Thursday, August 23, 2007

Benfica: O fim do losango?

Pelo que já foi dado a entender, através da leitura de alguma imprensa desportiva, o novo treinador do Benfica, parece estar a querer enterrar o tão desdenhado losango.
As opções em termos de sistema, parecem assentar no 4x3x3 e no 4x4x2 clássico. Não é de estranhar, na medida em que foram exactamente nessas duas estruturas tácticas que o espanhol trabalhou na anterior passagem pela Luz.

Não querendo entrar em deambulações teóricas sobre táctica, é imperativo referir que este plantel foi concebido com o losango no horizonte, relegando todas as outras alternativas – fundamentalmente o 4x3x3 – para estatuto de “plano B”. Não é difícil aferir isto. A não ser que, e tendo em conta que o “extremo puro” também é espécie em vias de extinção no futebol actual, a opção seja a de um 4x3x3 “à Barcelona” em que a última linha é composta por um avançado centro e dois médios ofensivos com maior vocação e/ou apetência para actuar em posições mais centrais, encostados às faixas laterais (Messi e Ronaldinho), que no caso do Benfica bem poderiam ser Adu e Dí Maria. Excepção feita a Coentrão e Luís Filipe – estes, sim, opções mais naturais para ocuparem as faixas laterais no referido sistema.

Relativamente ao 4x4x2 clássico, o problema das alas persiste e junta-se-lhe ainda o desaproveitamento daquele, que por razões não apenas tácticas, mas sobretudo técnicas e psicológicas, se antevê como peça imprescindível nesta equipa. Falamos de Rui Costa, naturalmente.

Todas estas questões vão ser, em breve, apreciadas e aprofundadas.
Aguardemos.

Wednesday, August 22, 2007

Perplexidades

Ao contrário de meio mundo, nunca fui grande adepto de Pepe. Para esta opinião nada contribuem os comportamentos ou as recorrentes cuspidelas. Opto por me centrar nas questões técnicas.

Admito que é um jogador que possui características específicas que no caso da posição que ocupa se tornam fundamentais, sobretudo para a aplicabilidade de um modelo de jogo que muitos afirmam ser o modelo de um futebol “moderno”.

No entanto, sou capaz em fracções de segundo de me lembrar de três, quatro jogadores com as mesmas capacidades e mais algumas, como por exemplo, e se o argumento for a juventude: Vincent Kompany (Hamburgo) e Micah Richards (Manchester City). Mas há muitos mais…

Se houve transferência neste defeso que me surpreendeu, foi a de Pepe, por razão dos valores envolvidos, apesar de o clube comprador ter sido o megalómano e inconsciente Real Madrid, que acabara de em nome do “bom futebol” despedir um dos treinadores mais vencedores do mundo e que acabara de se sagrar campeão espanhol, para contratar um debutante que tem passado por clubes de segunda e terceira linha no país vizinho.

Mas não sou ingénuo e sei o poder que têm certos empresários para promover ou despromover este ou aquele jogador, consoante os respectivos interesses.

No entanto apesar de tudo, sempre dei o benefício da dúvida, pois quem sou eu para desmentir o mundo inteiro? Mas, eis que assistimos a um confrangedor início de época, quer para Pepe, quer para o seu actual clube, e eis que também ainda não se ouviu ou leu uma palavra substantiva acerca deste facto, por parte de quem durante época e meia em Portugal colocou o jogador no mais elevado pedestal, pior que isso, leio na imprensa desportiva que Pepe é futuro jogador da selecção nacional…

Tuesday, August 21, 2007

Taxativo

Hoje, após uma recepção entusiástica de uma multidão eufórica, José António Camacho na conferência de imprensa foi taxativo: "...é preciso tempo...".

Monday, August 20, 2007

Fernando Santos: O óbvio culpado!?


A bola começou a rolar a sério no futebol português. Não pretendo alongar-me muito acerca do período de “defeso”. Três jornais diários fizeram-no exaustivamente com maior ou menor responsabilidade e grau de interesse.

Começando pelo Benfica, é de referir que o início de época dificilmente poderia ser pior.
Hoje provavelmente mais de metade da nação benfiquista rejubila com duas notícias: saída de Fernando Santos e regresso de Camacho. Como benfiquista não sinto a menor vontade de rejubilar com o que quer que seja, no entanto não me apetece opinar nessa qualidade, opto sim, por fazê-lo na qualidade de adepto da modalidade que tem as suas opiniões e ideias – pelo menos vou tentar!

Existem várias ideias chave que gostaria de enunciar.

Fernando Santos, para além de nunca ter tido o apoio da esmagadora maioria dos sócios e adeptos desde o primeiro dia em que entrou no Benfica, também se confrontou com um conjunto de dificuldades às quais foi alheio e que resultaram numa época de insucesso para um clube como o Benfica a quem são exigidos títulos. Escusado será recordar a “balbúrdia” vivida no início da época passada e que na minha opinião condicionou toda a época, de forma determinante.

Este ano, nova trapalhada na pré-época. Simão Sabrosa sai definitivamente, numa altura já adiantada dos trabalhos. Juntando-se-lhe os casos de Anderson e Manuel Fernandes – este último caso classifico-o de inadmissível no que respeita a um clube com a dimensão do Benfica. Muita ingenuidade no que respeita à gestão do caso do jovem jogador, quer por parte do treinador, mas sobretudo por parte da estrutura directiva. Somando a isto tudo, a catadupa de lesões que atacou o plantel, temos um autêntico “cocktail molotov” que acabou por rebentar nas mãos do Engenheiro.
A culpa de um arranque de época aos solavancos é exclusiva de Fernando Santos? Não me parece.
As maiores críticas que são feitas ao Engenheiro assentam numa má gestão do plantel e numa parca capacidade em termos daquilo que comummente se designa por “gestão de balneário”. Sinceramente, ao nível da gestão do plantel, admito que pudesse ter havido uma maior rotatividade em algumas posições específicas, até porque sempre defendi, ao contrário de muitos, que o clube tinha um bom plantel – muito melhor que em épocas anteriores. Quanto ao segundo aspecto, penso que para além de ser excessivamente valorizado, não existem fundamentos objectivos para que possa ser avaliado com rigor por quem está de fora.

Em termos técnicos e tácticos, Fernando Santos quis impor as suas ideias e mudou de forma significativa o futebol da equipa encarnada face ao estilo que a caracterizara nos últimos anos, antes da sua chegada à Luz. E isso também não foi, naturalmente, um processo simples. Pessoalmente, não me recordo da última época em que o Benfica foi invencível para as provas nacionais em sua casa, antes da época anterior. A única derrota ocorreu frente a um “encolhido” Manchester United que se limitou a tentar controlar o jogo e que o venceu num golpe de contra-ataque, já ao cair do pano. Vi muitas vezes, durante a época transacta, exibições de bom nível da equipa – mais ofensiva, mais pressionante, muito diferente – para melhor, nesse sentido – do que se vira com Trapattoni ou Koeman. No que respeita a resultados, falhou, é certo, mas o título nacional decidiu-se na última jornada numa situação inédita em que qualquer dos três grandes poderia ainda alcançá-lo.

Não vou fazer grandes considerações acerca da saída de Fernando Santos. Apenas me apraz dizer que me parece óbvio o desfasamento entre o discurso da direcção, face ao sucedido no dia de hoje. Excepção feita, naturalmente, ao episódio do "pesadelo" no qual pareceu ter existido uma subliminar mensagem...

Chega agora José António Camacho, por quem muitos benfiquistas suspiraram desde que abandonou o clube para abraçar o seu Real Madrid…

Tuesday, July 31, 2007

As férias terminaram, a "silly season" está quase...

Terminaram...

Para breve, escreverei algumas opiniões acerca da "silly season" do futebol português", e não só...

Thursday, June 21, 2007

Recorra-se à justiça italiana...

É por estas e por outras que apesar de tudo tanto admiro o Calcio...

A sexta copa para o clube de "los descamisados" e a terceira para Riquelme


O Boca Juniors conquistou ontem a sua sexta taça dos libertadores, ao derrotar o Grémio no estádio olímpico por 0-2.
O Boca teve sempre o jogo controlado, mas houve um jogador que foi determinante e não foi apenas por ter sido o autor dos dois golos: Roman Riquelme. Ele é o dínamo de todo o jogo ofensivo da equipa argentina. Um dos últimos "10" clássicos do futebol actual, talvez por isso não tenha tido sucesso no Barcelona, no entanto para quem gosta de futebol é um regalo ver Riquelme.
O espectáculo observado nas bancadas do olímpico é indescritível. No final foram os adeptos do Boca que fizeram a festa, no entanto, acredito que nas ruas de Porto Alegre, muitos outros se lhes tenham juntado, já que o troféu conquistado na época passada não transitou para a galeria do eterno rival, e para apimentar ainda mais a coisa, na próxima jornada do Brasileirão há "Gre-Nal".

Tuesday, June 19, 2007

FUCK HIM


Quando iniciei este meu depósito de ideias e desabafos futebolísticos não pensei em fazê-lo tendo em conta a minha preferência clubística, fi-lo em nome da paixão que sinto pelo futebol num sentido mais lato. Contudo, as circunstâncias obrigam-me a ter que reformular essa ideia.

Sou Benfiquista, adepto, desde sempre, e sócio há cinco anos (desde que reúno condições socioeconómicas) com lugar cativo no novo estádio da Luz, desde a sua inauguração. Escolhi o Benfica sem saber bem porquê – é normal que essas escolhas feitas com oito ou nove anos de idade não assentem em motivos com grandes fundamentos. Invariavelmente até resultam de influências familiares o que até não foi o meu caso, já que o meu pai era um sportinguista ferrenho. No entanto à medida que fui crescendo e que fui conhecendo a história do clube, fui sedimentando um sentimento de grande orgulho - que tal como o hino diz – me foi envaidecendo. As raízes populares do clube, as dificuldades com que se debateu nos seus primeiros anos de vida, desde as sucessivas viagens pela cidade de Lisboa “com a casa às costas”, saltando de campo em campo de jogos, até à debandada geral de quase toda a sua equipa de futebol, que aliciada pelas condições opulentas do seu grande rival da cidade, então recém-criado, deixou o clube em situação bastante complicada. Mas o Benfica ultrapasssou todas as vicissitudes e com o esforço e disponibilidade de muitos dos seus dirigentes e adeptos conseguiu tornar-se num gigante do desporto nacional e no que respeita ao futebol, conseguiu elevar o seu nome e consequentemente o nome de Portugal aos mais altos palcos internacionais.

Isto tudo a propósito da recente OPA feita pelo empresário Joe Berardo ao meu clube do coração.

Em conversa há uns meses com um amigo sportinguista na qual debatíamos as realidades económicas dos nossos clubes, e estando eu a enaltecer o bom trabalho levado a cabo a esse nível pela actual direcção, respondia-me ele: “ Se o Benfica estivesse assim tão bem já estaria cotado em bolsa”. Na altura fiz-lhe ver que o Benfica cotado em bolsa estaria sujeito, com muito mais facilidade que outros clubes portugueses, a investidas como a que se verifica agora, e de natureza diferente, isto é, aquilo que Berardo disse não ser o seu caso – o de uma investida hostil.

Assim que li as primeiras notícias acerca da operação financeira fiquei, naturalmente apreensivo. Esse sentimento foi-se desvanecendo à medida que me fui inteirando de todos os detalhes e que me apercebi que o clube não corria o risco de ficar nas mãos do magnata. Aliás foi o próprio que em entrevista reiterou isso tudo.

Li e reli as inúmeras opiniões que foram sendo dadas pelos especialistas em matéria económica e fui-me tranquilizando ainda mais. Tentei colocar de lado a emoção (difícil) e puxei da razão para pensar nos eventuais benefícios que esta operação poderia acarretar. Uma das teses que mais me convenceu foi a de que esta OPA serviria também para prevenção de outras operações similares mas com outros intuitos, designadamente de carácter hostil. Sabe-se o interesse que o Benfica desperta a vários níveis, por exemplo, o maná que representa em termos de audiência televisiva e sabendo-se do interesse que Joaquim Oliveira tem em não perder esse mesmo maná, a que não será alheio o facto de ser um dos accionistas detendo 4% das acções B, esta OPA seria um sério“aviso à navegação”. Para além disso, o facto de Berardo assumir não querer ficar dono do clube e pretender ajudar o Benfica, avançando mesmo com a ideia de criar um fundo de investimento para a compra de jogadores, também ajudou a aliviar a tensão em torno do assunto e a que se olhasse com melhores olhos para a situação.

Contudo, eis que o empresário Berardo num acto de total incongruência vem a público com afirmações que têm tanto de infelizes como de patéticas.
O ataque a um dos maiores símbolos de sempre do Benfica e do futebol português revelam que afinal, Berardo não parece – tal como havia dito – assim tão desinteressado em intervir nos destinos do clube.

Outra coisa não menos importante é a demonstração cabal de que Berardo, de futebol percebe muito pouco, pois esquece-se que o actual campeão europeu de clubes tem um plantel composto por muitos jogadores com idades acima dos 30 anos – os 19 jogadores convocados para a final da Liga dos campeões tinham uma média de 32,37 anos. Relembre-se também a pressão feita por Moratti (que percebe mais de futebol que Berardo) para que Luís Figo (34 anos) jogasse mais uma época no Inter.

Nem vale a pena dizer tudo o que Rui Costa representa para qualquer bom benfiquista. Para além disso, Rui Costa é também o paradigma de valores que se foram extinguindo com a actual mercantilização do futebol, se calhar por isso é que Berardo, um mercantilista nato, se lembrou de afirmar tamanha boçalidade.

Disse Berardo que se Rui Costa quisesse ajudar teria vindo para o Benfica com 25 anos. É necessário recordar que Rui Costa foi vendido numa fase complicada na vida do clube, a fase embrião do que viria a ser o período mais dramático da vida do Benfica. E refira-se que ainda assim, das várias alternativas que existiam, Rui Costa optou por aquela que melhor serviu os interesses do Benfica, em detrimento dos seus próprios interesses. Na altura a Fiorentina vivia os seus tempos de grande ostentação e oferecia muito mais que o Barcelona pelo passe de Rui Costa. Evidentemente que Rui no Barcelona teria tido uma projecção muito mais consentânea com o seu real valor, mas escolheu o clube italiano e o Benfica ficou a ganhar. Apetece perguntar a Berardo o seguinte: se ele quer tanto ajudar o Benfica, por onde andou ele durante a década horribilis do clube? Ai não sabe? Andou a fazer pela sua vida tal como Rui Costa? Então Fuck him.

Monday, June 18, 2007

Mais futebol e política: A antítese de Lucarelli


Já agora, e porque o meu companheiro do lado de lá do Atlântico manifestou algum interesse, lembrei-me daquele que será a antítese, em Itália, de Cristiano Lucarelli.

Este gesto de Paolo Di Canio fez enorme eco há bem pouco tempo em toda a imprensa desportiva. São conhecidas as suas simpatias pela direita extremista. Esta celebração ocorreu - se a memória não me falha - precisamente num derbie romano Lazio-Roma. Instado a comentar este seu gesto, Di Canio foi evasivo, na tentativa de escapar a uma multa que acabou por ter de pagar. Afirmou ter-se tratado somente da saudação romana. No entanto em outras circunstâncias o jogador italiano já assumira sua simpatia pelo ditador Mussolini.
Sabe-se também que mantém ligações às claques mais radicais do clube laziale, terá até feito parte de uma delas antes de se tornar jogador.

Friday, June 15, 2007

Cristiano Lucarelli: Futebol, política e golos


Época – 04-05 – 35 jogos – 24 golos
Época – 05-06 – 36 jogos – 19 golos
Época – 06-07 – 34 jogos – 20 golos

“A política está em todas as coisas, inclusive na minha camisola”.
A frase é de Cristiano Lucarelli, um dos melhores pontas de lança do Calcio.

A cidade de Livorno, situa-se na região da Toscana, a 86 km de Florença, onde Antonio Gramsci fundou o Partido Comunista Italiano em 1921. O seu clube de futebol mais representativo é o A.S. Livorno Cálcio onde actua Cristiano Lucarelli, conhecido por ter uma massa adepta profundamente associada ao ideário socialista, sendo que o possante avançado italiano é um assumido partidário desses mesmos ideais. São conhecidos os duelos travados nas bancadas entre as claques do Livorno e por exemplo as da S.S. Lazio – conhecida pelo carácter fascista das suas claques.

Lucarelli, enquanto futebolista e concretamente, enquanto ponta de lança, dispensa apresentações, pelo menos para os mais atentos ao Calcio. Para os menos familiarizados com o futebol italiano, basta olhar para os números apresentados atrás.

Mas a popularidade do goleador não se limita às suas capacidades futebolísticas. Lucarelli é um símbolo do clube e da cidade toscana, tendo inclusive já rejeitado convites de clubes maiores por causa das suas convicções políticas.
Cristiano Lucarelli que costuma comemorar os seus golos com o braço erguido e punho fechado foi um dos fundadores da claque organizada do Livorno, as BAL (Brigadas Autónomas Livornesas).

Lucarelli, o futebolista que disse que “há jogadores que com um bilião de dólares compram iates e ferraris, mas que ele, simplesmente compraria a camisola do Livorno”, é apontado como alvo do Benfica para a próxima temporada. Sem dúvida que seria um excelente reforço para o clube da Luz.

Tuesday, June 12, 2007

Campeões


Equipa de infantis do Sport Lisboa e Olivais - época 2006/2007

Nuestros hermanos fazem-no às claras...

Há quem se surpreenda com esta notícia.

Já ouve cá no nosso burgo quem se indignasse com insinuações de que se faziam coisas destas.
Por cá é "às escuras" para não variar...

Monday, May 28, 2007

Taça de Portugal e algumas notas soltas

O Sporting conquistou a sua 14ª taça de Portugal. Tratou-se de um justo prémio para uma equipa recheada de jovens jogadores com qualidade e que fez uma época que, não obstante o segundo lugar na liga, tem que se considerar boa.

Uma palavra para o Belenenses que fez uma época muito boa também, sobretudo se atentarmos para o facto de no início da época não se saber se o clube do Restelo iria disputar a primeira liga ou a liga de honra. Ontem qualquer uma das equipas poderia ter vencido o jogo o que só dignifica os “azuis”. Houve momentos de domínio por parte de uma e outra equipa. Em suma, foi um jogo equilibrado. É certo que o Sporting, estruturalmente, foi igual ao que tem sido durante a época inteira, cabendo ao Belenenses uma postura eventualmente mais calculista. Os azuis souberam segurar os ímpetos ofensivos do Sporting, designadamente através de uma estratégia que assentava no povoamento do meio campo com uma permanente acção de preenchimento dos espaços “vitais” do jogo ofensivo leonino. Na altura certa, Jesus alterou a estrutura – passou do 4-2-3-1 para um 4-4-2 semelhante ao dispositivo sportinguista – aí o clube da cruz de Cristo empurrou o adversário para o seu reduto, criando alguns momentos aflitivos para os leões, no entanto, foi imediatamente a seguir a esse assédio azul que o Sporting marcou o golo da vitória – construído pelo corredor esquerdo do seu ataque, zona de acção do lateral direito “belenense” que estava então fora do jogo a ser assistido.

Brevemente escreverei umas ideias acerca da época finda (por falta de tempo ainda não o fiz).
No entanto, aproveito a deixa para tecer algumas considerações acerca das épocas dos dois finalistas.

O Sporting como comecei por referir acabou por arrecadar um justo prémio com a conquista da taça de Portugal. Foi uma equipa consistente, excepção feita ao período a seguir à paragem de Natal em que teve alguns jogos sem conhecer o sabor da vitória. Contudo, nesta recta final regressou ao ritmo do início da época e arrancou para uma série de vitórias consecutivas que o deixou a um ponto do título – ficou como imagem de marca os seis jogos consecutivos a marcar nos instantes iniciais. É um justo prémio também para Paulo Bento, sem dúvida o grande artífice do trabalho que tem vindo a ser feito no clube de Alvalade. Recorde-se que Paulo Bento foi inicialmente contratado como “treinador de recurso” após a dramática época 2004-2005 e consequente despedimento de José Peseiro. Sem dinheiro para reforços, a Paulo Bento foram-lhe concedidos os jovens oriundos dos escalões jovens do clube, o que, não obstante serem jogadores com qualidade não deixam contudo de deter a sua natural dose de inexperiência e outras vicissitudes para poderem enfrentar o nível competitivo da primeira liga e as diversas pressões associadas. No entanto, Paulo Bento acabou por saber tirar o máximo proveito desta equipa, sabendo gerir determinadas situações complicadas, que poderiam tornar-se ainda mais complexas, caso ele não tivesse tomado as decisões correctas nas alturas certas.

O Belenenses fez uma época que se pode considerar brilhante. Acabou em 5º lugar no campeonato conquistando um lugar nas provas europeias e chegou à final do Jamor. Pedir mais era complicado, senão mesmo impossível.

Mérito seja dado também a Jorge Jesus. Um reconhecido estudioso do jogo. Metódico e estratega seriam outros adjectivos que assentariam bem no treinador da equipa do Restelo.
As suas equipas têm sempre a sua marca. Este Belenenses também a tem – equipa organizada e forte do ponto de vista táctico, não é à toa que se ouve permanentemente a palavra “táctica” e suas derivadas nos discursos de Jorge Jesus.






O campeão e uma reflexão...

F.C. Porto é campeão nacional. Acredito na máxima de que todos os campeões são justos vencedores. O campeonato é uma prova, essencialmente, de regularidade, e aí os portistas, de facto, não facilitaram.

Contudo, esta constatação não invalida que se façam algumas reflexões.
O F.C. Porto não foi uma equipa equilibrada. Nem sempre mostrou um futebol organizado nem tampouco atraente. Foram muitas as manifestações de apreensão feitas por alguns dos seus mais mediáticos adeptos, o que não deixa de ser sintomático.

Se a primeira volta correu bem à equipa portista, já o mesmo não se poderá dizer da segunda metade do campeonato. Ficam as questões: Durante a primeira volta a equipa ainda estaria “formatada” pelas ideias (arrojadas) de Adriaanse? Na segunda volta do campeonato presume-se que as ideias de Jesualdo terão ficado consolidadas, pelo que se impõe a dúvida acerca das reais potencialidades da equipa portista.
Veremos se para o ano se desfaz a dúvida…

Thursday, May 10, 2007

Mauro Zarate (Vélez Sarsfield)


Avançado de grande mobilidade, forte no um para um e exímio a jogar no limite do fora de jogo.
Brilha ao serviço do Vélez Sarsfield, onde jogo como avançado centro.
Ontem frente ao rival Boca Juniors, para a Taça Libertadores, marcou dois dos três golos da sua equipa que foram, contudo, insuficientes para anular a desvantagem (3-0) trazida de la bombonera. O Vélez venceu por 3-1, tendo dominado quase sempre um jogo no qual a técnica e velocidade deste jovem jogador argentino esteve sempre patente do primeiro ao último minuto.
Ainda para a Libertadores, o Grêmio venceu o São Paulo FC por 2-o, vencendo assim a eliminatória. Diego Souza voltou a estar em destaque, e foi ele mesmo o autor do golo que valeu a passagem do clube gaúcho aos quartos de final.

Saturday, May 05, 2007

AC Milan - Liverpool FC: na final com mérito




AC Milan e Liverpool FC reeditam a final de há dois anos.
Tem-se afirmado que os dois finalistas beneficiaram de melhores índices físicos que os seus opositores, pelo facto de se encontrarem arredados da disputa de outros títulos. É verdade que nestas meias-finais caíram as duas equipas que se mantêm noutras “guerras”, contudo explicar tudo por aí, parece-me algo redutor, e quiçá, uma espécie de "desculpa" em função do favoritismo apontado ao Chelsea e ao United.

Se no caso do embate inglês, esse factor poderá ter tido maior importância, adicionando-lhe também as ausências de vulto na equipa londrina por lesão, torna-se imperioso refir que a eliminatória foi equilibrada, acabando por se decidir na chamada “lotaria” dos penalties, o que acaba por traduzir esse mesmo equilíbrio, e também, revelar uma não tão evidente superioridade (quer na dimensão física quer nas outras) de uma equipa face à outra.
Acaba por sair premiado um conjunto que, tal como já escrevi neste espaço, parece feito à medida dos desafios europeus.
Para além da questão física é necessário referir outros factores que não serão menos importantes, como sejam aqueles que se relacionam com os modelos de jogo das respectivas equipas. O Chelsea ao longo da época apresentou um futebol muito distante do apresentado na época transacta. Fortemente sustentado no futebol directo, não tendo a posse e circulação de bola como o grande referencial de jogo e com uma menor utilização das alas como circuito privilegiado para a criação de situações de finalização. A equipa londrina carece esta época de qualquer coisa, e o enorme infortúnio das lesões não pode nem deve explicar tudo…

Já no que respeita à outra meia-final, parece-me indiscutível que no conjunto dos dois jogos, a superioridade do AC Milan foi demasiado evidente, de forma ainda mais acentuada no jogo de S. Siro. A forte consistência táctica, consubstanciada na eficaz ocupação dos espaços e na capacidade de saber subir ou recuar o bloco, consoante as circunstâncias do jogo, aliada à enorme fluidez e objectividade na circulação de bola, fazem do Milan um meritório finalista desta edição da Liga dos Campeões. E refira-se que não foi apenas na eliminatória frente ao Manchester United que a equipa italiana apresentou os referidos predicados. E claro, a experiência de muitos dos jogadores rossoneri é também factor a ter em conta.

Thursday, May 03, 2007

Entretanto, do outro lado do Atlântico...

Enquanto por cá AC Milan e Manchester United discutiam a segunda vaga para a final de Atenas, do lado de lá do Atlântico, disputava-se a primeira mão dos oitavos de final da congénere sul-americana da prova milionária europeia: a Copa dos Libertadores. Tive oportunidade de assistir ao São Paulo – Grémio de Porto Alegre. Foi um jogo pouco atractivo, com muitas faltas e interrupções, porém houve um jogador que me chamou a atenção: Diego Souza, esse mesmo, que se encontra vinculado ao SL Benfica e que está emprestado ao clube gaúcho. Diego arrancou uma boa exibição, abrilhantada com pormenores bastante interessantes, designadamente algumas aparatosas arrancadas em direcção à baliza adversária e alguns fortes e colocados remates de meia distância. Será que Fernando Santos viu?

Wednesday, May 02, 2007

Serenata à chuva em S. Siro



O AC Milan atinge a sua terceira final europeia em cinco anos – a 11ª do seu historial.
Calculo que hoje, muitos anti-calcio estejam a remoer o que se passou em S. Siro e estou muito curioso para ler e ouvir opiniões. Será que alguém será capaz de falar em futebol defensivo, cínico e outras coisas que tais? Estou em crer que tamanho despropósito não irá ocorrer…
Esta eliminatória veio desmistificar também aquele típico preconceito português relacionado com a idade dos jogadores que não passa de um grande disparate...

De facto a equipa italiana vulgarizou a equipa inglesa de forma absolutamente avassaladora. O semblante de Ferguson no banco era sintomático. Incapaz, porque impotente para tal, o treinador escocês não alterou praticamente nada na sua equipa, sendo que quando o fez (abdicou de um defesa, passando a equipa a jogar com uma linha de três defesas) foi já na recta final do jogo, e aí o Milan deu a “machadada” final.

Durante toda a primeira parte do jogo apenas se jogou no meio campo inglês. O Milan através de uma pressão alta e de uma posse e circulação de bola verdadeiramente estonteante, encostou o Manchester ao seu reduto defensivo que sem ideias e capacidade para contrariar o seu opositor, raramente de lá conseguiu sair.

Na segunda parte, foi quase, mais do mesmo, não obstante o Milan ter arrefecido um pouco mais o jogo, recuando um pouco as suas linhas – normal quando se tem uma vantagem de 2-0 e ainda se poderia sofrer um golo que a passagem não ficaria comprometida. Na primeira linha do meio campo, Ambrosini à esquerda e Gattuso na direita ajudavam os laterais a fechar os corredores – referência do jogo ofensivo da equipa inglesa. Contudo não se pense que o Milan abdicou do seu jogo ofensivo, nada disso, sempre que ganhava a bola, e foram inúmeras as recuperações da mesma efectuadas a meio campo, imediatamente ela circulava pelos jogadores rossoneri com uma precisão quase geométrica, sempre com o objectivo da progressão até à grande área do Manchester.

Outro embate “fabricado” pelos media foi o de existir outro jogo dentro do próprio jogo – o de Káká contra Ronaldo na luta pela obtenção de título de melhor jogador do mundo. Nesse particular, o brasileiro foi também sem qualquer dúvida, o grande vencedor. As suas acções em campo foram determinantes para o desfecho da eliminatória, sendo que Ronaldo foi inconsequente…

Em termos individuais, para além de káká, o outro destaque vai sem sombra de dúvidas para Gattuso. O que Káká tem em talento e criatividade, tem o italiano em garra e determinação.

Liverpool na final de Atenas

O Liverpool acabou de carimbar o seu passaporte para a final de Atenas, a segunda em três anos, a sétima da sua história.
Do jogo pouco há a dizer - são já conhecidos os contornos deste confronto entre dois mestres da táctica.
Talvez de realçar que ontem ficaram patentes algumas debilidades da equipa londrina que foram a tónica desta época. Ontem, privada de Ricardo Carvalho, Balack, Schevchenko, com um Robben recentemente recuperado de mais uma lesão, o Chelsea, muito mais sobrecarregado de jogos de responsabilidade do que o seu opositor, depois de ter usado e abusado do jogo directo para Didier Drogba, acabou por claudicar, ainda assim, apenas na marcação de grandes penalidades.

Frase

"...Os nossos adeptos são os verdadeiros 'special one...'

Rafael benitez