
Em síntese, este foi um Mundial pouco espectacular. Salvou-se esta Espanha que apareceu tarde, mas ainda a tempo; o sensacional e romântico (há muito que o epíteto não servia tão bem) Chile de El Loco Bielsa; e no que toca a equipas é tudo, pois o que se retém para além disto são desempenhos individuais: Messi, Fórlan, Muller, Ozil, Sneijder, Fábio Coentrão, Lahm, e claro, quase todos os espanhóis.
Esta selecção espanhola merecia ficar na história e juntar-se a Alemanha e França no grupo da “dobradinha”. Não apenas o grupo de brilhantes jogadores, mas também, e sobretudo, uma ideia futebolística, que é, em parte, decalcada do fabuloso tiki-taka catalão e que merece, e deve, ficar bem estampada na gesta dos mundiais de futebol. Diga-se em boa verdade que ontem houve um holandês que não terá ficado totalmente frustrado. A final do Soccer City escondeu uma interessante ironia. Esta pouco aparatosa Holanda com um futebol que envergonharia os seus antecessores (marcações individuais aos criativos espanhóis e uma desproporcionada agressividade) defrontava um futebol que deve bastante a um dos nomes máximos do “futebol total”. Johann Cruyff, e a filosofia que implementou na Catalunha, e que ainda hoje é sua marca distintiva, ontem foi derrotado e simultaneamente também um pouco vencedor.