Manchester City e RCD Espanyol, o que têm em comum estas duas equipas? O facto de não pertencerem às elites dos seus campeonatos e de se encontrarem actualmente no topo dos mesmos. Mas não só. Manchester City e Espanyol também têm em comum o facto de serem vizinhos de dois colossos do futebol europeu e mundial e como tal viverem na sua sombra. Sempre tive uma simpatia e admiração pelo Espanyol. É de facto de um enorme estoicismo viver paredes-meias com um clube que se confunde com a própria cidade. Barcelona vive e respira o Barcelona FC. Pode parecer mentira, mas a verdade é que muitas das pessoas que visitam a cidade desconhecem a existência de outro clube que não o Barcelona FC.
O clube catalão está a fazer uma época brilhante, encontrando-se a um ponto do segundo lugar, ocupado precisamente pelo rival Barcelona. Já o ano passado o Espanyol fez um brilharete enorme ao atingir a final da Taça Uefa (a segunda na sua história). Da época passada para a actual, não se verificaram mudanças significativas no plantel, com excepção da saída do uruguaio Pandiani. Orientado pelo seu ex-jogador Ernesto Valverde, o Espanyol apresenta um futebol caracterizado pelas rápidas transições ofensivas, sobretudo através de contra-ataque e/ou ataque rápido. O sistema varia entre o 4-4-2 clássico e o 4-2-3-1. Uma linha defensiva que transmite segurança à equipa, não esquecendo também o elástico guarda-redes camaronês, Kameni. Os centrais habituais são jarque e Torrejon, fortes no posicionamento e marcação; na esquerda Clemente ou David Garcia são as opções mais recorrentes, sendo laterais mais posicionais. Do lado direito existe uma aposta mais regular no argentino Zabaleta que gosta de se soltar em apoio às acções ofensivas. A outra alternativa é Lacruz que também é opção para o centro. No meio campo, sobretudo na zona central, tem existido uma maior rotatividade face à época passada, alternando entre o
doble pivot composto por Moisés e Angel, ou então juntando a um destes o criativo De La peña. Nas alas, soltam-se Riera à esquerda e Valdo no flanco contrário. Na frente, o mortífero Tamudo que já leva 10 golos na sua conta pessoal esta época, ora jogando só, ora tendo Luís Garcia como companhia. Independentemente de quem joga, uma coisa é certa, os jogos do Espanyol são puras lições do que é o contra-ataque e o ataque rápido.
Em Manchester, o City, é um caso diferente. Ao contrário do clube espanhol que aposta sobretudo na sua cantera e nos proscritos dos grandes espanhóis, os blues de Manchester viram o seu clube, propriedade do milionário tailandês Shinawatra adquirir, desde logo um dos mais conceituados treinadores do mundo do futebol, Sven Goran Eriksson, para além de um conjunto de jogadores que vieram juntar mais qualidade a outros que já lá estavam antes. Contudo, não se pense que este facto retira brilhantismo à época que o clube está a fazer, pois a qualidade do futebol praticado é inequívoca e nem sequer foram adquiridos nomes com estatuto. O sistema habitual é 4-4-1-1. Na defesa, destaca-se a dupla de centrais, Richards/Dunne. O primeiro, pela velocidade, capacidade de antecipação e de passe, para além de ser já um valor assumido do futebol inglês. O segundo, experiente e muito forte na marcação. Juntos têm formado uma autêntica muralha de betão na defesa blue. No lado direito da defesa, Eriksson incialmente apostou em Corluka, um jogador muito interessante, que nos últimos jogos subiu para o meio campo, como médio de transição tendo tido um excelente desempenho na posição, fazendo dupla com um médio que garante a segurança defensiva nessa zona nevrálgica do terreno: Dietmar Hamman. Onuhoa, tem sido recentemente o substituto de Corluka no lado direito da defesa.Também Richards jogou alguns jogos como lateral direito. À esquerda, o espanhol Garrido, ou Michael Ball. Nas alas o destaque vai para a velocidade do "torpedo" búlgaro, Martin Petrov, um extremo à antiga que encostado à linha lateral, explode em tremendas arrancadas, culminadas quase sempre com remates à baliza ou cruzamentos para a área. Do lado contrário, Ireland é a aposta frequente. Na frente, o italiano Bianchi, aposta do treinador sueco no início da época, tem vindo a perder o lugar para Darius Vassel ou Mpenza, tendo sempre um deles, nas suas costas a criatividade e explosão de Elano, este sim uma aposta regular de Eriksson. O City assenta o seu jogo num bloco médio/baixo e também nas rápidas transições ofensivas, contando para tal com a já referida velocidade do búlgaro Petrov e a técnica do brasileiro Elano que estão ambos a realizar uma época extraordinária.