
As causas de uma das piores épocas de sempre do Sport Lisboa e Benfica são diversas, e distribuem-se por uma mão cheia de respectivos responsáveis. Assim a quente, e de repente, ocorrem-me duas. A parca flexibilidade táctica de Jorge Jesus, exímio na definição de um modelo que se revele profícuo e atractivo, mas sem capacidade para reagir a tempo no decurso dos jogos, quando estes não lhe correm de feição. A insistência na repetição do sistema táctico da época passada, sem ter todos os ingredientes necessários para que o mesmo seja bem sucedido. O permanente despovoamento do meio campo do Benfica – inexplicável, sobretudo, em jogos em que a equipa está em vantagem – foi sempre, ao longo de toda a época, um convite pleno às estocadas dos adversários, tendo dado até para humilhantes goleadas sofridas, já para não falar na medíocre fase de grupos na Liga dos Campeões - aquela que era para ganhar! Isto é tudo verdade, no entanto, como pano de fundo deste aspecto encontra-se um modelo de política e gestão desportiva que é totalmente desadequado para um clube com a dimensão do Benfica. E esse é da inteira responsabilidade de um indivíduo que de futebol percebe tanto, como eu percebo de física quântica. O presidente que antecipa eleições e blinda os estatutos do clube para que se perpetue, sem fim à vista, o seu inefável mandato, andou a passear-se pelo Brasil nesta altura tão crucial da época, provavelmente a desenvolver mais umas quantas negociatas à conta do Benfica. Este mandato que ele apelidou de desportivo, tem sido um enorme equívoco, e, acima de tudo, um verdadeiro manual de amadorismo. Momentos chave? São mais que muitos, e não me apetece escrever o maior
post deste blogue hoje. Mas, também de repente, lembro-me da despromoção do Director desportivo em pleno programa televisivo na época passada e a transferência total de funções e responsabilidades para o treinador, ou seja, a carta branca total dada a Jorge Jesus no que respeita à política desportiva do clube - uma política que contempla um plantel com 6 avançados e um defesa direito! Uma coisa que não deve acontecer em nenhum clube profissional, quanto mais num clube com a dimensão do Benfica.
Mas quando 90% dos sócios não consegue compreender isto, não se pode esperar que ainda vejam mais além…
Nota: imagem tirada do Eternobenfica.blogspot
8 comments:
Que exagero!
Só falta dizer que o presidente do Benfica é responsável pela parte física dos atletas (foi tão evidente essa lacuna neste final de época)...
Dylan, isto às vezes temos que somar parcelas. É verdade, a parte física, mas não explica tudo; achas mesmo que foi a parte física que nos deu esta época?! E se teve importância capital, mais uma vez temos que olhar para a coisa como um todo e não para as partes individualmente.
Carago, Paulo (desculpa, sou do norte),
Eu vejo os "porquistas" a jogarem com uma pujança física invejável sem fazerem descansar atletas...Como é possível?
Chama-se competência. Sim, o JJ teve outro problema (já tinha na época passada, este ano tornou-se gravoso com a melhoria das concorrências), que consiste na gestão do esforço. Quando o Benfica andava a jogar bem e a ganhar, JJ aos 80 minutos berrava da linha a mandar os jogadores arrancarem para inócuas goleadas...enquanto isso Villas-Boas doseava o esforço da sua equipa, eventualmente antecipando a recta final exigente - essa fase correspondeu à fase de menor fulgor do Porto, quando se dizia que eles não jogava nada...pois...
Paulo,
Então, pelo teu último comentário, talvez devas mudar a foto que está no topo do post. Esse sim, será o verdadeiro culpado, começando o descalabro ao despedir o Quim em directo na TV.
P. S. - Fizeste bem em limpar o excremento do passarinho de cima.:)
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