
O Sport Lisboa e Benfica é como a água, está sempre em constante renovação. A coisa já é um lugar-comum.
Desde a época 2005-2006, que os disparates vêm sucedendo a um ritmo frenético. Contudo, neste momento só há um adjectivo capaz de qualificar a situação do clube: caótico.
Oficialmente o clube tem contrato com um treinador que já sabe há cerca de um mês ou mais (ele e o mundo) que não irá terminar o seu vínculo contratual. Enquanto clube e treinador se vão tentando entender quanto ao valor da indemnização, já se sabe (também há muito tempo) quem irá ser o seu sucessor, que entretanto também continua ao serviço de outro clube, com o qual tem contrato em vigor. Pelo meio desta salganhada, também já se contrataram dois ou três jogadores, não se sabe é se foram contratados com o aval do treinador em exercício ou do treinador a exercitar, ou, mais ridículo ainda, se sequer tiveram aval de algum deles.
Até o já clássico “roubo” de contratação, perpetrado pelo clube ressentido do norte, teve lugar.
A situação financeira, após uma época de avultado investimento, e sem qualquer retorno em termos de resultados, obriga a vender uma ou mais jóias da coroa – fala-se em Luisão, Cardozo e Dí Maria…tiros no pé, portanto.
O presidente quer a demissão dos órgãos sociais para provocar eleições antecipadas e com isso minar as hipóteses dos seus adversários, salvaguardando o seu absolutismo obsessivo que é pródigo em delírios com abutres e conspiradores vindos de todos os lados e outros tiques autocráticos.
No que respeita à gestão do futebol do Benfica, em traços gerais, a situação objectiva e conhecida é esta. E isto é a balbúrdia total que se tem repetido época após época. É uma história interminável, tal como indica o título deste texto. A diferença é que o
Never Ending Story que foi um sucesso nas salas de cinema durante a década de 80 teve um final feliz, o mesmo não se poderá dizer desta história que o clube da Luz vai vivendo.
Naturalmente que deste quadro não se pode augurar nada de bom, nem sequer razoável. Mas atenção, parece que o clube foi distinguido pela terceira vez, como sendo
marca de excelência…
Todos os benfiquistas estarão seguramente satisfeitos com o novo estádio, com o centro de estágio, com o projecto olímpico, com a revitalização das modalidades, com o aumento do número de sócios, com a clínica e o canal Benfica, etc.
Mas…e o futebol? Como tem sido gerido o
core business da empresa Benfica? Está á vista de todos. Quer dizer…nem todos, basta ler uma entrevista de Domingos Soares Oliveira no último número da revista mística, onde o guru se multiplica em considerações vácuas acerca da saúde empresarial do clube.
Importa abrir um parêntesis para deixar bem claro o seguinte: Luís Filipe Vieira foi o homem providencial numa fase terrível da vida do clube. Não o nego e sempre soube reconhecer essa importância. No entanto, dos muitos ciclos que o Benfica tem vindo a iniciar e a acabar, o ciclo do presidente é o único que justifica uma conclusão. O projecto desportivo para o futebol tem sido permanentemente adiado. O Benfica clube não ganha e com isso, a prazo, o Benfica empresa também estará em dificuldades. Não é preciso ser guru da Gestão para alcançar tão óbvia constatação.