Tuesday, February 22, 2011

Breves do Sporting e do Benfica

Todas e quaisquer dúvidas que ainda pudessem existir na cabeça de alguns sportinguistas relativamente à realidade do seu clube (tendo, sempre, como referência o Benfica), terão ficado dissipadas no jogo de ontem à noite. Para a maioria dos adeptos leoninos, uma vitória ontem seria a salvação da época. Colocar definitivamente um ponto final nas aspirações benfiquistas de vencer a liga, proporcionaria à nação verde e branca, um real momento de glória, mesmo encontrando-se essa nação mergulhada numa das maiores crises da sua existência.

Este choque com a realidade que está a assolar Alvalade, foi sendo adiado ao longo dos anos pela competência de um treinador, que também muitos daqueles que ontem quiseram imitar os terroristas das bolas de golf, e que acabaram a ser sovados por bastões, decidiram vaiar inúmeras vezes. Como esse próprio treinador afirmou após abandonar o clube, a sua prolongada permanência no cargo deveu-se, exclusivamente ao facto de ter ficado à frente do Benfica na classificação. Penso que esta asseveração é reveladora quanto à principal patologia sportinguista…

Relativamente ao Benfica, as imagens da última, quase vintena de jogos seria suficiente para calar os mais cépticos. Mas não. O ano passado, a meio da época, ainda havia uns quantos analistas que, estóicos, continuavam a ter visões apocalípticas sobre o momento da derrocada encarnada. Derrotados pelas evidências, mas não totalmente convencidos, este ano, após a entrada em falso – condimentada com algumas indecorosas arbitragens – do Benfica, deu-lhes a apetecida e ansiada represália. As capas do Jornal A Bola, foram do mais eloquentemente cáusticas que se possa imaginar, sobretudo no tratamento a Jorge Jesus. Agora, muitos estarão novamente a engolir o sapo.

Jorge Jesus demorou a acertar o passo. Não ficou isento de algumas críticas (inclusivamente por aqui), mas está a demonstrar à saciedade que é, de facto, de uma competência inatacável. Soube reconhecer alguns erros, e teve a paciência necessária para, em certa medida, com a mesma filosofia e algumas nuances ao modelo da época passada, devolver o futebol de nota artística elevada ao clube.

Importa também reconhecer a importância que teve a estrutura directiva para, no momento certo, saber defender e apoiar a equipa técnica. Também Luís Filipe Vieira soube aprender com erros do passado.

Thursday, February 03, 2011

Breves do clássico

Esta vitória do SL Benfica num campo tradicionalmente adverso tem muitos prismas de análise. Desde logo, a velha lengalenga das supostas invenções dos treinadores. Ontem, Jesus inventou Peixoto (grande risco sendo o jogador, como o próprio admitiu, o patinho feio do plantel) em detrimento de Aimar, mudando também a estrutura posicional da equipa, sobretudo para os momentos em que não teria bola. Se tem corrido mal, hoje o treinador do Benfica estaria a ver o seu nome ser inundado de impropérios oriundos de todos os quadrantes. Como correu bem, os epítetos vão de mestre a génio, e por aí fora…

Sobre a indiscutível vitória do Benfica, não há muito a dizer. Urge, no entanto, destacar algumas exibições individuais, não olvidando o facto da exibição e resultado se ter alicerçado, fundamentalmente, na organização colectiva e atitude de toda a equipa.

Sidnei: Enormíssima exibição, e já não é a primeira vez que denota este patamar de excelência naquele campo – fê-lo em 08-09, no empate a um golo. Também nessa noite, enfiou o – nessa altura, ainda mais circense – Hulk no “bolso”. Sidnei é a maior garantia de que David Luiz, não obstante ter sido transferido abaixo da cláusula de rescisão, acabou por ser bem vendido.

Fábio Coentrão: Está nos dois golos. Uma locomotiva que Paulo Baptista decidiu, pateticamente, retirar do espectáculo.

Javi Garcia: Muito provavelmente a próxima grande venda do Benfica (não contando com Coentrão, que segundo consta, já estará encaminhado para Madrid).

Luisão: O costume. A segurança absoluta. Este sim, se saísse, seria muito complicado suprir a sua falta.

Saviola: A par de Aimar, dos maiores luxos que o depauperado futebol luso poderia ter.

Monday, January 31, 2011

Breves do mercado

O mercado dá os últimos suspiros, e a notícia mais estrondosa é a saída de Liedson do Sporting! Depois disto o que se segue lá para os lados de Alvalade? Pior só o regresso de uma qualquer comissão presidencial composta por Sousa Cintra e Jorge Gonçalves…

Kléber seria um excelente substituto, mas esse já tem guia de marcha para o clube que servia de exemplo ao presidente que fugiu…

O definhamento do clube leonino chega a ser comovente…

Servirá, porventura, de consolo aos adeptos sportinguistas, o facto de não estarem sós no que respeita a tendências ruinosas. Lá por fora, o Liverpool parece estar em vias de ceder Fernando Torres ao Chelsea. Para já, está confirmada a aquisição de Andy Carrol ao Newcastle. O problema é que comparar o poste que tem marcado uns golitos para os magpies com El niño, é o mesmo que comparar patê de sardinha com caviar.

O Atlético de Madrid de Quique Flores também não se endireita desde que perdeu Simão Sabrosa para o magalómano projecto do Besiktas. O treinador também não dá grande ajuda quando se lembra de colocar um recém-contratado Elias – um dos melhores médios-centro brasileiros da actualidade – a jogar a extremo-esquerdo, ou defesa-direito…

Outra notícia, mais ou menos curiosa, é a saída de Carlos Freitas do Panathinaikos. Embora neste caso o que suscita maior interesse é estarmos perante mais um desaire de Jesualdo Ferreira – o segundo em cinco meses, o que só vem provar que, de facto, no clube portuense são as estruturas que mais ordenam, as legais e as outras…

Thursday, January 20, 2011

SSC Napoli: O despertar de um vulcão?


Distantes no tempo já começam a ficar as erupções que Diego Armando Maradona provocou no mítico S. Paolo e que agitaram toda uma cidade, já por si, dada a estes fenómenos. O vulcão S.Paolo, depois de um longo período de inactividade, e até adormecimento, parece estar a voltar a agitar o povo napolitano.

A glória da década de 80, em que o clube bateu o pé aos todo-poderosos do Norte, não será fácil de repetir, no entanto o clube azzurri, ostenta esta época uma equipa bastante interessante e que se encontra, para já, a discutir o título, posicionado na segunda posição da liga.

O mentor deste projecto dá pelo nome de Walter Mazzarri, e esta época tem sido a continuidade da época transacta, a qual desembocou numa posição europeia na tabela classificativa. A sua passagem em 2007/2008 e 2008/2009 na Sampdoria também já tinha dado boas indicações.
Desde logo, há que destacar uma particularidade técnico-táctica de Mazzarri: a sua preferência por sistemas de três centrais – foi assim em Génova, tem sido assim na cidade napolitana.

Paolo Cannavaro e Campagnaro têm, habitualmente, presença garatinda no eixo defensivo, sendo que a terceira posição tem vindo a ser ocupada alternadamente por Aronica e Grava. No meio-campo, ao centro, dois médios de contenção: Pazienza e Gargano (o benfiquista Yebda tem sido a alternativa mais recorrente); nos corredores laterais, dois alas “carrilleros”: Dossena na esquerda e Maggio na direita. No ataque reside a alma da equipa com o criativo Marek Hamsik, a alternar o seu posicionamento entre o corredor direito e o centro – o que faz oscilar o sistema entre o 3-4-3 e o 3-4-1-2 –, o velocíssimo e desequilibrador Ezequiel Lavezzi e o goleador Edinson Cavani (para já, melhor goleador do campeonato com 13 golos).

A equipa de Mazzarri, sobretudo quando joga em casa, costuma apresentar-se muito pressionante, compacta e sempre com a exploração da velocidade de Lavezzi – uma das suas maiores armas.
A construção de jogo passa, invariavelmente, pelos pés do eslovaco Hamsik, que, não raras vezes, costuma recuar no terreno para dar início a esse processo.

A única dúvida que resta relativamente às eventuais possibilidades de repetir as façanhas da década de 80, relaciona-se com a eventual falta de “banco” que o plantel napolitano tem, comparativamente com os colossos de Milão.

Thursday, December 30, 2010

Monday, December 06, 2010

Fluminense campeão brasileiro


O Fluminense sagrou-se ontem campeão brasileiro. A vitória é, antes de mais, uma resposta ao grande rival Flamengo que tinha conquistado há um ano a mesma prova, mas é, também, e sobretudo, a ultrapassagem de um trauma do clube e de alguns dos jogadores que vestem a tricolor das laranjeiras. Em 2008, o Fluminense após participar numa campanha verdadeiramente brilhante na Libertadores, acabou por baquear na final, naquilo que muitos apelidaram de segundo “maracanazzo”. A partir daí, o clube e equipa começaram a decair, atingindo o seu ponto mais baixo durante o campeonato passado andando na cauda da tabela a lutar para não descer. Esta época, o Fluminense, comandado pelo treinador mais vencedor do Brasil nas últimas épocas (Muricy ramalho), desde o início da prova que mostrou que a sua candidatura ao título não era brincadeira. Dário Conca, Washington, Fernando Henrique e colegas, não deram tréguas a Corinthians e Cruzeiro (mais directos adversários na tabela) e venceram aquele que é um dos mais competitivos campeonatos do mundo – há quem lhe chame o melhor campeonato do mundo. Subscrevo.

Tuesday, November 30, 2010

Os moralistas do comunicado de Aveiro - Best Of

Pedido emprestado ao "Tertúlia Benfiquista"

Monday, November 29, 2010

Cilindro

O Barcelona é um hino ao futebol. E desmonta os pressupostos em que o futebol moderno assenta - a velocidade, a força, a acutilância, o choque e o físico - tudo treta!
O Barcelona é a maior evidência de que este jogo não é para fortes e atletas. É para tecnicistas, criativos, e acima de tudo, inteligentes. Os modernos continuarão a vangloriar um defesa atlético e forte como Vidic, ao mesmo tempo que desprezam um Piqué! Elucidativo.

Dá-me gozo bestial ver aquele bando de baixinhos a rabiarem os atletas todos do Real. Porque, sim! Porque eu também aprendi a gostar de futebol com o Brasil de 82 e com o Barcelona de Cruyff.

Thursday, November 25, 2010

Até quando?

Derrota humilhante e trágica do Benfica na Liga dos Campeões.

A época já vai com 8 derrotas. Pior só naquela época do 6º lugar. Mas tendo em conta o que ainda falta jogar, esse número não estará assim tão inatingível…

Jorge Jesus é parte do problema, obviamente, mas não é o problema. É muito importante que se atente nisto.

No Benfica, há sensivelmente 10 anos que as culpas dos insucessos são atribuídas a jogadores, treinadores, directores desportivos, imprensa, adversários, roupeiros etc. Ao longo deste tempo, só uma pessoa – por sinal, apenas o responsável máximo do clube – passa sempre incólume pelas tempestades.

O Benfica é uma espécie de retrato do país, ou não fosse o clube mais representativo do mesmo – entre queixumes e lamúrias, lá nos vergamos ao peso da austeridade do Estado e dos Bancos, em bom português, comemos e calamos. Até quando?

Thursday, November 18, 2010

Desabafo sobre a competência


Em contraponto ao post anterior, e sobretudo, ao tempo do anterior seleccionador.


De facto, chega a ser gritante, e até desconcertante, a mutação ocorrida com o seleccionado luso.

Aquele futebol medonho que nos foi oferecido por Carlos Queiroz, foi substituído por um futebol alegre, fluído, de processos simples, e que até é capaz de espetar uma "chapa 4" na selecção campeã da Europa e do Mundo.


Mérito a Paulo Bento.

Sunday, November 07, 2010

Desabafo sobre a incompetência

E siga para Angola que há negociatas e outras lavagens em curso...

Inadmissível a incompetência de Jorge Jesus. O F.C. Porto ganharia este jogo de qualquer forma, quer-me parecer a mim e a toda a gente que vê pelo menos 90 minutos de futebol português por semana. Apesar disto, sem a ajuda de Jorge Jesus, não é crível que a coisa fosse tão fácil, e sobretudo, com contornos de humilhação.

Já não é a primeira vez que Jorge Jesus desenterra os pecados de Quique Flores e os resultados são , naturalmente, um desastre, foi assim em Anfield - embora, em boa verdade, não tenha achado nessa altura que a coisa tenha descambado por aí! - e hoje, então, não sobram dúvidas.

Se tenho criticado Jorge Jesus por algum descuido na abordagem estratégica que tem feito, sobretudo na Europa, isto é, numa certa insistência em jogar sem meio campo, achando que ramires e Dí Maria são substituíveis com facilidade, hoje sou obrigado a apontar-lhe o dedo em sentido inverso, ou seja, quando não havia necessidade de inventar, inventou, ou melhor, copiou opções que se viram desastradas vezes sem conta na era Quique, copiou uma opção que era o mote do anterior treinador do adversário de hoje, sobretudo na Europa - montou um "onze" e uma estratégia fundamentada no medo, no medo de um jogador. E isso normalmente não dá resultado.

Mas não se deve apontar o dedo só a Jesus. A abordagem a este jogo começou por ser logo um disparate em termos da sua organização logística. Toda a verborreia presidencial sobre a segurança ou falta dela nas deslocações ao Norte, bem como todo o aparato terceiro-mundista criado na sua sequência foram mais pontos entregues ao adversário.

Mas, tudo bem, os adeptos do Benfica podem ficar orgulhosos, pois têm um centro documental, o que, na opinião do presidente, vale mais que dois campeonatos...


Parabéns ao F.C. Porto (treinador e equipa) pelo futebol praticado esta época, não obstante os empurrões arbitrais (para a frente a uns e para trás a outros) do início.

Thursday, October 21, 2010

S.L. Benfica: uma análise


Tenho evitado comentar o percurso errático do Benfica neste início de época por razões diversas que não importa agora referir. No entanto, ontem tocou a sirene e não posso deixar de esboçar aqui o meu ponto de vista sobre a matéria.

Reconheci vezes sem conta (neste espaço também) Jorge Jesus como o grande obreiro da brilhante época passada, por isso sinto-me à vontade para lhe reconhecer a exclusiva responsabilidade naquilo que tem sido esta caricatura de Benfica.

Jorge Jesus continua a ser um treinador competente (para mim a seguir a Mourinho, o mais competente cá do burgo), no entanto, tem um pecado capital: a teimosia. Essa característica aliada a alguma basófia tem sido “a morte do artista”.

Jorge Jesus não abdica do seu modelo de jogo, que continua, diga-se, a ser fortíssimo, no entanto, por via da repetição, um processo torna-se facilmente mais compreensível, e os adversários do Benfica estarão esta época muito mais preparados para os jogos com os encarnados. Isto para além da óbvia necessidade de introduzir novos estímulos nos jogadores para que essa mesma repetição não os deixe demasiado relaxados – lembro a este propósito José Mourinho na segunda época do F.C. Porto em que alterou o sistema de jogo para que, precisamente, os jogadores mantivessem níveis de concentração (nos treinos e na competição) consentâneos com os objectivos da equipa.

Ora, Jorge Jesus não fez nada disto. Esboçou na pré-época um novo sistema de jogo, que, entretanto, engavetou algures. As saídas de Dí Maria e Ramires não foram devidamente acauteladas – aqui, porventura, não será apenas a Jorge Jesus que terão que ser assacadas responsabilidades…Se a ideia era replicar o “jogar” da época passada, a saída, sobretudo de Ramires, teria que ser colmatada. Não foi. Com os jogadores que tem, Jorge Jesus tem insistido na réplica da época passada. Até se pode compreender que, na essência, se mantivesse o modelo de jogo, mas as ausências de dois elementos tão estruturantes como eram Dí Maria e Ramires exigiam a introdução de algumas nuances estratégicas no modelo. O que se tem visto recorrentemente neste Benfica – e que nos jogos da Liga dos Campeões se torna demasiado evidente – é um meio-campo com menor capacidade de pressão, um meio-campo que após a perda da bola, seja em que zona do terreno for, expõe demasiado a equipa. O problema está na transição defensiva, o meio-campo não sustém o contra-golpe adversário. Isto associado ao facto de a equipa persistir no princípio de pressionar alto, conduz àquilo a que comummente se chama de “jogo partido”. Qualquer perda de bola no meio-campo ofensivo conduz invariavelmente a lances de perigo junto à grande área encarnada. Este é o problema que depois, naturalmente, faz sofrer a linha defensiva e conduz a análises desacertadas sobre a incapacidade da defesa e outras baboseiras que se ouvem e lêem por aí…

Jorge Jesus não pode continuar a jogar desta forma, sobretudo na Liga dos Campeões, onde até uma mente rígida e seguramente também teimosa, como Alex Ferguson, faz alterações estruturais na sua equipa, normalmente, retirando um avançado para poder reforçar o meio-campo. Ontem em Lyon então foi uma verdadeira façanha, com menos um jogador o treinador encarnado manteve um suicidário 4x3x2, contra um adversário que povoava muito bem a zona central do terreno. O Benfica ficou sem meio-campo, e os dois avançados na frente tornaram-se inócuos, só depois do segundo golo é que isto foi percebido, ou então foi para o desastre não ter outra expressão numérica no placard, aliás, pelas declarações no final do jogo, parece ter sido essa a ideia…

A questão que se coloca, e que muita gente tem oportunamente identificado, consiste na necessidade de dar ao meio-campo do Benfica uma maior capacidade defensiva e de pressão. Há Airton no banco, será que não cumpriria esse desiderato? Nem seria preciso alterar estruturalmente a equipa, poderia ocupar a posição que Ramires ocupava a época passada. Se tem servido para lateral direito não poderia servir para médio interior? Javi Garcia e a defesa do Benfica agradeceriam.

Jorge Jesus tem que perceber isto, sob pena de ficar na história do clube pelas melhores (já está) e pelas piores razões. O Benfica continua a ter excelente jogadores, continua a ter um modelo de jogo consistente, de longe o mais consistente da liga portuguesa com a mesma organização ofensiva da época passada, no entanto, há que corrigir este aspecto, e há, na minha perspectiva, condições e recursos para isso, basta apenas o treinador ter vontade de o fazer, porque competência não a perdeu de uma época para a outra.

Friday, September 10, 2010

ROUBALHEIRA

A merda que se viu hoje num estádio situado nesta merda de país, não tem qualificação.
Mas no fundo percebe-se. A corrupção, a podridão, os roubos, as frutas, todas as “filhas da putice” perpetradas por esta máfia toda que se encontra instalada no futebol português há décadas a fio, acabaram por passar todas impunes. Pinto da Costa anda aí à solta com a sua fina ironia a que uma cambada de acólitos jornalistas e outros passa a vida a bajular. O ladrão de apito que actuou hoje em Guimarães, foi há dias homenageado por um bando de desprezíveis trapaceiros, como Lourenço Pinto entre outros espécimes. Por isso é tudo normal. Este é o país do caso Casa Pia, do caso Freeport, dos Ministros que forjam licenciaturas e usurpam o erário público e privado, dos autarcas do saco azul, é o país onde vale a pena ser um enorme larápio. Quem quiser ascender na escala social com honestidade, que emigre, porque aqui nesta pocilga chamada Portugal, não se safa. Ora, o futebol não podia ser diferente. A merda é a mesma. O Porto tem que ser campeão este ano. Depois de um ano sem Champions League há que repor equilíbrios, os nomes são sempre os mesmos: Pinto da Costa, Lourenço Pinto, Joaquim Oliveira, o actual presidente da Liga de clubes, e até corre o rumor de que será José Lello o próximo presidente da Confraria Portuguesa de Futebol…

Isto só mudaria à laia de uma espécie de justiça popular. Algumas destas desprezíveis figuras merecia levar um aperto dos grandes, talvez seja a única maneira de alguma coisa mudar, porque senão, os roubos, os embustes, as fraudes, as corrupções e toda a espécie de patifarias continuará a ser desenvolvida com a maior das impunidades.

O Benfica tem uma força social tremenda e incomparável. Em um outro contexto histórico, social e cultural, potencialmente essa força materializar-se-ia em movimento social com a respectiva dinâmica. Mas vivemos na mais completa anomia, a que alguns chamam de pós-modernismo, ou de fim da história, entre outras tolices, daí as possibilidades dadas a todas as criaturas que nos vão trapaceando diariamente…

Sunday, September 05, 2010

Friday, August 27, 2010

Fatalismo estrutural


Ponto prévio: acredito firmemente que existem maiores probabilidades de sucesso com um treinador competente numa estrutura de clube fraca, do que o inverso.

Jorge Jesus foi o principal obreiro da brilhante época encarnada. Os elogios que foram feitos à estrutura (?) do futebol do clube da Luz foram apenas banha da cobra que foi e continua a ser, sistematicamente, vendida pelo jornal onde pontificam os maiores acólitos de Luís Filipe Vieira.

Este ano a máquina inquinou. Já se percebeu que a convicção referida no ponto prévio será posta à prova. Quando se sabe que Luís Filipe Vieira – invariavelmente aconselhado por elementos da SAD (!) – dá “negas” a jogadores pedidos pelo treinador, penso que está tudo dito quanto às reais capacidades que o clube terá para revalidar o título conquistado na época passada. A “substituição” de Ramires tarda em ser realizada (e já se diz que não irá ocorrer), enquanto isso, contratam-se Rodrigos e Alípios para pôr a rodar por aí…

O semblante de Jorge Jesus vale mais que mil palavras…

Juntando a isto tudo, a perda de crédito de Jorge Jesus, decorrente do seu bizarro fetiche com a altura dos guarda-redes, está composto o ramalhete para aqueles que, efectivamente, não percebem nada da poda, poderem desbaratar algo que foi tão brilhantemente conseguido na época anterior…veja-se o que aconteceu com Rui Costa que passou de uma época para a outra de responsável pelo futebol com plenos poderes, para uma “fase de aprendizagem”…

Claro que há, também, birrinhas evidentes, mas também é claro que essas, com uma estrutura à séria, também seriam facilmente resolúveis, nem que fosse ao estilo dos facínoras…

Posto isto tudo, e já à segunda jornada, apesar de ter o melhor plantel e o modelo de jogo mais consolidado e consistente, o Benfica dificilmente será bicampeão.

Tuesday, August 10, 2010

A chafurdice


Mais comovente que a patética prestação do seleccionado luso no último campeonato do mundo só mesmo ver Luís Filipe Vieira a ladear Pinto da Costa na defesa da mais pura das incompetências e patranhas que só têm paralelo – ou até ultrapassam, pelo menos em absurdo – com outras tramóias bem conhecidas, ocorridas há uns anitos atrás. Chega a ser tocante mesmo, ouvir Pinto da Costa (a mesma personagem das escutas do processo apito dourado) aparecer em público a utilizar, para defesa de Queiroz, o argumentário da credibilidade do futebol português!

Se a capacidade de Queiroz como seleccionador nacional – sempre camuflada com as baboseiras relacionadas com planos e projectos quinquenais que nunca ninguém, incluindo o próprio, soube explicar – fosse proporcional à sua capacidade para assinar contratos profícuos (ou neste caso concreto será mais correcto imputar responsabilidades ao chefe da confraria portuguesa de futebol?) e para sacar recursos (o maior investimento de sempre da confraria) e indemnizações, ficaria o país poupado a esta chafurdice toda.

Esta coisa da proporcionalidade tem, aliás, muito que se lhe diga. Basta recordar o linchamento desencadeado quando outro seleccionador tentou agredir um adversário, a quente, no meio de um jogo, e a indiferença obsequiada a outro que agride jornalistas em aeroportos e insulta médicos e responsáveis por organismos competentes na área do desporto.

No final disto tudo não nos admiremos se Queiroz ainda vier a colher mais uns trocos, surrealistamente, mantendo a ocupação que lhe permite continuar a brincar às selecções.

Tuesday, August 03, 2010

Notas de pré-época

Com o país a banhos, e na ressaca do Mundial de futebol, começou a silly season, no que ao futebol diz respeito, também.

Uma das coisas a merecer óbvio destaque é a aposta do campeão nacional na manutenção da estrutura que durante a época passada, brilhantemente, arrecadou o 32º título da história do clube. Futebolisticamente falando, do que se viu até agora, a máquina encarnada continua suficientemente oleada para que se reconheça, sem grande esforço, que a concorrência se encontra à distância. A considerável distância.

O Sp. Braga também mantém a sua aposta em reforços low cost que se destacaram a nível interno e a quem facilmente se antevêem épocas profícuas (Leandro Salino, Lima, Keita).

O Sporting tem apresentado um futebol razoavelmente organizado com alguns novos princípios de jogo já observáveis (pressão alta). Maniche e Pedro Mendes são um acrescento de algo que faltou em doses excessivas durante a época passada: experiência. No entanto, aquele 4x4x2 clássico levanta (pelo menos a mim) algumas reticências…

Quanto ao F.C. Porto, muito fraquinho. Ainda não se vislumbra rigorosamente nada de diferente, para melhor, relativamente à época passada. No torneio de Paris, viu-se uma equipa com imensas dificuldades na construção de jogo, sem zona de pressão definida e com um conjunto de jogadores para o sector defensivo que, no mínimo, deve deixar os adeptos portistas com os nervos em franja…

Do lado de lá do atlântico, a Confederação Brasileira de Futebol finalmente parece ter encontrado o caminho que fará regressar o futebol do país ao seu estado natural. Mano Menezes é um dos melhores treinadores brasileiros da actualidade. Quem viu o seu Grêmio e, mais recentemente, o seu Corinthians, percebe a enorme clivagem que existe entre as suas ideias e as que dominam o futebol brasileiro há décadas. Ninguém estará tão apetrechado como ele para encetar tamanha empreitada – o regresso do futebol-arte.

Monday, July 12, 2010

Espanha campeã do mundo: o triunfo de um futebol de autor

E pronto, terminou o Mundial, coroando aquela que foi a mais a mais forte equipa nele presente. A verdadeira Espanha, aquela que quase embriaga quem os vê jogar – que o diga Joakim Low – apareceu na meia-final, vulgarizando a até então muito incensada selecção alemã. Apenas o resultado pecou por escasso, pois o ritmo e a cadência da criação de oportunidades foram esmagadores.

Em síntese, este foi um Mundial pouco espectacular. Salvou-se esta Espanha que apareceu tarde, mas ainda a tempo; o sensacional e romântico (há muito que o epíteto não servia tão bem) Chile de El Loco Bielsa; e no que toca a equipas é tudo, pois o que se retém para além disto são desempenhos individuais: Messi, Fórlan, Muller, Ozil, Sneijder, Fábio Coentrão, Lahm, e claro, quase todos os espanhóis.

Esta selecção espanhola merecia ficar na história e juntar-se a Alemanha e França no grupo da “dobradinha”. Não apenas o grupo de brilhantes jogadores, mas também, e sobretudo, uma ideia futebolística, que é, em parte, decalcada do fabuloso tiki-taka catalão e que merece, e deve, ficar bem estampada na gesta dos mundiais de futebol. Diga-se em boa verdade que ontem houve um holandês que não terá ficado totalmente frustrado. A final do Soccer City escondeu uma interessante ironia. Esta pouco aparatosa Holanda com um futebol que envergonharia os seus antecessores (marcações individuais aos criativos espanhóis e uma desproporcionada agressividade) defrontava um futebol que deve bastante a um dos nomes máximos do “futebol total”. Johann Cruyff, e a filosofia que implementou na Catalunha, e que ainda hoje é sua marca distintiva, ontem foi derrotado e simultaneamente também um pouco vencedor.