Monday, January 26, 2009

Apreensão benfiquista

Antes de mais devo dizer que tenho imensa dificuldade em entender críticas públicas de um treinador dirigidas aos seus atletas. Ainda por cima neste caso em concreto, tendo em conta o desempenho do jogador em campo, durante os jogos, não se vislumbram fundamentos plausíveis que possam tornar essas críticas toleráveis. Diz Quique Flores que sobram capas de jornais a Reyes, em contraponto ao seu rendimento. Ora, esta mesma frase encaixaria também muito bem no próprio treinador. Não tenho memória (com excepção de Queiroz) de um treinador tão bem tratado pela nossa imprensa desportiva como Quique Flores, sendo que até uma biografia de Quique foi para as bancas, pouco tempo depois do espanhol aterrar em Portugal. Hoje mesmo, há um jornal que praticamente aplaude a atitude "disciplinadora" do treinador espanhol na conferência de imprensa do Restelo.

A verdade é que, em 5 meses de trabalho, o futebol do Benfica não entusiasma o menos exigente dos adeptos benfiquistas. Existe um extenso rol de aspectos de ordem técnico-táctica que levantam as mais sérias dúvidas e que causam algumas perplexidades a quem segue com atenção os jogos do clube encarnado. Entre outros, destaco a insistência num sistema táctico cujas fraquezas parecem ser exponenciadas no contexto do nosso futebol; para além do sistema, que como se sabe é apenas uma parte da equação, refira-se que em termos de modelo de jogo, a situação também não é muito diferente, com o processo ofensivo a centrar-se quase exclusivamente na profundidade de David Suazo; em termos de método, a aposta também ela restrita no ataque rápido e no contra-ataque, o que para um clube como o Benfica, parece algo curto; David Luiz a defesa- lateral esquerdo, parece-me ser uma má ideia (individual e colectiva); a aposta persistente em Bynia para a zona central do campo, onde Rúben Amorim, um dos melhores nesse sector, nunca mereceu uma oportunidade. Depois há o ostracismo a que certos jogadores do plantel foram/são votados, alguns sem que se perceba muito bem as razões para tal medida.
Para além disto tudo, é preciso também lembrar a deplorável campanha europeia que não pode ser branqueada com a posição no campeonato interno…

São sinais pouco tranquilizadores, diria mesmo que são sinais, que a juntar a este - que acabou por passar em claro, graças a mais uma gentileza da imprensa portuguesa para com Quique – acabam por causar muita e justificada apreensão no universo benfiquista.

Sunday, January 25, 2009

Parabéns...

...ao melhor futebolista português de todos os tempos e um dos melhores do mundo.


Memória eterna


Saturday, January 24, 2009

O grande circo...

O circo do futebol português continua. É preciso elogiar o arrojo e a falta de vergonha presentes nas actuações fantásticas de Jesualdo e Jorge Jesus na jornada de hoje. Já nem falo de outros patetas, pois relativamente a esses, ainda sou tentado a ter a esperança de que não se prestem – mais ainda – a figuras tristes.

A prestação de Jorge Jesus na conferência de imprensa foi quase comovente. Após ter visto (provavelmente por via do seu sistema on line) o saque a que a sua equipa foi sujeita, não lhe restou alternativa e sentiu-se obrigado a fazer referência a cada um dos casos do jogo, não obstante a parcimónia com que o fez, em contraponto à gritaria da última jornada…de facto, comovente.

Jesualdo, esse teve requintes da mais pura hipocrisia. Quando instado a comentar a arbitragem, esquivou-se, visivelmente incomodado, argumentando que isso é assunto que não é da sua conta. Esqueceu-se foi de dizer que tal constitui uma novidade. Então mas não foi Jesualdo quem ainda na última jornada comentou de forma crítica a arbitragem do jogo da sua equipa? E não satisfeito com isso, ainda se lembrou de comentar e avaliar a arbitragem do jogo de outra equipa, jogo esse que tinha acabado instantes antes do início do seu próprio jogo…então não foi ele que na antevisão do jogo que findou há pouco em Braga, falou em facturas de árbitros e coisas do género…patético.

Sempre quero ver como vai decorrer a ressaca da jornada durante a semana. Espero ansiosamente pelas reacções daqueles que não têm mais nada a que se agarrar que não seja o desgraçado do Calabote.

Monday, January 19, 2009

A vida difícil de Mourinho

A primeira volta da Liga Italiana chegou ao fim, e com uma estrondosa derrota do Inter de Milão em Bérgamo, frente à Atalanta, que só não foi mais humilhante por acaso. Apesar disso, os nerazurri de Mourinho persistem na liderança, agora com a Juventus mais próxima. O jogo deste fim-de-semana teve também a curiosidade de ter colocado frente a frente nos bancos das duas equipas, Mourinho e o seu sucessor no FC Porto, Del Neri.
Foi o pior resultado da época para o Inter, no entanto, a exibição dos nerazurri foi igual a muitas outras, ou seja, muito pobre, não obstante ter que se atribuir mérito à equipa de Bérgamo, que realizou uma grande partida.

Os últimos jogos do Inter para o campeonato têm sido extremamente complicados. Há duas jornadas, o empate em casa frente ao Cagliari foi bastante lisonjeiro para a equipa de Mourinho, que se livrou de uma humilhação embaraçosa graças a um lance de inspiração individual de Crespo e à inépcia dos atacantes da equipa da Sardenha…

Isto, já para não falar da enorme quantidade de jogos ganhos pela diferença mínima, com golos nos últimos minutos, e em alguns casos até irregulares, como aconteceu em Siena.

A liga italiana é mais complicada que a portuguesa ou até mesmo a inglesa, sobre isso não parecem existir grandes dúvidas e até já Mourinho deu conta disso publicamente.
Por exemplo, ao contrário de outras ligas, onde existe um padrão táctico perfeitamente reconhecido (em Inglaterra o 4-4-2 clássico, em Portugal o 4-3-3 e agora os híbridos 4-4-2 losango), no Calcio “tacticista”, temos de tudo um pouco, o 4-3-3 da Lazio, o 3-4-3 do Génova, o 3-5-2 do Nápoles, o 4-4-2 clássico da Atalanta que saiu vencedor no duelo com a outra variante do sistema (losango), precisamente no jogo a que se aludiu no início do texto. É a liga das “velhas raposas” do futebol, onde pontificam nomes como Delio Rossi (Lazio); Gasperini (Génova) ou Edoardo Reja (Nápoles), entre outros. Foi também por estes motivos que José Mourinho se quis juntar a esta liga, ciente porém, do desafio que iria encontrar.

Mas voltando ao futebol do Inter. De facto, qualquer semelhança com o FC Porto ou o Chelsea orientados pelo treinador português, é mera coincidência. As dificuldades começaram logo a fazer-se sentir ao nível da definição de um sistema de jogo. É sabida – sobretudo, olhando para trabalhos anteriores – a predilecção de Mourinho pelo 4-3-3, pelo menos numa primeira época. Depois, tal como o próprio já fez questão de afirmar num dos muitos livros escritos sobre ele, numa segunda época, dá preferência a outro dispositivo táctico, mais complexo, e como tal, que permita manter a motivação e a concentração da equipa. Essa opção tem sido o 4-4-2 losango. Tendo em conta estas premissas, e como o Inter não dispunha de médios-ala para além de Figo, contrataram-se Mancini e Quaresma para compor, assim, o 4-3-3. Acontece que o talento de Quaresma eclipsou-se mais uma vez após atravessar a fronteira. Depois há Ibrahimovic e Adriano (este, por si só, constituindo outra complexidade), duas fortes razões para o abandono do 4-3-3, algo que de facto se veio a verificar. O problema é que, olhando para o tal losango, não se consegue vislumbrar uma pontinha de criatividade, o que, obviamente, tem tido custos evidentes ao nível da construção do processo ofensivo. O ganês Muntari (outro reforço de Mourinho) parece também ter sido contratado na óptica do 4-3-3, sobretudo para dar robustez ao trio do meio campo. O futebol nerazurri tem assim vivido dos recuos de Zlatan Ibrahimovic para a zona de criação/construção e da profundidade dada por Maicon ao corredor lateral direito. Estes são os únicos movimentos que se vêem sistematizados na equipa, o resto tem sido a inspiração individual dos jogadores. Pressing? Nem vê-lo! Alto, médio ou baixo, nada que se assemelhe.

O sector defensivo (eventualmente com excesso de veterania) também necessitaria, porventura, de “sangue novo”, para responder de forma mais profícua aos imperativos da pressão alta. Ao que parece, o mercado não será parte da solução para estes problemas, pelo menos a avaliar pelos discursos de Mourinho e do presidente do clube.
Presume-se, também, que Para o treinador português não será fácil assumir a necessidade de recorrer ao mercado, o que seria o mesmo que reconhecer os seus erros de casting do início da temporada…

Apesar deste quadro pouco animador, o clube segue líder, e os principais rivais também têm as suas lacunas, para além disso, estamos a falar de um dos melhores treinadores da actualidade, pelo que as cenas dos próximos capítulos se revestem de um enorme interesse, sem dúvida.

Wednesday, January 14, 2009

A grande farra, os oportunistas e o cuspir para o ar...

Tenho andado entretido e, naturalmente divertido, com o patético alarido que se criou relativamente a uma, obviamente má arbitragem, mas que não merece, de forma alguma, tamanha algazarra.

Tem dado para tudo, desde o confrangedor balbuciar de Jorge Jesus e do seu presidente, às despudoradas e absurdas intervenções de um indivíduo com responsabilidades ao mais alto nível no futebol, e que, diga-se, a esse nível tem um passado muito pouco limpo, bem como a outros níveis…

Um dos lances ocorridos no Benfica-Braga que mais tem sido objecto de gritaria, foi o do golo validado. Dizem muitos que foi um lance “escandaloso”…

Ironicamente, ontem, a nossa arbitragem mostrou-nos o que é, de facto, um golo irregular escandaloso. Não é preciso explicar, pois não? Engraçado também, foi o facto de esse golo ter beneficiado um clube que, como é hábito, não perdeu muito tempo para se juntar à gritaria em torno do outro jogo…

Tuesday, January 13, 2009

Leituras

O moço de recados


Não conseguindo arranjar, em tão curto espaço de tempo, um excremento que se faça passar por livro para, sob o pretexto do seu lançamento num qualquer espaço cultural portuense de distinto recorte, vir vomitar a sua ‘fina ironia’, o indivíduo que manda no futebol português – e que foi condenado por corrupção - mandou um dos seus capangas vir a público vomitar um rol de alarvidades e lançar suspeitas idiotas. O lacaio em questão é Presidente de uma Câmara Municipal de uma bela cidade do Norte e, em tempos, como dirigente do Braga, acedeu a jogar uma final da Taça de Portugal com o clube condenado por corrupção nas Antas, o que é interessante.
Interessante também é o facto de, coincidência das coincidências, sob a sua presidência na Câmara, o clube da cidade ter o estádio pago exclusivamente com dinheiros públicos (à semelhança de uma outra infra-estrutura paga pelo erário público situada em Gaia) e depois fazer-se uso de um subterfúgio contratual para o usar como seu. Como interessante é o facto da promiscuidade entre o poder político e o futebol permitir que determinados autarcas (com cargos quase vitalícios) canalizem dinheiros públicos para orçamentos de clubes e SADs (de que a situação entre o Governo Regional da Madeira e o Marítimo também é um exemplo absolutamente atordoante) e promovam a concorrência desleal com clubes que vivem das suas fontes legítimas de receitas.

Diria que ataques ao Glorioso vindos de uma personagem deste calibre só podem significar que estamos no bom caminho.

Ah, só mais um pequeno pormenor. Este idóneo personagem é Presidente da Assembleia Geral da FPF e andou a fazer de anjo da guarda do Gonçalves Pereira (o famoso moço que gostava de brincar ao Terceiro Reich no Conselho de Justiça da FPF) até ao limite do nojo. Parece uma piada, mas não é. O país em que vivemos, esse sim, é uma piada. De mau gosto.



Gwaihir, Tertúlia Benfiquista

Monday, January 05, 2009

Pior que a lástima da Trofa...




"Quiero abrir mi carrera a Europa"

Quique Flores, ao El País


Sobre a exibição patética do Benfica na Trofa, não há muito a acrescentar ao que a generalidade dos comentadores disse ou escreveu. As debilidades e inconsistências que a equipa tem relevado também toda a gente as vislumbra com a maior das facilidades. Portanto, não haveria grandes novidades no dia seguinte ao jogo. No entanto, eis que surge esta extraordinária entrevista do treinador Quique Flores, cujo título é muito bem conseguido...
Apenas me ocorre uma palavra para descrever esta "descontraída conversa" do treinador espanhol: perturbante! Isto, claro, na perspectiva do adepto benfiquista.

Esta entrevista permite-nos ter mais informação relativamente ao pensamento do espanhol.
Ficamos a saber, entre muitas outras coisas, que Portugal fica no continente americano ou africano, ou então que é, quiçá, uma província de Espanha... Ficamos também a saber que a aspiração de Quique em rumar à Europa implica a necessidade de aprender línguas, e pela seguinte ordem: inglês, alemão e por último português...fantástico!

Ficamos a saber também que, para Flores, Reyes tem tendência a ser irregular, Capello, Wenger e Aguirre não conseguiram alterar isso, portanto...

Por último fica o elogio à cidade "muita aberta ao mar que oferece muitas expectativas" - talvez para partir para a Europa, acrescentaria eu..."Há que desfrutar da cidade", refere o espanhol. Pois...isso é que já não sei se será bem assim. É que os adeptos do Benfica não têm desfrutado de nada para além de uma mediocridade absoluta...




Tuesday, December 30, 2008

Ano novo e algumas lembranças do velho...


Tal como em muitas outras paragens, por aqui também se faz um esforço por recordar alguns factos futebolísticos assinaláveis neste ano que está a findar.

Foi ano de Campeonato da Europa, no qual a selecção espanhola tratou de desmontar o eterno mito da “fúria espanhola”, demonstrando ao planeta da bola, uma das mais belas lições de futebol. Ao leme da equipa esteve o velho Aragonês, algo que também contribuiu para desmistificar aquela velha lengalenga de que a ambição é um atributo exclusivo dos mais novos…
Por falar em mitos (e agora algo nada positivo), 2008 foi também o ano em que terminou um certo ciclo do futebol luso. Um ciclo de sucesso que terminou com o retorno de uma figura sistematicamente sobrevalorizada nos meandros do nosso futebol. Não foi preciso muito tempo para se perceber o tremendo erro que constituiu a aposta neste tão esperado regresso. Uma qualificação para o próximo Campeonato do Mundo, totalmente comprometida e uma humilhação apoteótica em terras de Vera Cruz frente a uma selecção brasileira que até se tem esforçado bastante por envergonhar a história do futebol canarinho…

Foi também o ano de Cristiano Ronaldo. Beneficiando de uma péssima época do Milan de Káká e de uma lesão que afastou Leo Messi durante a maior parte da temporada, Cristiano acabou por não ter rivais à altura na sua luta pela conquista de todos os prémios individuais. Diga-se, em abono da verdade, que o número de golos apontados na Liga Inglesa e na Liga dos Campeões são de facto algo que merece ser registado e que até apaga o mísero desempenho na Áustria e Suiça, pelo que os prémios acabam por ser justamente atribuídos ao jogador português. E Ronaldo que os aproveite bem, porque dificilmente voltará a estar próximo de os vencer de novo, sobretudo se Messi (e o Barcelona) continuar a jogar o que tem jogado…

Em 2008 terminaram as suas carreiras dois dos mais geniais jogadores portugueses de sempre. Ambos estão a ter brilhantes desempenhos nas actividades que entretanto abraçaram. João Pinto tem transportado a genialidade do jogador para o comentário e análise. Rui Costa foi capaz de trazer para o Benfica, mas sobretudo para o nosso depauperado futebol, jogadores com a classe de Pablo Aimar, José António Reyes e David Suazo. É obra…
Foi também em 2008 que se deram pequeninos, envergonhados, contudo assinaláveis passos (quiçá por serem os possíveis) no sentido de expurgar do futebol português a enorme podridão que há muitos anos o tem vindo a debilitar…

Este ano que termina dentro de algumas horas, foi também o ano em que a enorme “bolha” das finanças mundiais rebentou…algo que, naturalmente, também não deixou de afectar o futebol. Até Abramovich já pondera colocar o seu Chelsea no mercado…
Este assunto é propício para terminar este texto com aqueles lugares-comuns de votos de um ano melhor. Não vou por aí, é óbvio que se deseja um ano melhor, não apenas no que respeita às crises económicas e financeiras, mas em relação a tantas outras coisas que ano após ano constatamos estarem sempre na mesma, o que nos obriga a este repetitivo exercício dos votos e dos desejos contidos nas passas da meia-noite.

Resta-me desejar um óptimo 2009 a todos os que por aqui passam, e que a bola continue a rolar muito, pois acredito que o futebol continua a ser um dos melhores anti-depressivos para um mundo que constantemente se vai atormentando.

Tuesday, December 23, 2008

Desejo...

um óptimo Natal a todos os que por aqui passam.

Pés de barro...

O futebol luso despediu-se do ano de 2008 com um jogo onde o maior protagonista foi um árbitro que muitos teimam em considerar “o menos mau” do lote actualmente existente…

Este árbitro é, e sempre foi, uma enorme construção mediática, aliás, diga-se, tão à boa maneira portuguesa. Diz-se que apita “à inglesa...No fundo, ciente da sua enorme “boa imprensa”, o que este árbitro faz é gerir, quase sempre de forma desastrosa, esses predicados que lhe atribuem, acabando por denotar, em termos técnicos, enormes discrepâncias no que respeita à avaliação de muitas situações de jogo. Mas não pretendo dar mais importância àquilo que não a deveria ter num jogo de futebol.

Sobre o Benfica, é certo que mais uma vez jogou apenas meia parte do jogo. Persistem ainda muitos aspectos do futebol encarnado por definir e consolidar. No entanto, no jogo de ontem, muitos desses aspectos até nem foram muito evidentes, muito por força de ter tido como adversário uma equipa que representa bem um dos lados menos brilhantes do futebol português. Tenho alguma dificuldade em ouvir e ler certos comentários elogiosos acerca de Manuel Machado. As equipas orientadas por este treinador, até podem por vezes obter bons resultados, no entanto, um dos postulados da filosofia de jogo de Machado é o célebre e estafado “jogar para o pontinho”, algo que a pouco e pouco até tem vindo a ser alterado por acção de alguns novos treinadores que vão surgindo no nosso pequeno burgo.

Não vou criticar anacronismos tácticos como a marcação homem-a-homem e individual ou a alteração da estrutura posicional em função do adversário, pois cada um joga como pode e sabe, evidentemente, desde que dentro dos limites legais do jogo. No entanto, o que não está, de forma alguma, dentro desses limites é aquilo que comummente se designa por “anti-jogo”, algo em que as equipas orientadas por este treinador são useiras e vezeiras. Mas neste particular, a maior responsabilidade é, obviamente, da classe a que pertence o grande protagonista do jogo. A anuência sistemática deste tipo de abordagens, por parte dos homens do apito, é uma das principais causas de empobrecimento do nosso futebol.

Thursday, December 18, 2008

Exclamações

«Na Liga há pouco a discutir. Na Taça fizemos uma prova digna. A UEFA retrata o pior lado do da equipa. Esta competição é a que melhor retrata a imagem do Benfica dos últimos anos.»

Quique Flores, a seguir ao Benfica-Metalist



Há aqui qualquer coisa que não bate certo...

O ano passado, o Benfica ficou-se pelos oitavos-de-final da Taça Uefa.
Há duas épocas atrás, alcançou os quartos-de-final da mesma competição.
Há três épocas, chegou também aos quartos-de-final, mas da Liga dos Campeões.

Wednesday, December 17, 2008

Sobre o(s) momento(s) do Benfica

A esquizofrenia que circunda tudo o que se passa à volta do Benfica é algo com que o próprio Benfica tem que se habituar a conviver. Nem sempre é fácil, admite-se…
A imprensa desportiva é das coisas mais patéticas a este nível. As primeiras páginas com o tema Benfica são das coisas mais hilariantes que se possam imaginar. Se o Benfica ganha, logo emergem as referências à enorme sumptuosidade do futebol praticado, quer colectivo, quer ao nível do destaque a uma ou outra individualidade que também de imediato é colocada, com grande pompa, num altíssimo pedestal…
Se o Benfica perde, é o descalabro total. Tudo é posto em causa, desde o treinador, equipa, director desportivo, presidente, roupeiro…

Após a eliminação da Taça em Matosinhos, ainda por cima, frente à equipa da moda com o seu treinador da moda (a época passada era o Guimarães e Cajuda), tudo tem servido para arremessar ao clube encarnado. Uma das coisas que considero engraçadas, é aquela ideia de que o discurso de Quique Flores não foi suficientemente ambicioso e, como tal, não esteve à altura do clube – o treinador espanhol afirmou que houve melhorias da equipa neste jogo, face ao disputado para o campeonato e que o grande objectivo do clube, para esta época, é atingir um lugar que dê acesso à milionária Liga dos Campeões. É evidente que um clube com a dimensão do Benfica tem que ser sempre ambicioso, mal seria se um dia deixasse de o ser, contudo é necessário e até prudente contextualizar e relativizar as coisas, sob pena de se não o fizermos, cairmos no ridículo, que é o que acontece a muitos escribas que pululam por esta nossa redutora imprensa desportiva.

O Benfica esteve a saque durante 15 anos e conseguiu sobreviver, o que evidencia bem a sua dimensão. Dizem alguns, que esse facto obriga a que a lógica dos discursos e das acções dentro do clube se mantenha fiel ao contexto que antecedeu a era horribilis. Nada mais errado que este redutor e pouco avisado raciocínio. O facto de o Benfica resistir a 15 anos de pura pilhagem e consequente cataclismo futebolístico é sintomático da sua grandeza, mais ainda, se pensarmos que estamos a falar de um clube pertencente a um país como Portugal, e é aí que se encontra o busílis da questão. O Benfica é um clube português, não é inglês, espanhol ou italiano, nem mesmo alemão ou francês…
Um dos denominadores comuns dos clubes lendários é precisamente a capacidade de resistirem às grandes adversidades, a calamidades até. A diferença substantiva entre a crise de um Real Madrid ou de uma Juventus, comparativamente a uma crise do Benfica, reside na fase do recobro e aí entram os aspectos relacionados com o contexto socioeconómico em que os clubes se inserem. O restabelecimento do Benfica ainda está em curso e isso, tendo em conta o actual contexto social e económico do mundo em geral e do futebol em particular, é perfeitamente compreensível. Claro que para aqueles que têm na manipulação uma das mais importantes ferramentas do seu trabalho, isso não é assim tão óbvio…

Sunday, December 14, 2008

Regresso (com breves notas)

Depois de um interregno tão grande, torna-se um pouco complicado seleccionar um assunto que marque o retorno deste espaço. Assim, a opção é a de fazer uma breve e sintética resenha de diversos factos.

1 – A nível interno pouco há a destacar para além das façanhas do Leixões (que previsivelmente não persistirão durante muito mais tempo) e da genialidade de três reforços do Benfica para esta época, que pertencem claramente a uma dimensão muito distante da Liga Sagres.

2 – No Brasil terminou mais uma edição do Brasileirão. O São Paulo FC andou o campeonato toda numa descrição insuspeita, enquanto no topo da tabela se iam digladiando, essencialmente, Grémio e Cruzeiro, com Palmeiras e Flamengo à espreita. No entanto, na hora da verdade, lá apareceu, provavelmente, um dos clubes com melhor organização no mundo (no Brasil, seguramente o melhor a esse nível).

3- Em Itália a vida não é famosa para alguns emigrantes lusitanos. Quaresma, já se sabe, foi brindado com um galardão muito pouco prestigiante para quem até já teve uma aventura mal sucedida para além fronteiras…
Já quanto a Mourinho, não se pode dizer que a vida corra propriamente mal. O Inter lidera o campeonato e está apurado para os oitavos de final da Liga dos Campeões. O futebol da equipa é que é pouco mais que medíocre (e alguns resultados também têm merecido o adjectivo), sustentado em demasia em Ibrahimovic que se desgasta num sem-número de missões acabando por ser desperdiçado onde mais rende. Veremos que prendas de natal terá Moratti no sapatinho.

4 – O FC Barcelona está, muito provavelmente, a praticar o futebol mais espectacular desde o dream team de Cruyf f.

5 – Para finalizar, volta-se ao princípio. Carlos Queiroz continua a seu cruzada para destruir o que foi conseguido nos últimos anos, antes do seu catastrófico regresso a solo luso.

Sunday, November 02, 2008

Frases

“O que realmente é mau é o facto do Real Madrid, como clube do General Franco, ter uma história, antes da democracia chegar a Espanha, e por isso considerar que é capaz de conseguir tudo aquilo que quer“

Alex Ferguson

Friday, October 17, 2008

Sobre Cristiano Ronaldo

E porque não comentar sobre Cristiano Ronaldo? Serei eu o unico a ver que desde que ele passou pela estranha metamorfose como jogador de futebol, nao houve uma unica exibiçao decente pela selecçao e que muito nos ressentimos disso(sendo ele a nossa principal referencia) e que apenas um super-Deco no Europeu foi-nos garantindo a criatividade necessaria para fazermos 2 bons primeiros jogos?Passo a explicar. Lembro-me de toda a Inglaterra cair em cima de Ronaldo, desde o momento da sua chegada. Para eles, nao passava do "one trick pony", "no end product boy". Os ingleses estranhavam depois o nivel exibicional de Ronaldo pela selecçao, onde juntava às suas já conhecidas habilidades, produtividade. Era uma clara questao de inadaptaçao ao jogo ingles que ainda vai mantendo alguns traços que o distinguem do continental, embora o tempo do kick and rush ja la va ha muito.Ronaldo foi evoluindo nos pontos que precisava e sempre foi excelente nos jogos por Portugal(e criticado em Inglaterra ate 2005\2006), exceptuando o inicio do Mundial2006 onde se deixou levar pela ansiedade propria de quem tem demasiada pressa em afirmar-se como numero um.Para o estilo de jogo da nossa selecçao, aquele Ronaldo era ideal.Chega a epoca 2006\2007 e o prodigio explode. Nessa epoca foi quase perfeito. Era dinamico, criativo, tomava a responsabilidade de criar para a equipa, já tinha principios colectivos, aprendeu a jogar sem bola e a aparecer mais em zonas de finalizaçao e já estava melhor adaptado ao jogo de rapidas transiçoes de Inglaterra. Falado para melhor do Mundo com toda a justiça. Pela selecçao sempre bem, participando em 2 jogos que nos deixaram nos pincaros com o Brasil e a Belgica, exibiçoes faladas por todo o Mundo.Depois a estranha mudança, 2007\2008. Repentina. Incompreensivel. As razoes eu desconheço(talvez apresentar golos como argumento irrefutavel para os premios individuais?), mas Ronaldo parece outro jogador. Finalizador exterminador, letal, muito mais inteligente nos movimentos colectivos, muito menos à linha, sempre a procurar zonas interiores para finalizar. Mas infelizmente, as vantagens que adquiriu vieram acompanhadas de desvantagens...e graves! Perdeu muita da sua capacidade de drible, o seu toque suave parece perdido(a bola ja nao cola), a capacidade de mudança de direcçao, quando tenta desequilibrar acumula perdas de bola(ele nao se agarra demais À bola como dizem, o problema é perde-la quando tenta, ao contrario de antigamente). E ele tem 23 anos! Nao era para isto acontecer ja...Este novo Ronaldo, nós ainda nao sabemos bem o que lhe fazer na selecçao. Talvez Queiroz saiba melhor do que ninguem como enquadra-lo, mas para já tem falhado, embora o jogo com a Suecia estivesse longe de ser uma ma exibiçao, mesmo assim distante do que o antigo Ronaldo era capaz de produzir.

Comentário de Rui Azevedo ao texto (já agora, excelente) Ainda sobre o inicio de Queiroz..., publicado no jogo directo

Leituras

"Nunca esperei nada de muito significativo desta nova etapa da selecção nacional com Carlos Queiroz. Há demasiados anos que o vejo como um treinador banal de alta competição, bom programador ao que dizem, disciplinado e trabalhador, bem relacionado, que utiliza o servilismo de uma parte da imprensa portuguesa ("professor" para aqui, "professor" para ali) para esconder a falta dos atributos que mais devem habilitar um homem com as suas funções: carisma, capacidade de liderança e sagacidade nas opções técnicas, sobretudo a partir do banco.
A ausência destas qualidades, a que se soma a falta de experiência significativa como jogador, já fora anteriormente visada nas passagens pelo Sporting (onde não ganhou ao leme da melhor equipa dos últimos 20 anos do clube), pelo Real Madrid (onde foi despedido) e pela selecção (em que falhou o apuramento para o Mundial de 1994). Descontando o trabalho às ordens de Alex Fergusson, um verdadeiro líder cuja longevidade desesperou o actual seleccionador nacional e o fez agora abandonar Manchester, o resto foram experiências irrelevantes no futebol do terceiro mundo.
Queiroz continua a recolher ainda hoje os dividendos do investimento feito em 1989 e 1991 com os títulos mundiais de sub-20, quando levou ao limite a capacidade familiar de alguns jovens com qualidade futebolística para os manter perto de 250 dias em estágios sucessivos - coisa absolutamente anormal para o escalão e que alguns desses jovens pagaram de forma dura em termos académicos e culturais.
Dito isto, até a mim me escandaliza a agressividade com que a imprensa, nomeadamente a dos jornais desportivos, se atirou ao seleccionador depois do empate com a Albânia, mas o servilismo é mesmo assim: quando não retribuído, pode dar origem a ofensas soezes - e A Bola chamou-lhe agora burro com a mesma facilidade com que Queiroz ofendeu um dia o presidente do Sporting Clube de Portugal, Soares Franco."

(João Marcelino, Um descalabro chamado Queiroz, DNsport, 17/10/2008)

Wednesday, October 15, 2008

Portugal 0-0 Albânia

Qual será agora a reacção da enorme falange de apoio a Queiroz? Opções para desviar o assunto não faltam, desde logo Madaíl, que se pôs a jeito com o seu abandono antecipado da tribuna do estádio. Os jogadores também não escaparão ao crivo dos apóstolos de Queiroz, embora aqui, diga-se em abono da verdade, não sejam totalmente injustas as críticas que possam vir a ser feitas, sobretudo àquele que dizem ser o melhor jogador do mundo, que ontem voltou a repetir uma atitude ainda mais patética que a sua exibição.

No entanto, os bodes expiatórios podem não ficar por aqui, não se deve subestimar quem teve a extraordinária ginástica mental para justificar os maus resultados com o calendário da competição…

Escrevi aqui que a Albânia já não é a pêra doce de há uns anos, é certo, no entanto, a exibição da equipa portuguesa foi tão pobre, que neste caso penso – ao contrário da maioria das vezes – que tem que se sublinhar mais o demérito da equipa das quinas do que o mérito da equipa albanesa. A desorganização ofensiva da equipa portuguesa – promovida e exponenciada durante o jogo pelo seu treinador – foi um autêntico bónus para uma Albânia que jogou a maior parte do jogo em inferioridade numérica.

Se reconheci a lucidez de Queiroz nas declarações que fez antes do jogo, sou também obrigado a reconhecer a enorme inocuidade das suas declarações após o mesmo…

Cautelas e caldos de galinha

Diz-se que logo a selecção nacional joga “o jogo”. Isto é o mesmo que sublinhar a importância do mesmo nas contas do apuramento, tendo em conta os maus resultados verificados até ao momento, sobretudo a derrota de Alvalade.

Existe um grande optimismo relativamente a este jogo. A imprensa e a generalidade dos analistas advogam um “onze” ofensivo e em parte alguma vi qualquer tipo de comentário – no mínimo de carácter informativo – sobre a selecção albanesa.

A Albânia já não é a “pêra doce” de há uns anos. Liderada por uma velha glória do futebol total, Arie Haan, e com alguns jogadores a actuar nos grandes campeonatos europeus, casos do médio Lorik Cana (Marselha), do ponta-de-lança Bogdani (Chievo) - este já com muitos anos de calcio -, entre muitos outros que jogam na bundesliga, a selecção albanesa tem alcançado resultados interessantes e julgo que é preciso que a equipa portuguesa não caia na armadilha dos excessos de confiança. Pelo menos, a avaliar pelo discurso do seleccionador, penso que não terá motivos para isso...