Friday, October 13, 2006

Futebol português: método defensivo à zona ou individual? (I)


Mais importante que os sistema de jogo de uma equipa, são os métodos de jogo utilizados, defensivos ou ofensivos.

São três os métodos defensivos em futebol, a saber: método individual, mais comummente designado por defesa homem-a-homem, o método à zona, o método misto ou zona mista e a zona pressionante, por vezes designado - e mal porque também se pode pressionar alto sem ser de forma zonal – por pressing alto.

Actualmente o método defensivo utilizado pelas equipas de top é o método da zona, variando depois a amplitude do pressing, para se definir se é zona pressionante ou não - sobre isto não restam dúvidas.

Nuno Amieiro, na sua tese de mestrado, adaptada a livro – Defesa à Zona no Futebol. Um Pretexto para Reflectir sobre o «Jogar» … Bem, Ganhando! - , desenvolve a ideia de que o método individual tem duas formas diferenciadas de se manifestar, ou seja, pode ser pela marcação individual do adversário, marcação essa tendo como referência o adversário (independentemente de quem seja o adversário) e não o espaço e o sítio onde a bola se encontra (referências do método à zona). Outra forma é aquela onde a referência de marcação é personalizada, ou seja, é atribuído ao jogador a missão de marcar determinado jogador da equipa adversária, ficando assim encarregue de seguir exclusivamente esse jogador. Segundo Nuno Amieiro, são estas duas manifestações do método individual que consubstanciam o padrão defensivo das equipas portuguesas: “…no futebol português, ignora-se, por completo, o que é verdadeiramente «defender à zona». Não se percebe que existe outra realidade, outra forma de se perspectivar a organização defensiva de uma equipa. Só este facto justifica o «padrão defensivo» que a quase totalidade das equipas apresenta: uma «defesa homem-a-homem» mesclada com algumas «marcações individuais», o mesmo é dizer, um «jogo de pares» onde as equipas procuram «encaixar» no adversário…”

(...)
continua em breve

Thursday, October 12, 2006

Um reparo aos comentaristas profissionais (nem todos)

Talvez por desconhecimento ou então – mais grave ainda - por incapacidade, este senhores esquecem-se de uma premissa fundamental no que diz respeito ao futebol: O jogo de futebol é um jogo colectivo que consiste numa relação de antagonismo entre duas equipas, circunscritas a regras, lutando por um objectivo intermédio (a posse da bola) e um objectivo final (a obtenção do golo e evitar essa concretização ao adversário). É uma lógica relativamente simples, sobretudo se pensarmos em outras modalidades. No entanto essa simplicidade pode ser mais ilusória que real.
O jogo de futebol contém um quadro extenso de variáveis físicas, técnico-tácticas, psicológicas, sociológicas e culturais. Estas variáveis condicionam-se reciprocamente, o que torna necessário que o conteúdo de um jogo de futebol seja analisado com rigor.
Uma análise rigorosa de um jogo de futebol não se compadece com a particularização de apenas uma parte que compõe o objecto de análise.
Por muito inferior que uma equipa seja, no conjunto de todas as variáveis supra-mencionadas, desde que reúna as condições iguais do ponto de vista regulamentar (por exemplo, não se encontre em inferioridade numérica), nunca se poderá, em rigor, avaliar o seu insucesso em função, exclusivamente, dessa inferioridade, ou inversamente, tirar mérito à equipa adversária que é superior, pelo facto de ter atingido os objectivos do jogo. Por isso mesmo, é que por vezes, quando surgem as ditas “surpresas” (como a recente vitória do Chipre por 5-2 frente à República da Irlanda), a tendência de vários comentaristas é invariavelmente, a de analisar e explicar o sucedido, nunca reconhecendo, nem uma pontinha de mérito ao autor da surpresa, mas sim, apontando uma série de defeitos no surpreendido…extremamente redutor…

O futebol tem esta particularidade, ou seja, a sua aparente simplicidade, a forma como desperta emoções, a importância sócio-económica crescente que tem vindo a assumir nos últimos anos, o seu carácter universal, tudo isto contribui para o tolhimento cognitivo de quem o analisa. No caso do comum adepto, não é grave, já no caso de quem o analisa com o peso do profissionalismo em cima dos ombros, aí o caso muda de figura.

Taxativo (sobre o Polónia-Portugal)

Mais do que a prestação deste ou daquele jogador, o que foi realmente determinante no jogo da selecção foi a prestação colectiva. A equipa portuguesa esteve mal nos momentos de transição. Foi uma equipa que teve sempre os seus sectores distanciados e desligados. Poder-se-á discutir a proficiência do duplo pivot defensivo constituído por Costinha e Petit e consequente ausência da “muleta” de Deco: Maniche. Quanto ao resto, são apenas aspectos conjunturais, que resultaram de uma deficiência ao nível da dinâmica de jogo e também da qualidade do adversário.

PS: Pauleta foi criticado por muitos, que lhe apontavam o facto de - segundo eles - apenas fazer bons jogos frente a selecções de segunda categoria. Porque não acontecerá o mesmo a Cristiano Ronaldo?

Tuesday, October 10, 2006

Uma recordação de tempos sem marketing...

Em tempo de fase de qualificação para o Europeu de 2008, recordei uma bela geração de futebolistas lusos, que nada deve aos mais recentes representantes da selecção das quinas.

Um conjunto fabuloso de jogadores que pisou os relvados numa altura em que o marketing ainda não grassava no desporto rei e que teve o seu apogeu no Europeu de França em 1984.

Foi o europeu da arte latina. Dos quatro semi-finalistas, apenas uma equipa representava o futebol do norte da Europa, ainda assim, aquela que tradicionalmente mais se aproxima do virtuosismo típico do futebol latino: a Dinamarca, já a viver na antecâmara do sucesso que viria a alcançar em 1992.

O jogo da meia-final que opôs Portugal a França fica para sempre nos anais da história do futebol luso, com duas reviravoltas súbitas no resultado, que acabou por pender para a poderosa selecção gaulesa e o seu meio campo de luxo, constituído por quatro fabulosos criativos: Platini, Giresse, Tigana e Fernandez.

Uma selecção nacional que se deu ao luxo de não contar com nomes como Humberto Coelho, João Alves, António Oliveira e Manuel Fernandes e que mostrou à Europa um pequeno genial chamado Fernando Chalana.



Monday, October 09, 2006

Karagounis: o multifunções

"...Karagounis é um jogador de explosão, indomável, daqueles que se ri dos sistemas tácticos e, em campo, adquire várias personalidades..."

Luís Freitas Lobo


Pouco utilizado por Koeman, Karagounis parece ter adquirido, nesta fase inicial da época, um protagonismo dentro de campo mais condicente com as expectativas que criara junto dos adeptos encarnados.

Uma das conclusões que se pode retirar das últimas exibições do grego é a sua polivalência. Karagounis pode ocupar qualquer posição do meio campo com igual eficiência. Quando chegou ao Benfica, foi-lhe atribuído o número 10, na camisola e na função, contudo, não se pode considerar, de maneira nenhuma, que seja um nº 10 clássico. A questão é precisamente essa: como definir, em termos futebolísticos, Karagounis? Não é um 10 (falta-lhe maior criatividade e visão de jogo), mas pode jogar no espaço tradicionalmente ocupado por esse jogador, em função da sua capacidade de controlo de bola, pela forma como marca o ritmo de jogo, e pelo seu forte remate de longa ou curta distância. Pode também jogar como médio interior, dada a sua qualidade ao nível do transporte de bola. É também um jogador com boa capacidade de passe (curto ou longo). Mas o que mais ressaltou dos últimos jogos do grego, foi a sua disponibilidade defensiva, tendo inclusive, jogado na posição de médio mais recuado, no jogo frente ao Desportivo das Aves, e com reconhecida eficácia. Já no jogo frente ao Manchester United, Karagounis recuperou muitas bolas ao adversário, tendo sido um autêntico “tampão” na zona intermédia do campo. Atente-se que foi após a sua saída que os ingleses começaram a trocar a bola com maior facilidade, fazendo-a chegar, com perigo, à grande área encarnada. Karagounis, neste Benfica pode perfeitamente ocupar qualquer posição do meio campo, mas eventualmente, e tendo em conta o sistema de jogo, poderá encaixar de forma proficiente num dos vértices adiantados do triângulo invertido, ou no caso do duplo pivot (4x2x3x1 ou 4x2x1x3), poderá ocupar uma das duas posições da primeira linha do meio campo, um pouco à semelhança de Maniche na selecção nacional. Nesse caso, a dinâmica imposta, acabaria por ditar, por um lado, maior consistência defensiva – anulando a eventual e teórica permeabilidade defensiva, que advém da utilização de apenas um médio defensivo – e também maior fluidez na transição ofensiva.


Tuesday, October 03, 2006

O endeusamento e a diabolização no futebol português

O “fenómeno Mourinho” tem tido as mais diversas consequências, muitas delas para além das que decorrem estritamente do trabalho do treinador português, com tradução directa nos excelentes resultados conquistados.

Apesar de estar a iniciar a sua terceira época em Londres, o seu nome continua a fazer ressonância por cá. Multiplicaram-se os livros sobre o treinador – uns mais ao estilo de uma qualquer revista people, outros de teor mais técnico, onde as suas ideias foram esmiuçadas até à exaustão.

Ao nível da classe profissional, também as consequências foram e ainda têm sido por demais evidentes. Apressaram-se uns quantos académicos e recém-licenciados, que emergidos do nada, desataram a reproduzir um estilo alheio, mas um estilo que era acima de tudo uma referência.

Os outros, os que já cá andavam há uns tempos, foram sendo esquecidos e muitos deles procuraram oportunidades de emprego em outras paragens, outros houve que pura e simplesmente caíram mesmo no esquecimento e até mudaram de actividade, após terem visto todo o seu anterior trabalho ser deitado no lixo em detrimento de novos e modernos métodos de trabalho.


Tudo o que Mourinho, do lado de lá do canal da mancha vai dizendo, são verdades absolutas. A sua opinião veiculada semanalmente na revista Dez do jornal Record, era sistematicamente parafraseada por muitos…
Ao nível do comentário e análise, mudou-se a terminologia, a linguagem e os conceitos.

Também foi notório, por parte dos dirigentes dos clubes, o esforço em desencantar um novo exemplar, tendo-se sucedido em catadupa as várias tentativas frustradas…

Para não variar, seja no futebol, seja em outros quadrantes da vida social portuguesa, somos o povo do oito ou do oitenta, onde o meio-termo continua a ser algo intangível.

É evidente que muitos dos treinadores enquadrados naquilo que se convencionou chamar de “velha guarda” ou da “velha escola” também terão dado um contributo para este estado de coisas, pelo facto de não terem procurado evoluir no desempenho do seu trabalho, seja por negligência, ou por teimosia e prepotência que os tenha feito olhar de soslaio para o trabalho de novos profissionais. No entanto, também será exagerado pensar-se que Mourinho e uma nova geração de treinadores que emerge ao mesmo tempo que ele sejam os detentores dos melhores métodos de trabalho.

Actualmente existem dois treinadores que se encontram no auge das boas graças da opinião pública em geral, curiosamente, cada um deles enquadrado nas duas categorias anteriormente referidas: Carlos Carvalhal, o jovem académico e Jesualdo Ferreira, também académico, mas com carreira já longa no futebol português.

Não pretendendo realizar grandes análises aos respectivos trabalhos e desempenhos dos dois treinadores e nem querendo, de forma alguma, pôr em causa a sua qualidade, penso, no entanto, que seria interessante olhar para ambos com base nos mesmos critérios que muitos utilizam para avaliar o desempenho de outros profissionais do treino.
Assim sendo, Jesualdo Ferreira, agora endeusado, foi em tempos um treinador olhado – sobretudo após ter substituído Toni no cargo de treinador principal no Benfica - com muita desconfiança. Antes disso, passagens discretas por Académica, Estrela da Amadora, Far Rabat (Marrocos), Alverca e selecção nacional de esperanças. As duas últimas épocas em Braga – iniciadas com imensa contestação – foram de facto muito bem sucedidas, no entanto, em termos de resultados práticos, foram alcançadas duas qualificações para a taça Uefa.

Quanto a Carlos Carvalhal, conta no seu currículo com uma final da taça ao serviço do Leixões, que na altura disputava a liga de Honra e uma passagem – com grandes expectativas criadas - mal sucedida pelo Beleneneses.

Mais uma vez, volto a referir que não quero, de modo algum, pôr em causa a qualidade e o mérito destes treinadores, apenas deixo a questão: será que o endeusamento deles se justifica, sobretudo quando comparado com a diabolização de outros?

Monday, October 02, 2006

Taxativo



"...O mal das equipas portuguesas, quando defrontam clubes grandes, é que o medo provocado por esses confrontos leva a alterações injustificadas nas suas estruturas..."

Carlos Carvalhal

Thursday, September 28, 2006

Benfica-Manchester United e a inversão de papéis face à época passada

"...Fizemos um jogo que pode ser considerado anti-Manchester, mas precisamos entender que às vezes também é preciso saber defender bem..."

Alex Ferguson


"...Fizeram um pressing louco e causaram enorme turbulência na nossa construção de jogo, embora sem criar reais oportunidades de golo..."

Carlos Queirós


Estas afirmações resumem bem o que foi o jogo de terça-feira entre Manchester United e Benfica. No entanto, não deixa se ser importante referir que o Benfica nunca soube tirar partido da iniciativa de jogo que lhe foi concedida pelo adversário, revelando enormes dificuldades ao nível da construção do processo ofensivo. O pressing em zonas mais adiantadas do campo foi efectuado com relativa eficiência, no entanto, assim que recuperada, a bola raramente seguiu caminhos que desequilibrassem o organizado bloco inglês.

Em relação ao joga da época passada, houve uma clara inversão de papéis, ou seja, a equipa inglesa na época transacta veio a Lisboa fazer o seu jogo "à Manchester" - pegando na expressão de Ferguson - ataque posicional, elevado balanceamento ofensivo, frente a um Benfica mais pragmático, de contra-ataque e ataque rápido. Conclusão: quem nas duas épocas optou pela segunda estratégia, venceu o jogo...

Relativamente ao Benfica, e na sequência do que tenho escrito, ainda há muito trabalho a fazer para chegar ao ponto óptimo de um modelo de jogo totalmente diferente daquele que tem sido utilizado nos últimos anos.

Friday, September 22, 2006

Frase do dia

"...O Real Madrid devora treinadores..."

Quique Flores (treinador do Valência)

Monday, September 18, 2006

O "case study" Benfica


Subscrevo o excelente artigo de Luís Freitas Lobo - Benfica: uma questão de classe - que pode ser lido aqui.

Como já referi aqui, a questão não se esgota no sistema táctico, existindo aspectos muito mais importantes que explicam as dificuldades - e consequentes maus resultados e exibições - que a equipa tem sentido neste início de época, e que já foram reveladas durante a pré-época. A maior evidência disto foi o jogo no Bessa, no qual, alinhando com o sistema táctico das últimas épocas (4x2x3x1), os problemas manifestados foram exactamente os mesmos que foram observados durante os jogos de pré-época, quando se testava o 4x4x2 (losango): dificuldades na manutenção da posse de bola e consequentemente, dificuldades ao nível da construção do processo ofensivo; incapacidade de reagir ao pressing efectuado pela equipa adversária.

É ao nível da implementação dos princípios de jogo, que a tarefa de Fernando Santos se afigura delicada.
Refere Luís Freitas Lobo que “Fernando Santos pretende posse de bola, circulação e aproveitamento das faixas laterais”, e também, acrescentaria eu, uma equipa mais pressionante, efectuando o chamado pressing alto, algo que foi assumido pelo próprio treinador em diversas ocasiões.

Como já escrevi aqui, o modelo de jogo do Benfica nos últimos anos, assentou em princípios totalmente diferentes, pelo que a tarefa de Fernando Santos, para além de corajosa, afigura-se algo complexa, sobretudo devido a diversos condicionalismos que têm impedido que esse trabalho seja realizado na sua plenitude (lesões, indecisões na construção do plantel, paragens prolongadas etc).

Quando digo que a tarefa é corajosa, quero dizer que se Fernando Santos falhar nesse propósito, a sua passagem pelo Benfica ficará indelevelmente rotulada de fracasso, pois a generalidade da exigente massa adepta do clube não entende algumas destas questões. No entanto também é necessário referir que o clube tem indiscutivelmente o melhor plantel das últimas épocas, daí que, eventualmente seria imperativo assumir um modelo de jogo mais condicente com os pergaminhos do clube, isto é, com aquilo que normalmente os adeptos esperam que seja o Benfica, e que foi em outros tempos a sua grande imagem de marca: um clube que joga sempre para ganhar, com um futebol atraente e ofensivo. Para além disso, a grande debilidade do Benfica, nos últimos anos, foi exactamente ao nível da transição defesa-ataque, sempre bastante evidente a nível interno quando defrontava equipas que procuram, essencialmente, defender, concentrando durante grande parte do jogo, o maior número possível de jogadores entre a linha da bola e a própria baliza.

Ao contrário de Luís Freitas Lobo, não penso que a ocupação das faixas laterais seja um aspecto tão determinante nesta fase.
De facto, Simão e Miccoli nas faixas laterais, dentro de um sistema de 4x2x3x1, serão as opções que darão maior dimensão qualitativa de jogo, no entanto, Paulo Jorge tem dado excelentes indicações, Manu é boa opção para jogos mais “abertos”, no sentido de se tirar partido da sua grande virtude que é a velocidade. Nuno Assis, já mostrou bons pormenores quando colocado numa ala (como ocorreu na segunda parte do jogo frente ao Nacional), e até o próprio Karagounis, apesar de pouco veloz, poderá ocupar essa posição, já que é um jogador que tem bom controlo de bola e é repentista, podendo realizar – à semelhança de Assis - de forma eficiente, as ditas diagonais de penetração.

Um aspecto que poderá ser alvo de algum trabalho, é o da movimentação e acções técnico-tácticas dos defesas centrais.
Para a realização da pressão alta, é imperativa a redução de distância entre linhas, a equipa tem que funcionar como bloco compacto – a defender e a atacar – para assegurar, eficientemente, as acções de cobertura necessárias, com e sem bola. Nesse sentido, é necessário que a linha defensiva suba mais no terreno para efectuar as coberturas aos médios que estejam a efectuar o pressing para a recuperação da bola. Em posse de bola, também se exige aos defesas que tenham alguma visão de jogo e boa capacidade de passe.

Os dois habituais titulares durante a época passada, Luisão e Anderson, são centrais com elevado sentido posicional, muito fortes na marcação, no jogo aéreo, nas acções de antecipação (do melhor que existe na liga portuguesa), porém, para além de estarem rotinados a posicionarem-se em zonas mais recuadas, também não possuem velocidade para – posicionados mais à frente – serem totalmente eficientes para as acções de transição ataque-defesa. A qualidade do passe e visão de jogo também não são dos seus mais fortes atributos. Daí que, a este nível, seja necessário ainda algum trabalho. Outra solução, será Ricardo Rocha, que foi várias vezes adaptado à posição de defesa lateral, pelo que terá maior facilidade em assimilar esta nova forma de jogar. E ainda há Alcides, que é de todos os defesas centrais do Benfica, aquele que parece ter maior qualidade técnica com a bola nos pés.


Nota: no jogo frente ao Nacional, já se pôde observar a equipa a aproximar-se um pouco daquilo que Fernando santos pretende.

Friday, September 15, 2006

Taça Uefa: Sp. Braga vence Chievo Verona

Excelente o resultado do sporting de Braga na 1ª mão da 1ª eliminatória da Taça Uefa.
Terá sido importante o facto de ter marcado cedo, na sequência de uma bola parada e graças a uma desconcentração defensiva do adversário.

O Braga iniciou o jogo com o seu habitual figurino táctico: 4x3x3, não obstante com algumas alterações ao nível do “onze” escolhido. O trio do meio campo era composto por A.Madrid (mais recuado), e à sua frente, Ricardo Chaves (na esquerda) e o regressado Hugo Leal (mais descaído sobre a direita); nas faixas, Wender e João Pinto, no corredor esquerdo e direito, respectivamente; na frente com a mobilidade do costume, Zé Carlos.

O Chievo alinhou em 4x4x2 clássico, e rígido, na medida em que se pôde observar duas linhas de quatro jogadores bem definidas sempre que a equipa se encontrava em processo defensivo. Talvez por isso, Carlos Carvalhal tenha optado por colocar nas faixas, jogadores como Wender e João Pinto, que também têm tendência em flectir para zonas interiores, e dessa forma equilibrar, em termos numéricos, a luta a meio campo. Contudo a equipa minhota viria a ser mais esclarecida na segunda parte com a entrada de Maciel (substituiu Ricardo Chaves no final da primeira parte). Mais esclarecida no sentido de se apresentar mais fiel aos seus princípios de jogo. O extremo brasileiro para além de ter sido um elemento determinante em campo, permitiu que – com a deslocação de João Pinto para o centro – o meio campo ficasse mais ligado com o ataque. Com Hugo Leal e João Pinto nos vértices adiantados do triângulo, a equipa ganhou maior capacidade de posse de bola e de construção e o jogo exterior ficou mais acutilante com as investidas de Maciel, sobretudo no corredor direito.

Thursday, September 14, 2006

Frases

" ...Se não passas bem a bola nenhum sistema pode funcionar..."

Gordon Strachan (treinador do Celtic)



"...o AC Milan comprou Favalli com 34 anos ao Inter...em Portugal algo do género seria um escândalo..."

Joaquim Rita (comentador desportivo)

Wednesday, September 13, 2006

Champions League: notas breves sobre as equipas portuguesas

As equipas portuguesas obtiveram resultados positivos, no segundo dia da primeira jornada da Liga dos Campeões, facto que é ligeiramente mais significativo no caso do Benfica, tendo em conta o factor casa.

Em Copenhaga, viu-se claramente um Benfica em construção. Depois das deambulações tácticas da pré-época, da desestabilização decorrente da saída/não saída de Simão Sabrosa, da previsível mossa que a derrota no Bessa terá causado e das ausências significativas de alguns jogadores, o Benfica fez um jogo “pelo seguro”, tendo acabado por ser proficiente a aposta nessa estratégia. A equipa portuguesa controlou o jogo, dando o domínio do mesmo ao adversário, adversário que não obstante ter assumido esse domínio desde o primeiro minuto, nunca conseguiu criar situações de finalização significativas, sendo que a maior situação dessa natureza acabou por pertencer à equipa benfiquista, num excelente momento de Paulo Jorge que culminou com uma bola no poste.

Ao invés, no estádio do Dragão, o F.C. Porto foi a equipa que dominou. Só não se pode dizer que o CSKA tenha controlado o jogo, apesar de ser perceptível que era esse o seu objectivo. A equipa russa foi em tudo igual àquilo que já nos mostrara há duas épocas: boa organização defensiva e exploração de ataques rápidos e contra-ataques. De notar que esta equipa foi muito pouco alterada, desde que conquistou a taça Uefa há duas épocas em Lisboa, mantendo o treinador e as suas grandes estrelas.
Apesar disso, a equipa portista criou várias situações de finalização, contudo não conseguiu concretizar nenhuma delas.
Destaque para uma extraordinária exibição de Anderson.


Uma nota de destaque, ainda, para um confronto de dois históricos do futebol europeu: o Steaua de Bucareste venceu o Dínamo de Kiev na Ucrânia por surpreendentes 4-1, com dois grandes golos do avançado Dica e com uma boa exibição do guarda-redes português, Carlos. A seguir com atenção, os próximos jogos da equipa romena.

Tuesday, September 12, 2006

Sporting bate Inter Milão

Sensacional e incontestável a vitória do Sporting frente ao poderoso Inter de Milão.
A equipa de Paulo Bento foi a confirmação daquilo que já tinha escrito aqui: dinâmica, mobilidade, densidade, rápida circulação de bola, eficiência nas transições. Tudo isto caracterizou o jogo da equipa sportinguista.

O pressing em profundidade e largura foi também determinante, sempre com as suas linhas muito próximas, o Sporting conseguiu não apenas bloquear as transições ofensivas da equipa italiana, como também recuperar a bola - muitas vezes no meio campo adversário - para iniciar as suas transições. Em suma, está-se a falar aqui de muitos dos princípios da chamada zona pressionante.

O Inter, com um dispositivo táctico semelhante ao da equipa portuguesa, foi a antítese de tudo o que foi referido atrás – defesa à zona, mas muito recuada, com uma pronunciada distância entre linhas, sobretudo a linha “avançada” da equipa que esteve sempre desligada das linhas mais recuadas. O pressing dos italianos foi efectuado mais em largura que em profundidade. Apesar disso, o mérito é do Sporting que terá tido também a vantagem de algo que lhes fora apontado como o seu “calcanhar de Aquiles”: a juventude dos seus jogadores.

Em termos de destaques individuais - e apesar de o maior destaque ter que ser atribuído à organização colectiva - Miguel Veloso foi o pêndulo das transições defensivas e também ofensivas. O jovem jogador, filho do internacional benfiquista Veloso, que o ano passado jogava no Olivais e Moscavide (na 2ª divisão B!), actuou na posição de pivot defensivo, e não apenas correspondeu nas tarefas defensivas, como apoiou a equipa nas acções ofensivas. Atente-se que o jogador, não obstante ser essa a sua posição de formação, tinha vindo a actuar a posição de defesa central, tendo assumido esta nova função nos últimos dois jogos, face à indisponibilidade de Custódio e Paredes.

Quanto ao Inter, refira-se a inovação - face à época anterior em que utilizava um modelo de 4x4x2 clássico - de um novo sistema táctico: o 4x4x2 em losango. Resta saber se terá sido uma opção circunstancial face à ausência de Cambiasso, ou se será mesmo para continuar. Se foi uma opção circunstancial, dá para reflecir sobre um possível desequilíbrio na construção do plantel da equipa italiana.
Outro aspecto a reter prende-se com a proficuidade da utilização de Luís Figo na posição de médio centro ofensivo. Wanderley Luxemburgo teve essa ideia no Real Madrid, ideia que acabou por contribuir sobremaneira para o abandono de Figo do clube madrileno.

O losango do Beira-Mar e a forma como a vitória escapou

Depois de ter jogado em 4x3x3 na primeira jornada, ontem Augusto Inácio apresentou o seu Beira-mar com um dispositivo táctico de 4x4x2 com o meio campo disposto em losango. Foi interessante seguir o desenrolar do jogo, sobretudo, ver como “encaixava” Mário Jardel (o grande atractivo deste Beira-mar) neste sistema. Em teoria, o 4x3x3 seria o sistema preferencial para Mário Jardel, tendo em conta as suas características, no entanto, Jardel ainda está à procura da melhor forma física e as limitações daí decorrente são uma evidência. No jogo frente à União de Leiria, cedo se percebeu que a ideia era fixar Jardel Junto da grande área, deixando o dinâmico Wegno a trabalhar nas suas costas, aproveitando dessa forma, os espaços que surgiam, decorrentes da marcação imposta ao seu colega.

A equipa de Aveiro tirou partido da superioridade numérica de que, quase sempre, dispôs no meio campo, resultado de ter nessa zona do terreno quatro homens, contra três do adversário. A largura do jogo era assegurada pelas permanentes subidas do lateral Tininho e pela mobilidade de Wegno. Vidigal no lado direito, preocupava-se mais em fechar o corredor.

No entanto, houve um momento que terá sido determinante na viragem de um jogo que parecia já estar destinado à vitória do Beira-Mar. Ao minuto 69, Inácio tira um jogador do meio campo, Luciano Ratinho, e coloca o central Marco. A equipa nessa altura passa a jogar em 5x3x2, a luta a meio campo estava finalmente equilibrada, acresce a isso, a subida dos laterais quando a equipa tinha a posse de bola. Apanhada em contra-pé, abriram-se espaços nos corredores laterais, e aí Sougou fez o resto. A União de Leiria acabou por empatar um jogo que fora sempre controlado e dominado pelo Beira-Mar.

PS: O Beira-Mar poder-se-á queixar (legitimamente) de uma má arbitragem nos últimos minutos do jogo


Monday, September 11, 2006

Sai Zidane, entra Ribery

Parque dos Príncipes, minuto 67, o maior clássico do futebol francês está empatado a um golo. O Paris Saint Germain tem o domínio do jogo, o Marselha, em contenção, procura os ataques rápidos e os contra-ataques. Franck Ribery acelera, dribla e assiste primorosamente Niang na grande área, que em posição frontal para a baliza é derrubado de forma irregular. Grande penalidade convertida (na recarga) e o Marselha passa para a frente no marcador.

Ao minuto 89, Franck Ribery arranca pela esquerda, trava, finta o adversário e assiste Pagis que apenas teve que empurrar a bola para o fundo da baliza parisiense. O resultado estava feito, o Marselha vencia o rival por 3-1.

Todos sabemos que o futebol é um jogo colectivo onde, como tal, essa dimensão global (a equipa) se deve sobrepor às individualidades que a estruturam. No entanto, também sabemos que há individualidades que, pelo extraordinário talento que possuem, podem resolver um jogo, mesmo contra toda a lógica (relativa) do mesmo. No fundo essa é uma das razões que fazem do futebol um jogo tão emocionante e apaixonante.

Frank Ribery foi um dos jogadores que esteve em destaque no último mundial. Agora, no Marselha, continua a espalhar o seu talento pelos relvados franceses. Ele é o playmaker, o flanqueador, e até marca golos ao serviço da equipa que está, sensacionalmente, encostada ao todo poderoso Lyon, no topo do campeonato francês.

Podia estar para aqui a escrever sobre sistemas e princípios de jogo, contudo, os dois primeiros parágrafos são mais que suficientes para ilustrar o que foi de facto determinante no jogo em questão.

Best of Franck Ribery

Friday, September 08, 2006

Taxativo

"A convicção é a de que o actual edifício da justiça do futebol profissional não tem sustentação possível e vai ruir ao dobrar da próxima esquina. O futebol profissional é uma indústria e as indústrias regem-se pelas leis da economia."

Manuel Martins de Sá

Wednesday, September 06, 2006

A escassez de pontas de lança


Quando se fala sobre selecções nacionais, há um aspecto que de imediato urge destacar: a escassez de avançados centro/pontas de lança. Este aspecto ainda ganhou maior realce, desde que Pedro Pauleta decidiu abandonar a selecção nacional, logo após o último mundial.

Após o anúncio de Pauleta, o assunto foi de imediato dissecado nas páginas dos jornais desportivos, faltou contudo, uma verdadeira análise, centrada nas possíveis causas do problema e nas eventuais soluções para o mesmo. A única explicação do fenómeno e a solução do mesmo parece ter formado uma excelente relação de causa e efeito, ou seja, a escassez explica-se pela imigração de jogadores (sobretudo brasileiros) e a solução mais referida, que valeu dias e dias de escrita e conversa, foi a mais simples (e polémica): a naturalização do brasileiro Liedson.

A falta de pontas de lança estará, porventura, relacionada com um sistema e modelo de jogo que é trabalhado a nível de selecções nacionais, desde os escalões mais jovens.
Nesse sentido, o 4x3x3 parece ser o sistema de referência, não apenas ao nível de selecções, mas também no que respeita à maioria das equipas portuguesas dos escalões profissionais. Como se sabe, o sistema privilegia o jogo pelos flancos, e como tal a utilização de médios ala/extremos. Esta situação contribui para que exista um maior número de jogadores com características para jogar nas alas, e em contraponto, um número mais reduzido de jogadores para actuar no lugar do ponta de lança. Acresce a isto, que potenciais jogadores para ocupar esse lugar, acabam por ser desviados para os corredores laterais.

Ainda ontem, ao observarmos a selecção de sub-21, pudemos constatar que dos três jogadores que compunham a linha avançada, nenhum jogou de forma posicional nesse lugar. Vaz Tê era o jogador que no papel ocupava a zona central, efectuando bastantes permutas posicionais com Varela. O caso do jogador do Vitória de Setúbal também é interessante. Varela, quando foi lançado na equipa principal do Sporting, ocupava a posição de ponta de lança, e de facto, o jogador possui algumas características típicas para ocupar esse lugar, no entanto, quer no Vitória de Setúbal, quer agora na selecção, o jogador tem sido destacado para actuar nos corredores laterais. O mesmo tem acontecido com Lourenço, e mais recentemente com Yanick Djaló.

Esta será uma das causas do tão evidente défice de pontas de lança no nosso país.
O trabalho táctico-técnico - ao nível dos escalões de formação da Federação Portuguesa de Futebol - de outro sistema de jogo (4x4x2, por exemplo) seria uma das possíveis soluções, o que não implicaria necessariamente a perda do 4x3x3, como sistema de referência. Não esquecendo também, naturalmente, o trabalho específico com os jogadores, independentemente do sistema e modelo de jogo.

Sugestões de leitura

«Nos primórdios do futebol, o treino era como executar e com bola - recepção, passe, remate. A análise pormenorizada do jogo permitiu perceber que este é, sobretudo, um conjunto de tomadas de decisões, em que os futebolistas passam o tempo a decidir e não a executar. Por muita preponderância que um jogador tenha na equipa, nem o Figo tem mais de 90 segundos de posse de bola num encontro»

Jorge Castelo, cit. por Nuno Guedes em "A ciência do futebol" (Expresso)

Tuesday, September 05, 2006

Conquista da liga espanhola: o terceiro elemento

Nas últimas duas décadas, apenas por quatro vezes, a hegemonia dos dois colossos (Real e Barcelona) foi derrubada.
Atlético de Madrid (campeão em 95/96); Deportivo (99/00) e por último, e mais recentemente, o Valência (01/02 e 03/04).

Esta temporada não fugirá à regra, e quer Barcelona, quer Real Madrid estarão no “pelotão da frente” a fim de arrecadarem mais um título para juntar à enorme colecção que já possuem.
No entanto, haverá mais uma vez, quem queira contrariar essa tendência, tendo para o efeito, apresentado argumentos extremamente fortes, sobretudo no que respeita ao reforço das suas equipas. Dentro desse grupo, encontra-se o C.F. Valência, que se tem afirmado nas últimas épocas como um dos mais sérios candidatos a lutar pelo título espanhol.

Após as malogradas negociações para a contratação de Simão Sabrosa, e também após alguma especulação em torno do possível interesse em Cristiano Ronaldo, o clube che virou-se para outros lados e conseguiu, sem dúvida, colmatar o insucesso desses fracassos negociais.

Existem três reforços que merecem nota de destaque: Morientes; Joaquín e Francesco Tavano. Não esquecendo ainda, Asier Del Horno e Edu.
Com a contratação de Joaquín, a juntar ao já “morador” no clube, Vicente, o clube consegue ter ao seu dispôr os dois melhores médios ala/extremos espanhóis, não esquecendo também, o irrequieto internacional uruguaio, Regueiro, que foi titular durante grande parte da época passada devido à lesão que afastou Vicente dos relvados e que o impossibilitou até de estar presente no mundial da Alemanha.

Fernando Morientes, após um período algo apagado em Inglaterra, é indiscutivelmente um dos melhores pontas de lança espanhóis, que também poderá formar com David Villa, uma das mais atraentes duplas de avançados a actuar em Espanha, e não só.

Um nome menos conhecido é o do avançado Francesco Tavano. O italiano, que há duas épocas atrás, jogava na série B italiana, foi uma das grandes revelações da última temporada no Cálcio, ao serviço do Empoli, tendo apontado 19 golos em 37 partidas jogadas. Já na penúltima época, na série B, apontara o mesmo número de golos em 42 jogos realizados.
As principais características de Tavano são a velocidade, mobilidade e grande sentido de finalização.

Refira-se que o clube manteve o "núcleo duro" da equipa. Quique sanchéz Flores continua a ser o treinador e no que respeita a saídas de vulto do plantel, destacam-se apenas os casos de Pablo Aimar (Real Zaragoza) e do avançado Mista (Atlético Madrid), quanto ao resto, destaque para a permanência dos internacionais Ayala e Marchena - pilares do eixo defensivo da equipa nos últimos anos - e Baraja e Albelda, no meio campo - uma das melhores duplas de pivots defensivos do campeonato espanhol.

Plantel do C.F. Valência - 2006/2007:


  • Guarda-Redes: Cañizares; Butelle ; Mora
  • Defesas: Miguel; Ayala; D. Navarro; Curro Torres; Marchena; Albiol; Moretti; Del Horno
  • Médios: Vicente; Joaquín; Regueiro; Hugo Viana; Albelda; Baraja; Jorge López; gavillan; Silva; Edu
  • Avançados: David Villa; Morientes; Angulo; Tavano