Friday, October 20, 2006

Quando a «zona» cede ao «homem»

Benfica - Barcelona da época passada. Ricardo Rocha foi destacado para marcar Ronaldinho Gaúcho. Foi notório durante – sobretudo a primeira parte do jogo – que sempre que a bola chegava aos pés do brasileiro, imediatamente Ricardo encostava nele, seguindo-o para onde quer que ele fosse. A actuação do central – adaptado a lateral nesse jogo – foi eficaz na primeira parte do jogo, em que Ronaldinho jogava do lado esquerdo do ataque da equipa catalã. Nos dias subsequentes ao jogo, acendeu-se uma interessante discussão sobre os méritos da marcação individual e da marcação à zona, identificada esta última como o método das equipas de top. Houve quem criticasse a opção de Ronald Koeman, e em última instância até a apontasse como uma das causas do insucesso da equipa encarnada nesse jogo…

Quem observou o Chelsea-Barcelona de quarta-feira, pôde facilmente constatar que o lateral direito, Boulahrouz (também ele central adaptado à posição) se ocupou fundamentalmente da marcação individual ao astro brasileiro, chegando mesmo a acompanhá-lo – pressionando-o - até ao meio campo contrário. Não deixa de ser curiosa esta constatação, sobretudo tendo em conta que se está a falar de uma equipa de top e também das que melhor interpreta, actualmente, os princípios da “zona”.

Não quero com isto, pôr em causa o axioma da defesa à zona como característica distintiva das grandes equipas, apenas me parece que pô-la em prática de forma absoluta, quando se defrontam equipas que contam nos seus quadros com jogadores cuja capacidade técnica os dota da capacidade de fazer coisas imprevisíveis, é um risco que não valerá a pena correr.

Argumentam os defensores do método defensivo da zona que essa é a melhor e até a única forma de uma equipa se manter coesa, manter o equilíbrio entre as suas linhas e desse modo poder controlar e até dominar um jogo. De acordo, no entanto, pô-lo em prática de forma absoluta, nas circunstâncias referidas atrás, é negar o factor individual do jogo, é negar, sem pôr em causa os imperativos colectivos, que existem jogadores cujo talento pode desequilibrar uma partida a qualquer momento. E o facto de ter existido essa marcação individual a Ronaldinho não fez com que a equipa do Chelsea se desequilibrasse em momento algum do referido jogo – prova disso foram as ténues oportunidades de perigo criadas junto da baliza de Hilário.

3 comments:

filipe said...

Não estou muito de acordo com a argumentação em favor da utilização de marcações individuais. Nada impede que uma equipa tenha especial atenção às caracteristicas de 1 jogador, actuando à zona. Admito que essa estratégia possa ser (muito) pontualmente utilizada, mas tendo sempre por base um objectivo colectivo - por exemplo, forçar constantemente o drible para depois aparecer uma dobra.
De resto, quanto mais evoluido tecnicamente for o jogador menos eficaz será uma marcação individual descontextualizada do resto da organização defensiva...

De todo o modo, parece-me uma boa discussão...

Paulo Santos said...

Também não alinho na argumentação em favor da marcação individual, apenas penso que são raras as equipas que defendem à zona que jogam sempre - independentemente do adversário e das circunstãncias - com esse método defensivo de forma plena.

Já vi grandes equipas - comummente designadas de top - a defenderem à zona, mas em algumas circunstãncias a juntarem-lhe algumas marcações individuais, ou se quisermos, a utilizarem a chamada "zona mista".

Pretendo escrever mais algumas coisas sobre o tema. Concretamente, sobre a forma como vejo o futebol português neste particular e ainda sobre os escalões de formação, onde sobre esta temática existe uma interessante discussão em torno do que será mais adequado. Desde já agradeço a participação.

Ponto Verde said...

A Escola da Corrupção de Luís Filipe Vieira e o triste fim de Vale e Azevedo em www.a-sul.blogspot.com