como imagem de marca os seis jogos consecutivos a marcar nos instantes iniciais. É um justo prémio também para Paulo Bento, sem dúvida o grande artífice do trabalho que tem vindo a ser feito no clube de Alvalade. Recorde-se que Paulo Bento foi inicialmente contratado como “treinador de recurso” após a dramática época 2004-2005 e consequente despedimento de José Peseiro. Sem dinheiro para reforços, a Paulo Bento foram-lhe concedidos os jovens oriundos dos escalões jovens do clube, o que, não obstante serem jogadores com qualidade não deixam contudo de deter a sua natural dose de inexperiência e outras vicissitudes para poderem enfrentar o nível competitivo da primeira liga e as diversas pressões associadas. No entanto, Paulo Bento acabou por saber tirar o máximo proveito desta equipa, sabendo gerir determinadas situações complicadas, que poderiam tornar-se ainda mais complexas, caso ele não tivesse tomado as decisões correctas nas alturas certas.
O Belenenses fez uma época que se pode considerar brilhante. Acabou em 5º lugar no campeonato conquistando um lugar nas provas europeias e chegou à final do Jamor. Pedir mais era complicado, senão mesmo impossível.
Mérito seja dado também a Jorge Jesus. Um reconhecido estudioso do jogo. Metódico e estratega seriam outros adjectivos que assentariam bem no treinador da equipa do Restelo.
As suas equipas têm sempre a sua marca. Este Belenenses também a tem – equipa organizada e forte do ponto de vista táctico, não é à toa que se ouve permanentemente a palavra “táctica” e suas derivadas nos discursos de Jorge Jesus.



O campeão e uma reflexão...
Contudo, esta constatação não invalida que se façam algumas reflexões.
O F.C. Porto não foi uma equipa equilibrada. Nem sempre mostrou um futebol organizado nem tampouco atraente. Foram muitas as manifestações de apreensão feitas por alguns dos seus mais mediáticos adeptos, o que não deixa de ser sintomático.
Se a primeira volta correu bem à equipa portista, já o mesmo não se poderá dizer da segunda metade do campeonato. Ficam as questões: Durante a primeira volta a equipa ainda estaria “formatada” pelas ideias (arrojadas) de Adriaanse? Na segunda volta do campeonato presume-se que as ideias de Jesualdo terão ficado consolidadas, pelo que se impõe a dúvida acerca das reais potencialidades da equipa portista.
Veremos se para o ano se desfaz a dúvida…
Thursday, May 10, 2007
Mauro Zarate (Vélez Sarsfield)

Saturday, May 05, 2007
AC Milan - Liverpool FC: na final com mérito


Tem-se afirmado que os dois finalistas beneficiaram de melhores índices físicos que os seus opositores, pelo facto de se encontrarem arredados da disputa de outros títulos. É verdade que nestas meias-finais caíram as duas equipas que se mantêm noutras “guerras”, contudo explicar tudo por aí, parece-me algo redutor, e quiçá, uma espécie de "desculpa" em função do favoritismo apontado ao Chelsea e ao United.
Já no que respeita à outra meia-final, parece-me indiscutível que no conjunto dos dois jogos, a superioridade do AC Milan foi demasiado evidente, de forma ainda mais acentuada no jogo de S. Siro. A forte consistência táctica, consubstanciada na eficaz ocupação dos espaços e na capacidade de saber subir ou recuar o bloco, consoante as circunstâncias do jogo, aliada à enorme fluidez e objectividade na circulação de bola, fazem do Milan um meritório finalista desta edição da Liga dos Campeões. E refira-se que não foi apenas na eliminatória frente ao Manchester United que a equipa italiana apresentou os referidos predicados. E claro, a experiência de muitos dos jogadores rossoneri é também factor a ter em conta.
Thursday, May 03, 2007
Entretanto, do outro lado do Atlântico...

Wednesday, May 02, 2007
Serenata à chuva em S. Siro

O AC Milan atinge a sua terceira final europeia em cinco anos – a 11ª do seu historial.
Calculo que hoje, muitos anti-calcio estejam a remoer o que se passou em S. Siro e estou muito curioso para ler e ouvir opiniões. Será que alguém será capaz de falar em futebol defensivo, cínico e outras coisas que tais? Estou em crer que tamanho despropósito não irá ocorrer…
De facto a equipa italiana vulgarizou a equipa inglesa de forma absolutamente avassaladora. O semblante de Ferguson no banco era sintomático. Incapaz, porque impotente para tal, o treinador escocês não alterou praticamente nada na sua equipa, sendo que quando o fez (abdicou de um defesa, passando a equipa a jogar com uma linha de três defesas) foi já na recta final do jogo, e aí o Milan deu a “machadada” final.
Durante toda a primeira parte do jogo apenas se jogou no meio campo inglês. O Milan através de uma pressão alta e de uma posse e circulação de bola verdadeiramente estonteante, encostou o Manchester ao seu reduto defensivo que sem ideias e capacidade para contrariar o seu opositor, raramente de lá conseguiu sair.
Na segunda parte, foi quase, mais do mesmo, não obstante o Milan ter arrefecido um pouco mais o jogo, recuando um pouco as suas linhas – normal quando se tem uma vantagem de 2-0 e ainda se poderia sofrer um golo que a passagem não ficaria comprometida. Na primeira linha do meio campo, Ambrosini à esquerda e Gattuso na direita ajudavam os laterais a fechar os corredores – referência do jogo ofensivo da equipa inglesa. Contudo não se pense que o Milan abdicou do seu jogo ofensivo, nada disso, sempre que ganhava a bola, e foram inúmeras as recuperações da mesma efectuadas a meio campo, imediatamente ela circulava pelos jogadores rossoneri com uma precisão quase geométrica, sempre com o objectivo da progressão até à grande área do Manchester.
Outro embate “fabricado” pelos media foi o de existir outro jogo dentro do próprio jogo – o de Káká contra Ronaldo na luta pela obtenção de título de melhor jogador do mundo. Nesse particular, o brasileiro foi também sem qualquer dúvida, o grande vencedor. As suas acções em campo foram determinantes para o desfecho da eliminatória, sendo que Ronaldo foi inconsequente…
Em termos individuais, para além de káká, o outro destaque vai sem sombra de dúvidas para Gattuso. O que Káká tem em talento e criatividade, tem o italiano em garra e determinação.
Liverpool na final de Atenas

Monday, April 30, 2007
Mais uma conquista da "velha raposa"

Pode não ser muito apreciado, pode dizer-se o que se quiser sobre ele, mas há uma coisa que é inexorável: Trapattoni é actualmente o treinador que ostenta o maior número de títulos no velho continente - campeão em quatro países.
Friday, April 27, 2007
Taça Uefa: RCD Espanyol: em busca da reconciliação com a Europa

Este ano, a equipa da Catalunha, ainda não perdeu um jogo e detém o melhor ataque da prova. Ontem venceu no Olímpico de Montjuic, o Werder Bremen por 3-0.
Terá causado algum espanto a alguns, contudo para quem seguiu a eliminatória frente ao SL Benfica, o feito da equipa espanhola não constituirá surpresa significativa.
O RCD Espanyol chegou mesmo a vulgarizar o actual segundo classificado (a dois pontos do líder) da Bundesliga.
A equipa espanhola é muito forte nas transições ofensivas, normalmente executadas através de acções de ataque rápido e contra-ataque, sendo que no jogo de ontem juntou-lhe também, à semelhança do que aconteceu na Luz, uma grande segurança defensiva.
O quarteto defensivo composto por Torrejon, Jarque, David Garcia e De La Cruz, raramente arriscou subidas no terreno, mantendo sempre o equilíbrio defensivo com marcação à zona. No meio campo, ao centro, Moisés Hurtado em acções de cobertura defensiva e de recuperação de bola, e o grande cérebro de toda a equipa, Ivan de La Peña, mestre no último passe, que ontem deu um recital de bom futebol.
Uma palavra ainda para o Guarda-Redes Iraizoz, que ontem, também à semelhança do jogo de Lisboa, teve mais um desempenho muito seguro.