Wednesday, October 28, 2009

Leituras

Sobre a hipocrisia em linha recta. in Tertúlia Benfiquista

Tuesday, October 27, 2009

Pornográfico

É o único adjectivo que me ocorre. Todos os outros que me vêm à cabeça estão mais que vistos. Ver as tabelinhas entre Aimar e Saviola, os piques de Di Maria, a exuberância de Jorge Jesus na área técnica e no final olhar para o placard e ver o resultado, é algo que de facto não pode ser aconselhável a pessoas nervosas e facilmente impressionáveis.
Os sintomas de algumas dessas mentes já se vão observando. Há quem estrebuche, quem se contorça, quem destile e vomite palavras que têm mais de comicidade do que desonestidade, o que torna tudo ainda mais saboroso para aqueles que vibram com os sucessivos espectáculos proporcionados pela equipa do Benfica. No entanto, a caravana lá vai passando e levando tudo à frente, arrastando todo um país atrás de si. E ainda faz filantropia, já que vai dando de comer aos mais necessitados, mesmo que estes por vezes sejam – como diz o povo – pobres e mal agradecidos. E a referência ao povo, quando se fala do Benfica, fica sempre bem...

Friday, October 23, 2009

Barrigada de golos (e de riso)

Mais impressionante que o futebol do Benfica, só mesmo a excentricidade daqueles escribas que, com uma manipulação argumentativa a roçar o surrealismo, tentam desvalorizar o axiomático brilhantismo de Jorge Jesus, Aimar, Saviola, Dí Maria e companhia, mesmo que esse estéril desígnio já só encontre paralelo nos castelos voadores que assombravam Dom Quixote.

Ultrapassada que está a fronteira que separa a tendência clubística do ridículo, já vale tudo.
Uma coisa é certa, para muitos desses ressentidos, o Benfica vai estar a fazer “o verdadeiro teste” jornada após jornada, enquanto que outros andarão a exibir o seu “estofo”, ainda que às custas de vitórias suadas frente a adversários de países onde o futebol é profissional há meia dúzia de anos…

Naturalmente que para os benfiquistas isto não passa de apenas mais uma (pequenina) componente do enorme espectáculo que tem sido o futebol benfiquista. Efeitos colaterais.

Sunday, October 18, 2009

Epílogo risível de uma (des)qualificação

De repente, após estrondosas vitórias frente às fortíssimas selecções da Hungria e Malta, e a uma conjugação de factores relacionados com terceiros (muita sorte teve a Dinamarca no jogo com a Suécia), eis que surgem umas trombetas anunciadoras da revelação apocalíptica: afinal “Queiroz é o homem”! A noção do ridículo não tem limites em muito cantinho desta nossa risível imprensa desportiva.
E o mais caricato é que para não falhar o seu terceiro apuramento para uma fase final, o professor ainda terá que ultrapassar o adversário do Play-off. E atenção, que talvez com excepção da Eslovénia, as outras três hipóteses são todas de um nível muitíssimo superior ao das últimas equipas que Portugal defrontou.

Monday, September 28, 2009

Dúvida

Lista dos jogadores com mais faltas sofridas*

Pablo Aimar (Benfica), 24
Bruno Gama (Rio Ave), 23
Alan (Sp. Braga), 20
Kanu (Marítimo), 19
Yontcha (Belenenses), 19
Rabiola (Olhanense), 19
Fucile (F.C. Porto), 17
Di María (Benfica), 17


Fonte: maisfutebol.iol.pt

Onde está o Hulk nesta lista?

Breve nota

O Benfica continua a encantar. Os jogadores têm sido uma das óbvias causas deste brilhantismo, contudo, o grande (enorme) obreiro deste encanto é, indubitavelmente, Jorge Jesus. As maiores adversidades que este Benfica vai encontrar durante a época, é certo e sabido, que serão cópias deste débil Leixões que visitou a Luz na última jornada – antijogo e muita boçalidade (qual agressividade qual quê). Jorge Jesus revela estar perfeitamente consciente disso…
Para os estruturalistas (também me incluo no grupo, embora num sub-grupo mais moderado), apetece perguntar: onde anda Luís Filipe Vieira? É que ninguém se lembra. Faz lembrar os bons velhos tempos do clube encarnado em que o Presidente só aparecia para os protocolos. A verdade é que um treinador competente faz muita, mesmo muita diferença.

Por falar em treinadores competentes, parece que a periodização táctica não resultou muito bem lá na ilha da Madeira. É normal, depois de Braga, Restelo e outras paragens, junta-se mais um desastre na carreira do treinador a quem se aplica um famoso adágio: muita parra, pouca uva…

Sobre o clássico, tendo em conta o antes, o durante e o depois, nem apetece dizer muita coisa… o que vale é que a seguir a ele houve um Benfica - Leixões que fez - por via do brilhantismo dos anfitriões - esquecê-lo muito rapidamente.

Monday, September 14, 2009

Ignorância ou incompetência?

Ao cuidado de alguns jornalistas da Sportv e de Bernardo Ribeiro do jornal Record.


LEI 11 - FORA-DE-JOGO

(...) Um jogador encontra-se em posição fora-de-jogo se estiver mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e o penúltimo adversário (...)


E são estes indivíduos que ganham a vida a falar e a escrever sobre futebol...

Monday, September 07, 2009

Tragicomédia

É difícil entender o espanto de alguns relativamente ao trajecto da selecção nacional nos últimos tempos. O jogo na Dinamarca foi apenas mais um acto da enorme tragicomédia que tem sido exibida ao mundo inteiro. Não se entende, sobretudo tendo em conta os sucessos que o "realizador" da obra tem ostentado ao longo da sua carreira. Será que alguém que ande minimamente atento ao fenómeno futebolístico acreditaria num espectáculo diferente deste? Não creio. Mas mais hilariante que o próprio espectáculo é o que se passa nos bastidores, com um conjunto de cómicos a conseguirem - sem se rirem! - argumentar que a culpa é de quem antecedeu o ex-adjunto de Ferguson, daquele que até foi campeão do mundo...

Monday, August 24, 2009

Curtas da jornada

1) Os adeptos de futebol saúdam o regresso de Hugo Viana ao futebol português (merecia outra camisola vestida...).

2) Ontem em Guimarães, um proscrito por um treinador fabricado pela imprensa tratou de mostrar a sua real valia, para quem ainda duvidava...Nuno Assis encheu o campo em Guimarães. Normal.

3) Nelo Vingada, por mais que tente, não consegue deixar de ser um manifesto representante dos mais velhos e piores hábitos do futebol luso. No final do jogo falou em desigualdade de critérios (?) e outras baboseiras, claro que não explicou, não podia explicar o inexplicável. Mas podia ter ficado calado. Pelo menos.

4) Mas já agora, falando em critérios, e desta vez com razão de ser, o FC Porto lá "desembrulhou" um jogo "complicadinho", graças a uma grande penalidade cuja avaliação não foi a mesma que se realizou noutros relvados e até noutras jornadas...

5) Em França o Bordeaux começou o campeonato da mesma forma com que tinha terminado o anterior: brilhante. E, claro, com um grande destaque que não deixa de ser um tremendo mistério. Gourcuff não teria lugar naquele depauperado meio-campo do AC Milan?

6) Por falar em Milão, acreditar que o outro clube da cidade, o Inter, poderá lutar pela conquista da Liga dos Campeões com aquele lote de médios, e sem Ibrahimovic, é das maiores anedotas deste início de temporada.

Monday, August 17, 2009

O embuste

Há muito que o digo. Este eternamente anunciado novo Mourinho não passa de um enorme embuste. Se alguém ainda tem dúvidas que reveja o jogo de ontem na Luz.
Diz o embuste que a sua equipa anulou o Benfica e que apesar de obrigada a jogar no seu meio campo nunca retirou os olhos da baliza adversária…

Na verdade o que se passou foi a anulação do futebol, já quanto aos olhos na baliza adversária, acredito que de facto tal tenha acontecido, mas apenas durante as inúmeras paragens que o jogo teve para que os jogadores do marítimo fossem assistidos.

São artimanhas como esta que o embuste colocou em prática ontem que amesquinham o nosso futebol e que contribuem para o êxodo de espectadores das bancadas dos nossos estádios.

Monday, August 10, 2009

Danos laterais


A pré-época do Benfica tem sido de sonho. Há muitos anos que não se viam as camisolas encarnadas serem protagonistas de um futebol tão agradável (talvez apenas com Fernando Santos a espaços).

Da época passada para esta a diferença é monstruosa. Apesar desta dissemelhança não ter sido muito difícil de prever, em função das qualidades que Jesus tem vindo a anunciar desde há muito, mas também devido às evidências mais do que provadas do embuste em que consiste Quique Flores.

Ainda assim, e porque a perfeição em futebol será sempre algo de intangível, existem uns “danos laterais” por resolver. Jorge Jesus gosta de ter laterais que, acima de tudo, sejam competentes do ponto de vista defensivo. Relativamente às acções ofensivas destes jogadores, Jesus não lhes dá a mesma importância. Apesar do losango, a largura é assegurada logo na primeira fase de construção pelos médios interiores e pela mobilidade de pelo menos uns dos dois avançados, portanto, laterais sobretudo têm que interpretar bem as acções defensivas individuais e colectivas. Evaldo (no Sp. Braga) e Rodrigo Alvim (Belenenses) são o paradigma de defesa lateral “preferido” de Jorge Jesus. Ora, Schaffer e Patric estão muito longe desse modelo, desde logo porque vêem de um futebol com um padrão táctico totalmente diferente do europeu, e como tal, terá que haver um necessário tempo de adaptação. No entanto, os dois laterais encerram em si algumas diferenças do ponto de vista técnico-táctico, diferenças essas que têm sido validadas nas primeiras opções do treinador. No caderno de encargos de Jorge Jesus, Patric está claramente uns furos abaixo do seu companheiro.

Sobre Schaffer, antes de mais gostaria de fazer aqui referência a uma opinião muito bem fundamentada, a qual subscrevo por inteiro.

Na lateral esquerda, o problema estará aparentemente resolvido com a contratação de César Peixoto – jogador da confiança de Jesus e que já está habituado às suas exigências. Se o internacional português não se afirmar na equipa, o risco de se ver repetido um dos grandes erros de casting da fase Quique é bem real: a utilização de David Luiz no lado esquerdo da linha defensiva…

Quanto a Patric, o caso é mais complicado. Para já porque o jogador já foi unanimemente eleito por imprensa, adeptos, blogosfera, e mais uns quantos, como o “patinho feio” do plantel desta época. E isso é um clássico na Luz. Faz sempre bem para exorcizar as emoções do terceiro anel. Até é engraçado que outro antigo “patinho feio” tenha sido resgatado para ocupar o seu lugar. Não interessa nada racionalizar e ter em conta que o jogador é jovem e que a sua formação foi feita a jogar como ala em sistemas de três centrais, não isso não interessa. O que é importante é ressalvar o facto de ter sido batido num lance de um contra um (sendo que o outro um era apenas Alexandre Pato!) e de ainda ter tido o desplante de cometer um pecado que até Maradona experimentou: falhar a conversão de uma grande penalidade…

Friday, July 31, 2009

Adeus, até sempre

Abandonou-nos hoje um grande treinador, mas sobretudo um grande homem que Portugal teve o privilégio de receber durante um largo período. Por cá foi feliz, por cá também enfrentou algumas agruras típicas, oriundas da mesquinhez de algumas espécimes do burgo...
Sempre senti uma profunda admiração por Bobby Robson, admiração essa que se fortaleceu com a leitura da sua autobiografia, que aproveito para recomendar outra vez.
Bobby Robson é daqueles seres que apesar de partirem deixam por cá marcas tão fortes que parece que afinal por cá continuam - é essa, afinal, a única imortalidade que podemos assegurar como sendo possível.

Sunday, July 19, 2009

Curtas de Verão


No Benfica, euforias de pré-época à parte, é de registar os bons sinais que a equipa orientada por Jorge Jesus tem revelado. Se compararmos com aquilo que foi a pré-época passada, as diferenças são abissais...
Jorge Jesus é dos poucos treinadores da actualidade que consegue juntar extremos, um nº 10 e dois pontas-de-lança no mesmo onze. Isto porque as suas equipas não têem sectores estanques para divisão de funções, as equipas orientadas pelo treinador da Reboleira são o paradigma de defender e atacar em bloco.

No Sporting, conversas de e sobre tótós à parte, a grande e única novidade chama-se Matías Fernandez. Para já causa alguma sensação, se o chileno será suficiente para aguentar o entusiasmo dos adeptos ao longo da época, é que já não se sabe...

No F.C. Porto, piratarias habituais de pré-época à parte, saem os abonos Lucho e Lizandro, entram para os substituir, Falcão, e no caso de Lucho González – têem que ser dois, um só não chega! – Valeri e Beluschi. Apesar de tudo, as indicações que a equipa deu até ao momento são positivas.

Quanto ao resto, há que destacar o Vitória de Setúbal do sinistro Azenha – a mais recente coqueluche da imprensa desportiva – que se assume, simultaneamente (!) seguidor de Sachi e Van Gaal e que assim que chegou ao Bonfim tratou de levar a cabo uma autêntica revolução, fazendo mesmo as malas a históricos do clube como Ricardo Chaves, Auri e outros. É certo que o F.C. Porto dará a ajuda já tradicional ao clube do Sado, mas mesmo assim, a curiosidade é grande relativamente a este projecto desportivo.

Outro menino bonito da imprensa, Domingos Paciência, vai lançando umas sobranceiras considerações acerca da época passada do seu actual clube. Apetece perguntar, mas quem é Domingos Paciência (o treinador)? E ficar por aqui...

Lá fora, para além da megalomania galáctica que se vive aqui ao lado, há que realçar a depauperação do Inter. A verdade é que se se confirmar a perda da sua jóia da coroa (Ibrahimovic), Mourinho terá mesmo que se virar para o esoterismo para poder competir com os crónicos candidatos a ganhar a Liga dos Campeões.

Monday, July 06, 2009

Leituras


O Templo do Povo

Um dos grandes mistérios da humanidade reside no entendimento da noção de idolatria por parte das massas em redor de um indivíduo. São vários os exemplos do passado a iluminar esta realidade e, embora os mais atentos estejam cientes dos constantes sinais de despotismo que os tiranos, desde muito cedo, alimentam, nem por isso a história se reescreve com novos capítulos nem com diferentes percepções dos indícios que perigosamente adivinham o futuro. É-me difícil assistir à cegueira generalizada das massas em função do seu líder tirano sem que, de dentro de mim, avancem aos tropeções cães raivosos em busca de um motivo, um só motivo que me faça explicar e entender a razão pela qual as pessoas, com ou sem olhos, sofrem de miopia no cérebro.
Assistindo ao discurso formatado de Vieira, na tomada de posse de mais um mandato no trono benfiquista, lembrei-me de um tal de Jim Jones, o homem que levou ao suicídio colectivo, em delírio e de livre vontade, um milhar de pessoas. Pessoas como nós, crentes e descrentes no mundo, pais, filhos, primos como nós, uns aos outros atirados, gente. O cerebelo engaiolado de milhares de pessoas na ideia de um homem e das suas loucuras.
Jim Jones convenceu o povo de que o caminho era ele que o conhecia e, com isso, permitiu-se todos os delírios que o mundo ainda estava para adivinhar: violência mental, violação física, humilhação, aniquilamento, desprezo e homicídio - tudo de forma perfeitamente natural e quase sem contestação (alguns, no fim da crença, desconfiaram do homem mas já seria demasiado tarde). Gente como nós. Pessoas como nós, que religiosamente seguiram aquele homem até à própria morte, desterrados na Guiana, entregues ao cultivo dos alimentos e ao desaparecimento da consciência e do pensamento próprio. No fim, devotados à causa, devotaram-se à morte e entregaram-se-lhe livres, inteiros e preenchidos por, com aquele gesto, seguirem viagem para o lado de lá com o seu líder. Entender isto? Não sei. Explicá-lo? Menos ainda. Só a certeza da incompreensão por tamanho delírio colectivo.
Ao ver o pavilhão da Luz repleto de benfiquistas em louca e desenfreada euforia, gritando "O Benfica é nosso até morrer", idolatrando em êxtase o tirano, não pude, não consegui, deixar de ver naqueles que gritavam a mesma alma de pedra daqueles que um dia foram ao encontro da sua própria demência, cruzando o canal do Panamá.
Ontem, 91,7 por cento dos benfiquistas votantes entregaram o Benfica a quem o desprezou, o humilhou e o desrespeitou. Ofereceram ao líder, de livre e espontânea vontade, a crença na obra feita - a obra dos terceiros e quartos lugares no campeonato (haverá tetra para a medalha de bronze?), a obra da mentira, do enxovalho, da contradição, da falsidade, da injustiça, da desvalorização do que é, ou do que foi?, este clube.
E o líder subiu ao palanque. Não riu porque os líderes não riem, não precisam. Leu o texto que o súbdito lhe escreveu e, ditas as banalidades que o povo queria ouvir, abandonou o local em ombros (mas cuidado com as intimidades), seguro de si e do seu próprio ego. Estava concluída a sessão.



Ricardo, O Templo do Povo, Ontem vi-te no Estádio da Luz

Monday, June 22, 2009

A caneta de aluguer

Quando não se está a refastelar em almoçaradas ou jantaradas (habitualmente pagas) no restaurante Catedral, no estádio da Luz, José Manuel Delgado é a voz do "dono" nas páginas do jornal “A Bola”. Isto é do conhecimento geral e portanto não espanta muito. No entanto, e como nos últimos tempos, a estratégia do “dono” é a do vale tudo, Delgado lança hoje nas páginas do jornal onde escreve, uma teoria da conspiração digna de poder – com um pouco mais de esforço, diga-se – dar corpo a uma série televisiva que possa ombrear com um qualquer prison break. A história que Delgado conta começa logo com um título pomposamente ridículo, fazendo alusão a um período da história do país – o período filipino e a um assalto espanhol ao Sport Lisboa e Benfica. Segundo fontes "altamente colocadas" – não se sabe muito bem onde, mas também não interessa muito – haveria uma operação, altamente complexa – de facto, a complexidade da tese é tanta que não se chega a perceber grande coisa da mesma – com várias entidades, fusões entre elas, algumas dessas fusões encontrando-se ainda no plano das previsões, empréstimos bancários. Enfim, uma salganhada apenas passível de ser engendrada por um jornalista (?!) como Delgado. A coisa mete a Prisa, a Cofina, a Mediacapital/TVI, uma tal de Mediapro, outras entidades que ainda não existem, e por aí fora, pelo meio José Eduardo Moniz é, para o articulista, o facilitador do negócio que viabilizaria a venda dos direitos televisivos dos jogos do Benfica à TVI. E Delgado até adianta, sem explicar como lá chega, o valor da negociata – oito milhões de euros / época!! Mas a tese não fica por aqui, não, isto ainda não é nada. Segundo as mesmas fontes “altamente colocadas”, O futebol do Benfica com Moniz seria colocado nas mãos de investidores privados…mais uma vez, a caneta de aluguer de Vieira se esquece de, para uma conclusão desta espécie, estabelecer um nexo de causalidade minimamente congruente e coerente, basta a garantia das fontes e da sua alegada boa “colocação”. Isto é o jornalismo que se pratica no jornal que em tempos chegou a ser uma referência da comunicação social, e até, da cultura portuguesa.

Mas José Manuel Delgado, não contente ainda com esta história fabulosa, na última página do jornal, no seu habitual espaço de opinião, tem o fantástico descaramento de pedir ao presidente demissionário da Assembleia Geral – aquele que compactuou com o maior golpe anti-democrático que o Benfica já viveu – para que seja benevolente para com Bruno Carvalho, no sentido de permitir a viabilização da sua candidatura, isto em nome da tradição democrática do clube, que merece ter um acto eleitoral que não seja de candidato único. Dá para acreditar nisto?!!

Thursday, June 18, 2009

A deriva benfiquista continua...

Hoje ficou a saber-se que a deriva desportiva do Sport Lisboa e Benfica irá continuar, para grande júbilo dos seus adversários e simultaneamente para grande desalento dos benfiquistas mais esclarecidos.
A “chico-espertice” de Luís Filipe Vieira deu este fruto e, portanto, o objectivo da mesma foi alcançado. No entanto, na cabeça dos mais esclarecidos, este atropelo da cultura e história do clube, não será esquecido tão cedo. Não bastava a Vieira ser o presidente cujo número de treinadores contratado é superior aos anos que leva de presidência do clube, não lhe bastava ser o presidente com piores resultados desportivos (numa lógica de rácio entre anos de presidência e títulos) da história do clube, não, Vieira tinha também que perpetrar este golpe baixo, que, repito, manchará indelevelmente a sua história no clube.

Agora resta ir assistindo a um filme que já é mais visto que a “Música no Coração”.
Todos os anos se vão vendendo novas ilusões, vai-se acenando com a obra feita (mas que raio, mal feito fora se em oito anos não houvesse obra para apresentar), e com um discurso demagógico assente num maniqueísmo patético de que de um lado está o único indivíduo competente e sério e do outro apenas se encontra uma legião de abutres, pára-quedistas, oportunistas e outras coisas que tais…no fim, o resultado é sempre o mesmo: o Benfica perde, a culpa é sempre de alguém, menos, claro está, do seu inimputável presidente.

Já o disse, e nunca é demais repetir, Vieira foi o homem providencial que teve um papel crucial numa fase muito delicada da vida do clube. É impossível não reconhecer isto. Contudo, este facto não pode fundamentar quase uma década de equívocos em termos de política desportiva e, pior ainda, a perpetuação de Vieira no cargo de presidente do Sport Lisboa e Benfica. Segundo esta lógica, António de Oliveira Salazar ou Adolf Hitler também se deveriam ter perpetuado no poder, afinal ambos recuperaram os respectivos países de situações profundamente caóticas sob quase todos os pontos de vista…

Monday, June 15, 2009

Leituras

"(...)Tivesse Vieira para as coisas do futebol, a intuição animal e o saber prático, intratável, que tem para estas coisas da política interna, e o Benfica já somaria um ror de títulos nacionais e internacionais.
Ou seja… se o presidente do Benfica fizesse gato-sapato dos adversários externos como faz dos adversários internos… imaginem, caros benfiquistas, como ia bordejado a ouro, a diamantes e a tacinhas de todos os tamanhos e feitios, o nosso palmarés desportivo dos últimos anos.(...)"


Leonor Pinhão, A BOLA, 11 de Junho 2009

Monday, June 08, 2009

Um grande apego...

Ora aqui está um acto de grande apego ao Sport Lisboa e Benfica. Um apego exagerado. Um apego que já é tudo menos desinteressado. Um apego que já é algo que não se coaduna com a história e cultura democráticas do clube encarnado. Este apego déspota e desenfreado revela, como todos os despotismos, que a sua única prioridade é a perpetuação do poder do apegado, mostrando também, de forma inequívoca, o seu temor em enfrentar possíveis candidatos num acto eleitoral que se deveria pretender de discussão salutar e imbuído do tal espírito que faz parte da genética benfiquista.

Sunday, June 07, 2009

Leituras

"(...) A verdade é que o prof. Carlos Queiroz é um treinador único. Sobretudo no sentido em que é o único treinador que eu conheço que, tendo à disposição simão Sabrosa e Nani, escolheria Luís Boa Morte como primeira opção. É possível que haja apenas uma posição nas qual a selecção de Portugal não tem qualquer problema: a de extremo. Carlos Queiroz conseguiu arranjar um. É preciso talento.
Quando se lamenta a escolha de Quique Flores para treinador do Benfica, é importante não esquecer que Carlos Queiroz chegou a ser hipótese. Muita sorte tivemos nós."


Ricardo Araújo Pereira, A BOLA, 7 de Junho 2009

Thursday, June 04, 2009

Never Ending Story

O Sport Lisboa e Benfica é como a água, está sempre em constante renovação. A coisa já é um lugar-comum.
Desde a época 2005-2006, que os disparates vêm sucedendo a um ritmo frenético. Contudo, neste momento só há um adjectivo capaz de qualificar a situação do clube: caótico.
Oficialmente o clube tem contrato com um treinador que já sabe há cerca de um mês ou mais (ele e o mundo) que não irá terminar o seu vínculo contratual. Enquanto clube e treinador se vão tentando entender quanto ao valor da indemnização, já se sabe (também há muito tempo) quem irá ser o seu sucessor, que entretanto também continua ao serviço de outro clube, com o qual tem contrato em vigor. Pelo meio desta salganhada, também já se contrataram dois ou três jogadores, não se sabe é se foram contratados com o aval do treinador em exercício ou do treinador a exercitar, ou, mais ridículo ainda, se sequer tiveram aval de algum deles.
Até o já clássico “roubo” de contratação, perpetrado pelo clube ressentido do norte, teve lugar.

A situação financeira, após uma época de avultado investimento, e sem qualquer retorno em termos de resultados, obriga a vender uma ou mais jóias da coroa – fala-se em Luisão, Cardozo e Dí Maria…tiros no pé, portanto.

O presidente quer a demissão dos órgãos sociais para provocar eleições antecipadas e com isso minar as hipóteses dos seus adversários, salvaguardando o seu absolutismo obsessivo que é pródigo em delírios com abutres e conspiradores vindos de todos os lados e outros tiques autocráticos.

No que respeita à gestão do futebol do Benfica, em traços gerais, a situação objectiva e conhecida é esta. E isto é a balbúrdia total que se tem repetido época após época. É uma história interminável, tal como indica o título deste texto. A diferença é que o Never Ending Story que foi um sucesso nas salas de cinema durante a década de 80 teve um final feliz, o mesmo não se poderá dizer desta história que o clube da Luz vai vivendo.
Naturalmente que deste quadro não se pode augurar nada de bom, nem sequer razoável. Mas atenção, parece que o clube foi distinguido pela terceira vez, como sendo marca de excelência

Todos os benfiquistas estarão seguramente satisfeitos com o novo estádio, com o centro de estágio, com o projecto olímpico, com a revitalização das modalidades, com o aumento do número de sócios, com a clínica e o canal Benfica, etc.
Mas…e o futebol? Como tem sido gerido o core business da empresa Benfica? Está á vista de todos. Quer dizer…nem todos, basta ler uma entrevista de Domingos Soares Oliveira no último número da revista mística, onde o guru se multiplica em considerações vácuas acerca da saúde empresarial do clube.

Importa abrir um parêntesis para deixar bem claro o seguinte: Luís Filipe Vieira foi o homem providencial numa fase terrível da vida do clube. Não o nego e sempre soube reconhecer essa importância. No entanto, dos muitos ciclos que o Benfica tem vindo a iniciar e a acabar, o ciclo do presidente é o único que justifica uma conclusão. O projecto desportivo para o futebol tem sido permanentemente adiado. O Benfica clube não ganha e com isso, a prazo, o Benfica empresa também estará em dificuldades. Não é preciso ser guru da Gestão para alcançar tão óbvia constatação.