Monday, June 28, 2010

Resta Messi

A partir de hoje a única coisa de jeito que resta a este Mundial, chama-se Lionel Messi.
A Holanda rendeu-se ao pragmatismo e ao bloco baixo, provavelmente é a aplicação do ditado “se não podes com eles junta-te a eles”! A Argentina vive da vertigem que Messi lhe imputa. A Espanha não sabe jogar mal, está lá o tiki-taka, porém é uma sombra da selecção campeã europeia em 2008. Do Brasil não é preciso dizer nada pois não? Desde 1982 que o futebol-arte leva pontapés e outros maus tratos das botas de Dungas e Filipes Melos.

O Chile perdeu. Vai embora. Bielsa é louco e será criticado por muitos pelo facto de ser fiel a um estilo e a uma ideia de jogo que encantou, tendo à sua disposição jogadores da segunda divisão inglesa e espanhola. Pena para o Chile? Não. Pena para o Mundial.

Thursday, June 17, 2010

[Mundial 2010] Chile: Afinal havia outra 'Roja'


É uma das minhas favoritas para sensação da prova.
A fase de qualificação (2º lugar a um ponto do 1º classificado) é um excelente cartão de visita. Tem um treinador que é dos mais competentes no seu país, mas sobretudo, tem uma conjunto de jogadores que transborda de talento. Matias Fernandez, Valdívia, Alexis Sanchez, Isla, entre outros, apresentaram ontem um futebol dos melhores que já se observou neste, para já, sensaborão torneio. Para uma maior solidez falta a esta selecção uma alternativa ao goleador Humberto Suazo, como ontem, também, facilmente se pôde constatar.

Tacticamente, a equipa chilena apresenta-se sempre muito bem organizada, e com uma estrutura e dinâmica altamente ofensivas. O sistema de jogo preferencial de Bielsa é o 3-4-3 com losango no meio campo. Foi esse o sistema mais recorrente durante a a fase de qualificação. Ontem o Chile entrou em campo, com uma linha de quatro defesas, e com dois “10” titulares – Valdívia e Matias – , um luxo! Na segunda parte, actuou com os três defesas.

Seguramente para acompanhar o percurso do sonho chileno.

Tuesday, June 15, 2010

Dúvida

Qual destes dois treinadores que hoje (também) se defrontaram - Eriksson ou Queiroz - é que trabalha há umas semanas com a sua equipa? É a grande dúvida que surge após visionar a prestação ridícula que foi oferecida ao mundo, pela selecção de Queiroz, esta tarde, algures na África do Sul...

Tuesday, June 08, 2010

[Mundial 2010] Espanha: Enfim favorita


É provavelmente o maior lote de talento presente no torneio, no entanto, só após o último Europeu, que conquistou com brilhantismo, é que começou a granjear o respeito e admiração da crítica. O mito da “fúria” foi varrido pelo vendaval de futebol ofensivo que “La Roja” exibiu pela Áustria e Suíça há dois anos atrás. A actual selecção espanhola continua fiel a esse estilo, e liderados pelo experiente Del Bosque, com um futebol, em boa medida, decalcado do brilhante tiki-taka do F.C. Barcelona, vai seguramente procurar o seu Olimpo na África do Sul.

Tacticamente quase que apetece resumir a coisa à mobilidade, e ao axioma da posse de bola, pois é isso que, acima de tudo, melhor define o futebol espanhol. E na realidade, durante a fase de qualificação houve alguma alternância das estruturas onde estes princípios couberam. Do 4-3-3 ao 4-4-2 clássico, passando pelo 4-2-3-1, Del Bosque sempre soube organizar a fabulosa matéria prima de que dispõe para dar corpo a um apuramento que se saldou por um pleno de vitórias (28 golos marcados e 5 sofridos). Quem tem Iniesta, Xavi, Silva, Villa, Torres e companhia, ainda por cima enquadrados numa consistente organização colectiva, só pode aspirar ao pleno de conquistar o ceptro mundial.

[Mundial 2010] Argentina: O génio e o caos


O génio e o caos são coisas que costumam andar lado a lado, e no Mundial de África do Sul também teremos a parelha presente na figura da selecção argentina. Bilardo oferece préstimos sexuais em conferências de imprensa, Maradona inicia os treinos de charuto na boca…assim entra a selecção das pampas no torneio mundial. Custa bastante entender as razões que estarão na origem das ausências de Cambiasso, Zanetti, ou Lucho González, bem como as chamadas de Véron, ou mais incompreensivelmente, de Martin Palermo. Na realidade, era possível fazer uma selecção argentina com não convocados que se poderia bater de igual para igual com a “mundialista”, senão vejamos: Garay, Zanneti, Cambiasso, Lucho, Riquelme, Aimar, Saviola, entre tantos outros. Cabe agora ao genial Maradona provar que as suas excêntricas opções foram as acertadas. Se acontecer, todos os críticos terão “que la chupar”!!

Do ponto de vista táctico não se espera grande organização e processos desta equipa argentina. A fórmula há-de ser a de 86, a que valeu o seu último título mundial, não estivessem agora ao leme da actual equipa, os mentores dessa conquista – Maradona e Bilardo. As escolhas para o meio campo são elucidativas. Rigidez defensiva assente no músculo e agressividade para soltar a velocidade e a criatividade dos avançados. Quanto a favoritismos, apesar de todo o caos, a Argentina é sempre uma clássica favorita, ainda para mais porque quem conta com Messi, Dí Maria, Aguero, Tévez, Milito e por aí fora, pode mesmo sonhar. Em 86 também foi mais ou menos assim, e aí havia só (!) o génio de Maradona.

[Mundial 2010] Holanda: A eterna laranja mecânica


É incontornável. A selecção holandesa normalmente costuma colher os maiores elogios, não raras vezes merecidos, diga-se. Sempre que oferecem um cheirinho daquele futebol móvel, ofensivo e criativo que se lhe colou como rótulo desde há muitas décadas, logo o mundo se apressa a puxar da memória – sem grande nexo por vezes – pela Holanda, o Ajax e o futebol total que encantou e revolucionou o mundo do futebol na década de 70.

Apesar dos exageros, é do conhecimento geral que, de facto, o futebol holandês tem “escola”, algo que é fielmente retratado pela sua selecção nacional e por muitos dos seus clubes. Salvo raras excepções, há na maioria dos treinadores holandeses uma preocupação evidente com a dimensão estética do jogo.

Neste mundial, espera-se uma Holanda um pouco parecida com aquela que nos foi apresentada no último Europeu. Uma equipa carregada de talento e criatividade do meio campo para a frente e com menor dose desses atributos atrás dessa linha, onde predomina, sobretudo, o músculo. Em 2008, apesar do brilho de Sneijder, Van Der Vaart, Kuiyt, e companhia, a equipa em campo dividia-se, muitas vezes, em dois blocos estanques – um que só atacava e outro que só defendia. Esta característica do seu jogo foi brilhantemente explorada – com alguma dose de ironia – pelo holandês e sagaz Hiddink, e a selecção laranja acabou por abandonar o certame mais cedo do que alguma crítica já fazia prever.

Na África do Sul, o lote de futebolistas não mudou muito, o seleccionador é, porém outro e aguarda-se com alguma curiosidade pelo desfecho desta participação.
Bert Van Marwijk, vencedor em 2002 da Taça Uefa ao serviço do Feyenoord, é agora o homem que comandará o sonho laranja.

Tacticamente espera-se uma Holanda que continuará a carrilar jogo pelas alas, apesar das dúvidas em torno de um dos seus melhores ocupantes (Arjen Robben), mas em que, à semelhança do que já ocorreu em 2008, o duplo pivô à frente do quarteto defensivo parece ser uma ideia firme, invertendo assim, aquilo que é a tradicional opção da dita escola holandesa, do 4-3-3 mais clássico, com apenas um pivô defensivo. Esta opção não deixará de estar relacionada com a necessidade de dar maior cobertura a uma linha defensiva que não acompanha o brilhantismo do sector mais avançado da equipa. Ainda assim, arrisco afirmar que, seguramente, haverá espectáculo nos jogos da equipa de Van Marwijk. Quanto ao favoritismo, não. A Holanda não é historicamente favorita. Espera-se dela o já referido espectáculo mas que, contudo, não passa de alimento para os românticos, pois o alcance do título mundial será sempre, na mente de muitos, uma eterna quimera para os estéticos holandeses. Eu acredito que um dia, à semelhança do que aconteceu com a "fúria" espanhola, este mito em torno do futebol holandês acabará por cair e consagrar este futebol como ele efectivamente merece.

Saturday, May 29, 2010

A contenda sem fim e sem vencedor

Não obstante o Mundial de futebol estar mesmo aí à porta, o mundo futebolístico centra-se na contratação de Mourinho por parte do Real Madrid. Isto, por si só, revela quem é, ou o que é o treinador português no actual contexto do futebol mundial. O vídeo do comovente abraço a Materazzi que circula por aí, também é bastante revelador.

Devolver o título europeu ao Inter, após 45 anos de desesperada espera, não tem paralelo com outros feitos do setubalense. É que o F.C. Internazionale não é o Chelsea ou o F.C. Porto – clubes cuja afirmação tem uma vintena de anos. O clube de Milão é um clube lendário, é o clube de Herrera, de Fachetti, de Meazza, é um dos colossos do futebol italiano. Para além disso, o percurso na competição europeia este ano, teve muito mais brilho do que aquele que foi trilhado na anterior conquista em 2003/2004. A equipa italiana, esta época, afastou da competição os dois maiores favoritos a conquistá-la: o Chelsea e sobretudo o axiomático Barcelona.

No entanto, a opinião pública caminha em dois prismas de análise. O comum adepto, sem fazer grande análise ou reflexão, exalta esta vitória de Mourinho com grande entusiasmo patriótico. Depois há aqueles que, por obrigação, ou por prazer, se dedicam a reflectir qualquer coisinha acerca da bola que rola e dos homens responsáveis por isso. E neste grupo não há unanimismos, o que há, por assim dizer, são dois subgrupos, o dos resultadistas e o dos românticos. A velha e gasta discussão do futebol, a única contenda que nunca terá uma final nem um vencedor. O maniqueísmo da superioridade moral de um modelo de jogo face a outro é apanágio dos românticos que vêem no actual Barcelona o grande e insofismável paradigma. O pragmatismo relativista que advoga a subalternização dos meios ou da forma para que o objectivo do jogo – que é a vitória – seja alcançado é apanágio dos resultadistas, que este ano tiveram na equipa de Mourinho o seu grande paradigma. Naturalmente que, a variável patriotismo não pode ser excluída da equação argumentativa dos resultadistas, já que muitos dos que agora rejubilam com a conquista interista são os mesmos que vociferaram todo o tipo de injúrias relativamente à Grécia de Reaghel no Euro 2004.

Mas voltando ao confronto das duas facções. Afinal quem tem razão? Há várias categorias de argumentos a servir os dois lados da barricada. O argumentário estético e o científico, são, porém, os mais aproveitados. Quanto à questão estética, a coisa assemelha-se a dois homens casados. A mulher de um deles é uma top model, bela e curvilínea, a mulher do outro é mais vulgar, bonita mas não deslumbrante. No entanto, os dois homens são felizes na mesma medida. E, quanto à colagem da estética para este assunto fiquemo-nos por aqui, pois, naturalmente, não é meu objectivo trazer para a discussão conceitos como a estética ou a felicidade, já que isso obrigaria a um outro texto, uma outra reflexão.

Em relação à questão científica – chamemos-lhe assim – a discussão pode ser mais profunda. Van Gaal, no final do jogo afirmou, com uma indisfarçável azia, que vencer como o Inter tinha vencido era mais fácil. Será que trabalhar uma equipa com foco acentuado na organização defensiva é mais fácil do que trabalhar mais a organização ofensiva? O actual treinador campeão nacional, dizia há uns tempos que o papel do treinador é sobretudo mais determinante no trabalho ao nível da organização defensiva, pois a outra, está muito mais dependente da capacidade técnica e criatividade dos jogadores. Também Platini em tempos afirmou mais ou menos a mesma coisa. Para ele o trabalho do treinador circunscreve-se à organização ofensiva. A outra, a ofensiva, depende muito mais das capacidades dos jogadores.

Esta discussão jamais terá fim, e também jamais terá um detentor da razão. A única coisa válida que se pode extrair desta altercação toda é que para a história fica o incontestável título do Inter, genialmente conquistado. Por outro lado, o brilhante e sedutor futebol do Barcelona também não fica minimamente beliscado ou posto em causa em função da eliminatória que perdeu para a equipa italiana.

Saturday, May 22, 2010

Leituras [genial]

Rap Queiroz *


Hi guys, Olá pessoal!
Eu sou o Carlos Queiroz Treinador de Portugal
I got a feeling, um pressentimento!
Só nos falta entrosamento
O início foi mau, muito passe errado
Talento não se compra no supermercado
Não posso dizer que jogámos bem
Começámos nervosos, inseguros

Sem pontas-de-lança puros
Mas está tudo programado
Não temos medo de nada
Tivemos os jogos na mão
O árbitro não marcou penálti
Futebol é agonia, há noites assim
Contra a Dinamarca, 37 remates
E no fim só deu empate

Ficámos muito desiludido
No Brasil, golos patéticos

Derrota pesada, frustrações
O Quim não tem futuro, yooooooo O Quim não tem futuro, yeaaahhh
Trocas de palavras azedas, empurrões
Correr com comentadores e jornalistas
Mas tudo normal com o Baptista
Pois são as más finalizações
Que me fazem cair o cabelo
Não conseguimos ganhar
Não sei como fazê-lo
Marcar golos e vencer
Se não alimentar a vaca
O leite vai secar
Ficaram cinco penáltis por marcar
Mas acredito que podemos lá chegar
Estamos a construir equipa sólida
A estratégia está montada
Para correr muito sem bola
sentir-me realizadoBastaram-me 45 minutos
Para ver que o Coentrão
Dava um belo lateral
E, olhem, nem estou a contar
Com o Pepe a defesa-central
Descobri no Simão

Bom intérprete do losango
João Moutinho uma encarnação
De caráter e talento
Sem espaço pelo regulamento
Liedson garante mais competência
Deco é uma referência
Eduardo o número um
Manuel Fernandes o lapso 51
Mas toda a minha esperança
É o Ronaldo fazer a diferença
O Quim não tem futuro, yooooooo O Quim não tem futuro, yeaaahhh
Ganhámos motivação
Nem queria estar na pele dos albaneses
Olhem nos olhos deles, Portugueses
Para verem a determinação
Grande coração
E também muita alma
Vitória arrancada a ferros
Cometemos muitos erros
Mas é preciso ter calma
É preciso sofrer
É preciso lutar
Correr com os talibãs
Que criticam a Seleção
Só volto a fazer a barba
Quando dois golos marcar
Nem que seja com ajuda
De Nossa Senhora de Nampula
Na Covilhã em altitude

Jogadores são gigantes
Com raça, entrega e atitude
Nalguns períodos brilhantes
Futebol sempre positivo
Muito consistente

Equipa serena e inteligente
Sabemos que o mais ganhar sem sofrer golos
Devemos sentir orgulho
Fazer estágio longe do barulho
Sem assobios nem lenços brancos
Quem não acredita fique em casa
Será diferente no Mundial
Vou mudar o chip mental
O Eriksson já comprou Comprimidos para a dor
No Brasil, cada jogador
Vai ter um Dunga na cabeça
E que ninguém se esqueça Que a Coreia corre todo o dia,
Nunca se cansa

Estamos no grupo da morte
Mas como nos mostrou a Bósnia
Levar três bolas no poste
Faz parte desta vida
Também é preciso sorte
Obrigado a quem confia
Se não fosse para ser campeão
Ter este sonho, esta ambição
De Manchester não saía
Só o Quim não tem futuro, yooooooo Só o Quim não tem futuro, yeaaahhh

* Co-autoria virtual com o Professor Carlos Queiroz, verdadeiro criador dos versos, ao longo dos últimos dois anos e ao ritmo de altos e baixos como a Seleção que dirige.

Autor: JOÃO QUERIDO MANHA Data: Terça-Feira, 18 Maio de 2010 - 18:00, in jornal Record

Tuesday, May 11, 2010

Benfica campeão 2009/2010




Sobre a conquista do 32º título do Sport Lisboa e Benfica – o maior e mais popular clube de Portugal – pouco há a acrescentar ao que já foi exaustivamente dito, com excepção, naturalmente, da prosápia néscia dos ressentidos do costume. O clube encarnado foi de uma superioridade avassaladoramente brilhante, pelo que, esta conquista foi o corolário dessa excelência que, jornada após jornada, nos foi oferecida por esses campos do país.

A festa foi bonita, e é, de facto, impressionante, voltar a constatar a força social desta centenária instituição, sobretudo se atentarmos à dimensão do país que a acolhe.
Cabe agora ao clube da Luz não deixar emperrar esta mola, tal como aconteceu após o título de 2004/2005, e continuar nesta senda que tem como destino, que é natural, a hegemonia em Portugal, e também, o regresso em força ao topo do futebol europeu.

Tuesday, April 13, 2010

Taxativo

«A entrada do Aimar foi determinante, mas o Sporting também não foi a mesma equipa na segunda parte. A sua primeira linha defensiva durante a primeira parte foi muito agressiva, não deixando o Benfica construir como está habituado. Tivemos dificuldades em passar a primeira linha defensiva do Sporting, mas sabíamos que, face à qualidade dos nossos jogadores, se colocássemos o adversário a correr defensivamente, não conseguiriam manter esse ritmo na segunda parte. Por isso, dominámos praticamente até chegarmos ao 2-0.»

Jorge Jesus

Friday, April 09, 2010

Disparates

Fazer análises por cima – tendo apenas como pano de fundo - dos resultados é para além de simplista, redutor. Que isso é o mote da generalidade da nossa imprensa desportiva, já todos o sabem. Ainda assim, é humanamente impossível ignorar a ignorância de uns quantos apaniguados que vão escrevinhando e tagarelando sobre os assuntos da bola.

Mas vamos aos disparates.

O défice físico da equipa do Benfica. Destaco-o como o primeiro disparate, pois uma equipa que esteve o jogo todo a procurar atacar a baliza adversária, que teve mais posse de bola e que correu mais que o adversário só poderá estar incapacitada fisicamente na cabeça de um tolinho.
As mexidas na defesa do Benfica. Não foi, naturalmente, por aí que o Benfica perdeu o jogo. É, repito, fácil, simplista, redutor, e até intelectualmente desonesto, analisar o jogo por esse prisma. O Benfica não foi suficientemente forte em transição defensiva porque do outro lado estava uma das equipas mais – e agora aproveito para usar uma expressão tão vulgarmente utilizada pelos analistas – cínicas do actual futebol europeu. O veneno do contra-ataque já deu uma Liga dos Campeões a este Liverpool de Bénitez, e logo contra o A.C. Milan.~

Os “reds” esperaram sossegadinhos pelo ataque dos “encarnados” que entraram em Anfield para marcar um golo e “matar” a eliminatória, e serviram-lhes o prato preferido do seu treinador – o veneno do contra-ataque. No entanto é preciso referir que o resultado começou a ser construído com um golo impossível de acontecer a este nível. Terá sido por aí – pela baliza – que o Benfica começou a perder o jogo. Mas mesmo nesse particular não é honesto questionar a opção do treinador encarnado, tendo em conta que o ex-guardião do Botafogo fez a carreira europeia toda até ontem, sem grandes sobressaltos.

Este foi o jogo que eu vi.

Monday, March 22, 2010

Brilhante

Dar a volta a um resultado e a uma eliminatória, na Liga Europa, frente a uma forte equipa que luta pelo título francês, e com um nível de brilhantismo que ficou patente desde o primeiro minuto do jogo no vélodrome, e já agora, contra uma arbitragem escandalosa. Entretanto, uns dias depois, aplicar uma "chapa três" no F.C. Porto, sem ser necessário acelerar muito, com 4 habituais titulares no banco e com o Bruno Alves à solta durante os 90 minutos. É obra!

Thursday, March 11, 2010

Regresso. Com algumas notas soltas

Após o maior interregno que este espaço já sofreu, e tendo, naturalmente, em conta a dificuldade em seleccionar um só tema para a sua revitalização, não me resta alternativa que não a de lançar umas quantas ideias soltas.

1) O último texto foi sobre vergonhas do nosso futebol, como tal, e para manter uma certa linha de coerência, nada como abrir com mais uma monumental vergonha, nomeadamente aquela que, em pleno aeroporto de Lisboa, nos revelou a mais pura face desse gentleman a que chamam professor Queiroz, e a quem, inusitadamente, atribuem a realização de uma revolução no futebol luso. Curioso o silêncio do seu mais afamado acólito na imprensa desportiva, logo esse que não poupou energias para provocar o maior arrufo moralista aquando do episódio de Scolari com Dragutinovic.


2) Continuando com a temática da selecção luso-brasileira, importa pensar na enorme incapacidade futebolística que nos foi mostrada no jogo contra a China. De facto, após tanto tempo de devaneios "queirozianos", custa a aceitar que ainda não exista uma ideia de equipa, um onze base consistente, já para não falar das inaceitáveis escolhas e ostracizações do peculiar seleccionador...


3) Na Liga Sagres, continua o S.L. Benfica a espalhar classe pelos relvados do burgo. Os detractores amparam-se agora, esgotada que está aquela caricata ideia da prova dos nove a que os encarnados teriam que estar sujeitos até sabe-se lá quando, numa estapafúrdia tese de que o clube da Luz tem sido beneficiado pela Comissão Disciplinar da Liga pelo facto de esta ter punido um jogador que segundo eles diziam, naturalmente antes da sua patética prestação em Londres, era um elemento muito influente no futebol portista. Claro que já só um ou dois tontinhos se atrevem a alimentar esta estapafúrdia teoria, a maioria tem optado por se calar para que não sejam objecto de natural e óbvia galhofa.

Tuesday, January 12, 2010

A falta de vergonha

Quando um dirigente que é sobejamente conhecido por ter sido o grande promotor da corrupção no futebol português nas últimas décadas, anda num rodopio verborreico que chega a roçar o ridículo de tão insistente que tem sido, está tudo dito quanto aos verdadeiros motivos e motivações da criatura. Houve tempos em que esta lengalenga surtia o efeito desejado. Agora, não se sabe se ainda surtirá, apenas o tempo o poderá esclarecer, contudo, uma coisa é certa, independentemente de tudo o resto, para além da óbvia falta de vergonha, falta também a autoridade desses outros tempos, e há um desespero e uma já muito evidente senilidade em toda a representação. A soma deste indicadores todos evidencia que, finalmente, algo está a mudar...

Saturday, January 02, 2010

Algumas notas de 2009

Do melhor que se viu em termos futebolísticos no ano findo, foi, inequivocamente, o futebol praticado pelo F.C. Barcelona, seguramente algo que ganhou um lugar na história do futebol. Depois da glorificação do “defensivismo” que tem vindo a crescer ano após ano, sensivelmente desde a década de 80, era necessário que surgisse um projecto futebolístico como é o de Pep Guardiola, e como também foi o do seu antecessor e mestre Cruiyff. Mas mais importante que isso é o facto de este projecto ser bem sucedido, isto é, ter resultados, e este Barca alcançou todos os títulos que poderia alcançar. Fantástico!

Se este ano os culés manterão essa bitola, é que já é algo que faz suscitar algumas reticências. Desde logo devido à eterna cultura de conflito instalada na instituição, que é, no fundo, uma das grandes razões da sua existência, senão a única mesmo – a afirmação perante o poder centralizador de Madrid, e que no futebol, é representado pelo Real Madrid. Normalmente depois de uma ou duas épocas de sucesso, o clube catalão afunda-se com imbróglios internos, politiquices e outras coisas do género, algo que não passa, afinal, do esvaziamento do balão da afirmação perante os rivais. Foi assim no tempo de Cruyff, foi assim há bem pouco tempo com Rijkaard, e este ano, já se começam a fazer sentir alguns sintomas disso mesmo. Basta andar atento à imprensa desportiva do país vizinho. É como diz um amigo meu: “o Barcelona não sabe ser feliz”.

Por cá, depois do rotundo falhanço que foi a aposta em Quique Flores, o SL Benfica parece, finalmente, ter encontrado um treinador capaz de devolver ao clube aquilo que dele anda arredado há tantos anos. O clube encarnado tem uma equipa à imagem de outras equipas memoráveis do seu passado e pratica um futebol fabuloso que tem arrastado a sua inigualável massa adepta atrás de si para todo o lado. A dinâmica é grande, dentro e fora dos relvados, e quando assim é, tudo se torna mais fácil. No entanto, como se sabe, a factura da grandeza por vezes é muito grande. E não falta quem esteja a esta hora a ranger os dentes com ânsia de uma derrocada do clube da Luz. Só em Maio, se saberá se este Benfica aliará à sua qualidade futebolística os indispensáveis resultados, mas para já, é a equipa, obviamente, mais talhada para o conseguir.

Por falar em derrocadas, do outro lado da segunda circular, rebentou a bolha da ilusão. Bastou aparecer um Benfica forte, e um intrometido Sp. Braga, para que afinal ficasse visto à saciedade que a política da míngua, associada a uma aposta forte no produto da Academia não é suficiente para andar em certas andanças. Os resultados dos últimos anos derivaram mais do demérito dos outros do que do mérito desta falaciosa estratégia, se é que se pode utilizar esta palavra. A coisa ainda piorou mais a partir do momento em que a âncora desta ideia de projecto desportivo, acabou por dar um murro na mesa e decidiu abandonar o barco. A partir desse momento o desnorte é total e até risível. Então não é que os alvos do mercado são os produtos da formação do eterno rival que até abandonou a actividade formativa durante anos…

Para finalizar, que 2010 traga muito espectáculo, é o que se deseja para que o mesmo nos vá fazendo esquecer as crises que nos assolam. É sem dúvida um excelente remédio, e este ano, ainda por cima, é ano de Mundial. Mas antes disso, ainda teremos agora a Taça das Nações Africanas já este mês.

Um óptimo 2010 para todos os que por aqui passam, com muita saúde, acima de tudo.

Monday, December 21, 2009

A queda de alguns mitos

O futebol português é pródigo em mitos. Alguns resumem-se a apenas duas palavras, como por exemplo, Carlos Queiroz. Outros há que são sustentados por teses mais complexas ou até mesmo ininteligíveis.

O jogo de ontem ajudou a derrubar o patético mito da força mental que emana não se sabe muito bem de onde e que invade todo e qualquer elemento que ao F.C. Porto esteja directa ou indirectamente ligado.

Afinal o que é essa treta da força mental? Resultará de alguma substância que, à imagem de uma boa obra de ficção cientifica, é administrada aos funcionários, e portanto, também aos jogadores? Não, nada disso. É apenas mais uma enorme baboseira que muitos analistas e comentadores (alguns com o estatuto de profisisonal) do nosso futebol vão alarvemente expelindo vezes sem conta, tal como foi ocorrendo ao longo desta semana que antecedeu o jogo.

Outro mito que ontem foi derrubado é um mito menor, no entanto não deixa de ser relevante fazer-lhe referência. O processo ofensivo do S.L. Benfica não está absolutamente dependente da brilhante capacidade - e conhecimento que ambos têm um do outro - de Javier Saviola e Pablo Aimar. É óbvio que estes dois juntos, só podem melhorar esse e outros processos em qualquer equipa do mundo, contudo, este Benfica, independentemente do brilhantismo destes dois e de outros, vale essencialmente pelo enquadramento táctico que o seu treinador tem trabalhado desde o primeiro dia da época.

Sunday, December 13, 2009

Descubra as diferenças


Têm a mesma profissão e encontram-se ambos munidos das mais conceituadas qualificações.
Um e outro ainda não confirmaram o potencial que muitos lhes reconheceram – e alguns continuam teimosamente e incompreensivelmente a reconhecer – para além de que coleccionam mais insucessos que sucessos ao longo das respectivas carreiras.

Um e outro ao chegarem ao seu actual posto de trabalho preocuparam-se mais consigo próprios do que com a real situação da entidade que os empregou. Quiseram marcar a diferença, obliterando e até enxovalhando o trabalho dos antecessores. Encetaram uma revolução que era de todo desaconselhável pois até o mais imberbe dos observadores sabe que a mesma, nos respectivos contextos, seria apenas contraproducente.

Um e outro não tiveram capacidade para perceber que a única coisa inteligente a ter sido feita era precisamente o contrário do que fizeram, ou seja, terem aproveitado qualquer coisa do que estava realizado – ainda que essa coisa fosse totalmente contrária às suas ideias, pelo menos era algo de consolidado – e terem construído aí o princípio de algo que, com o tempo, fosse, então sim, evoluindo no sentido das suas concepções para as respectivas entidades patronais. Mas não, a ânsia de afirmação tolheu-lhes a racionalidade e os resultados estão à vista.

A única, e se calhar grande diferença, é que um tem como colaboradores meia dúzia de executantes que estão entre os melhores da profissão, e também contou com alguma ajuda de terceiros para alcançar os seus intentos (ai se a Suécia ganha à Dinamarca…), já o outro não se pode gabar do mesmo…

Agora fazem todo o sentido as palavras de José Eduardo Bettencourt acerca das saudades que Paulo Bento acabaria por suscitar em algumas pessoas.

Monday, December 07, 2009

Flamengo campeão brasileiro

No Rio de Janeiro, e um pouco por todo o Brasil e resto do Mundo, onde quer que haja um brasileiro adepto das cores rubro-negras, iniciar-se-á um Carnaval bem antecipado. O Flamengo sagrou-se campeão brasileiro, 17 anos depois da última conquista, pondo assim fim à hegemonia que o São Paulo F.C. tem exibido nos últimos anos.

A equipa da Gávea foi guiada no banco por Andrade – uma velha glória do “mengão” que fez parte de uma das melhores equipas da história do clube, com Zico, Adílio, entre outros. Andrade pegou na equipa à 14ª jornada, ocupava esta a 7ª posição da tabela e de imediato se socorreu da experiência de alguns jogadores do plantel para iniciar este percurso glorioso que terminou ontem. O novo treinador também alterou aos poucos a maneira de jogar da equipa, desde logo, substituindo a habitual defesa a três que o seu antecessor utilizava, por uma linha de quatro defesas, estruturando a equipa em 4x4x2 ou 4x5x1.

Para além de estarem atrasados em relação às equipas que andaram o campeonato todo nos primeiros lugares, os rubro-negros viram-se privados de um dos seus mais influentes jogadores aquando da abertura da janela de transferências – Ibson partiu para o campeonato russo e deixou a equipa algo órfã de criatividade – o que adensou as dificuldades em termos de construção de jogo. E não foi apenas essa a única perda do clube. O avançado Obina partiu para o Palmeiras, Emerson para os Emirados Árabes Unidos, Josiel para o México...
Perante este quadro, o astuto Andrade deu a batuta do meio campo ao experiente Petkovic (37 anos), e claro, continuou a confiar na capacidade goleadora de Adriano. Não foi assim muito difícil para o Sérvio, em conjunto, com o "imperador" Adriano, tornarem-se os dois grandes símbolos da equipa, jornada após jornada.
Apesar disso, também outros jogadores merecem destaque nesta conquista. O defesa/ala Léo Moura, o também experiente Maldonado, o "meia" Zé Roberto e o guarda-redes Bruno, foram também figuras emblemáticas da equipa do Rio.

Ontem, com 85.000 nas bancadas do Maracanã, o Flamengo teve que sofrer, pois foi necessário dar a volta a um resultado desfavorável. O Grémio contribuía para que o seu arqui-rival Inter pudesse ser o campeão, no entanto, mais uma vez, foi a experiência a resolver a contenda. O sérvio Petkovic – que até estava para ser substituído nesse momento – bateu o pontapé de canto que materializaria o golo do título, marcado por um outro veterano do plantel. Ronaldo Angelim cabeceou a bola para o fundo das redes gremistas, dando assim o tão desejado título de campeão brasileiro ao maior clube do país.

Wednesday, December 02, 2009

Patetice sem limites

Assim se consegue manietar a mente de alguns espectadores atentos, mas pouco esclarecidos, do fenómeno futebol.
Para além disto ser uma cópia – portanto nem na patetice são originais –, é algo de um mau gosto inenarrável.
O que eu sugeria era um prémio do verborreico do ano para atribuir ao jornalista que tem as ideias mais patéticas e infelizes. O problema é que a lista de nomeados nunca mais acabava.