Friday, March 13, 2009

Hegemonia do futebol inglês!?

Segundo ano consecutivo em que o big four integra as 8 equipas finalistas da principal prova de clubes do velho continente. Muitos têm-se referido ao facto como a hegemonia do futebol inglês. No entanto, há uma questão que se impõe. Os quatro candidatos ao título inglês podem ser representantes de uma determinada ideia de futebol inglês? Apenas na medida em que são clubes que nasceram em terras de Sua Majestade e que integram a liga inglesa. Jogadores ingleses são raros nas quatro equipas. Passa-se o mesmo nas principais equipas das outras ligas, é certo. È a natural consequência de uma lei que se impunha no mundo do futebol, para que as coisas se harmonizassem com a sociedade globalizante que se vinha formando. Como tal, hoje em dia, faz pouco sentido falar em estilos. As idiossincrasias dos povos, outrora tão bem reflectidas no futebol, diluíram-se nestas autenticas torres de babel que pululam por essa Europa fora.

A Premier league é a liga europeia que alberga o maior número de jogadores estrangeiros. Fenómeno que é transversal a todos os clubes que a compõem, ao contrário da liga espanhola ou italiana, em que os candidatos ao título são aqueles que concentram um maior número de estrangeiros nos seus plantéis, algo que não encontra paralelo nos clubes "médios" e "pequenos". Esta situação tem tido, naturalmente, os seus custos para o futebol inglês, sobretudo ao nível do futebol de selecções. A suprema ironia reside no facto de aquele país que sempre olhou sobranceiro para o futebol praticado para lá do canal da mancha, ter acabado por se render a esse futebol e inclusive recrutar seleccionadores estrangeiros.

Voltando ao big four. Com excepção do Manchester United, qualquer semelhança com o futebol praticado pelas restantes equipas e aquilo que são (ou eram) as idiossincrasias do futebol inglês (ou britânico), só pode ser mera coincidência. E mesmo o Manchester United, nos últimos tempos, viu-se na contingência de ter que continentalizar um pouco mais o seu futebol.

O Liverpool então é a verdadeira antítese daquilo que ficou consolidado como o estilo inglês, para o qual, aliás, o clube de Anfield foi um importante contribuinte. Mantém-se o The Kop, o hino You never walk alone e a estátua de Shankly, num estádio onde agora, diariamente, se encontra um astuto treinador espanhol que, sempre de faces rosadas e bloco na mão, criou uma fortaleza futebolística, avessa a grandes espectáculos, mas que é terrivelmente eficaz, sobretudo em provas a eliminar. Falta-lhe ainda saber ser regular, mas essa é uma outra história…

O Chelsea, já antes de Mourinho, era um clube com uma certa tendência “internacionalista” – desde os tempos de Vialli, Gullit e Zola. Depois com Ranieri, e sobretudo José Mourinho, o clube adoptou um estilo futebolístico que também pouco ou nada tem a ver com um “estilo britânico” de jogar futebol.

O Arsenal de Wenger é talvez o produto mais contrastante com aquilo que será o “estilo inglês”. Futebol apoiado, de pé para pé. Um futebol que faz do controle de bola o seu grande e único axioma.

Há ainda outro aspecto que merece reflexão. Para além do big four, o que facilmente se constata é uma certa "leveza" competitiva dos clubes ingleses nas competições europeias (vulgo Taça Uefa).

Portanto, é algo delicado falar de hegemonia do futebol inglês, com excepção daquela época em que a Europa se rendeu verdadeiramente a um domínio avassalador de clubes ingleses, com treinadores ingleses (ou pelo menos britânicos), jogadores ingleses e um estilo futebolístico muito seu e muito próprio – o verdadeiro estilo inglês. Foi a época do brilhante Liverpool de Paisley, do Notthingham Forest de Brian Clough e do Aston Villa. Em nove épocas, esse futebol conquistou sete Taças dos Campeões Europeus.

Wednesday, March 11, 2009

Hecatombe leonina na Liga dos Campeões: um contributo sério para explicar o sucedido

Dos muitos disparates que têm surgido para explicar a derrocada do Sporting na Liga dos Campeões, um deles é verdadeiramente hilariante: o da diferença ao nível da qualidade dos jogadores dos dois clubes. É preciso recordar os mais desatentos que há bem pouco tempo, Sporting e Bayern estiveram em confronto para a mesma competição - os plantéis não foram muito alterados desde então - e o equilíbrio foi uma evidência, tendo mesmo os leões empatado no local onde agora foram profundamente humilhados. Portanto, é evidente que o que explica o desastre está muito para além das qualidades técnicas, tácticas ou físicas da equipa do Sporting...

O que está em causa são questões relacionadas com a política do clube/SAD, muito bem explanadas neste texto. Não é o modelo de jogo, é o modelo de gestão...

Outro aspecto que, porventura, não será alheio a esse rumo que as últimas direcções têm dado ao clube, é a manifesta fraqueza da relação entre os jogadores e o emblema que representam. Muitos jogadores parecem entender o clube como uma espécie de entreposto, onde se formam, debutam e se preparam para dar o salto para outras paragens futebolísticas...

Friday, March 06, 2009

Entrevista de Queiroz ao "Pontapé de Saída"

Foi por entre os últimos (espero) sintomas de uma amigdalite que me atacou há uns dias que assisti à entrevista de Queiroz no programa "Pontapé de Saída".
Nada de novo. O mesmo estilo monocórdico e sorumbático de sempre que só não me fez travar uma luta árdua para não adormecer devido à referida inflamação que me assola. Quanto à essência, desta vez o professor optou por não atacar o seu antecessor, algo que, para além de não lhe ficar bem, não o tem favorecido nada, pelo contrário. Em síntese, foi um Queiroz demasiado justificativo, como bem fez questão de referir Camilo Lourenço, que por tal heresia, recebeu de pronto, uma séria reprimenda de Luís Freitas Lobo…

No meio do seu enfadonho discurso, percebe-se que o professor assume o grande objectivo de qualificar a selecção para o próximo mundial de futebol, mas também fica implícita a ideia de estar a iniciar um trabalho à semelhança do que foi feito há 20 anos atrás. Só não conseguiu foi explicar como é que, com os óbvios apertos relativos ao primeiro objectivo, poderão ser as duas coisas conciliáveis. Aliás, essa questão custou-lhe uma das poucas interpelações difíceis por parte dos comentadores residentes do programa (em particular Luís Freitas Lobo), e de facto, o professor não se saiu nada bem. E não se saiu bem, porque simplesmente seria impossível sair-se bem. Ele próprio numa das muitas entrevistas que deu durante a última semana, afirmou que foi contratado exclusivamente para preparar a Selecção A para as competições e somar pontos e que só se pronunciaria sobre as matérias que interferem a curto ou a médio prazo com o rendimento dessa equipa, se lhe perguntassem…ora isto é um contra-senso enorme.
A ideia que fica é a de que Queiroz, quando assinou o contrato com a Federação, estaria focado em ser só seleccionador nacional, com a assunção clara dos objectivos imediatos da qualificação para o mundial de África do Sul, no entanto, como as coisas têm corrido mal e as hipóteses de qualificação estão seriamente comprometidas, o professor começou a adoptar uma estratégia, de alguma maneira justificativa, ou seja, antevendo a previsível catástrofe da não qualificação, tem o argumento de que tem estado a trabalhar nos alicerces para o futuro – só à luz disto se percebe a estapafúrdia convocatória para o jogo com a Finlândia.

Depois veio a questão Liedson, e aqui, mais uma vez, e tentando escapar airosamente à questão de fundo numa primeira instância, acabou por entrar mais uma vez em contradição, e neste particular sem ter a ajuda dos seus auxiliares no programa…

Em suma, nada de novo, tal como referi no início. Apenas é de espantar a insistência em certas ideias profundamente descabidas como aquela de se acreditar que Queiroz seleccionador nacional A, possa cumprir com as exigências do cargo e ainda tenha que ser o renovador de todo o futebol nacional…

Thursday, February 26, 2009

Taça Uefa - 16 avos de final: uma observação

Das 16 equipas apuradas para os oitavos de final da Taça Uefa, apenas duas pertencem às ligas mais poderosas: a Udinese e o Manchester City. Cairam a Fiorentina, o Aston Villa, o Tottenham, o Valência e até o Milan…
Verifica-se existir, assim, uma situação diversa à que ocorre na Liga dos Campeões, onde, ano após ano, assistimos a uma passeata dos grandes clubes das ligas italiana, espanhola e inglesa.

É de assinalar, também, o ressurgimento dos clubes de leste, algo que já vem sendo uma tendência nos últimos anos. Da antiga URSS, estão presentes cinco clubes. Depois há de tudo um pouco: turcos, portugueses, alemães, franceses e até um surpreendente Aalborg, representante da Dinamarca que “despachou” o Deportivo de Espanha por concludentes 6-1 no total dos dois jogos!

Esta situação permite-nos, facilmente, concluir que o formato da prova maior deveria ser forçosamente alterado. A grande diferença entre as “grandes ligas” e as outras, reside mais nos topos das tabelas classificativas, onde se encontram, precisamente, aqueles que têm acesso directo ou semi-directo à prova, porque quanto ao resto, as diferenças são ténues ou mesmo nenhumas. Torna-se evidente que seria mais interessante que pudessem entrar mais equipas campeãs de outras ligas que não as primeiras do ranking, restringindo e limitando as entradas oriundas destas. Penso que isto seria algo próximo do que Platini já defendeu há uns tempos atrás. Claro que uma alteração dessas teria implicações financeiras já não tão interessantes para os senhores do futebol…

Sunday, February 22, 2009

Curtas, grossas e sem "floreados" sobre o derby

Porque é que o Sporting ganhou ao Benfica, e com contornos de "banho de bola" na segunda metade do jogo?


1) Porque jogou com um defesa lateral esquerdo nessa posição;

2) Porque jogou não jogou com um médio centro no lado direito do meio campo (no caso até poderia, pois o sistema contempla apenas médios interiores, a situação paralela seria jogar com um extremo como interior direito);

3) Porque o seu maior goleador não inicia o jogo sentado no banco de suplentes;

4) Porque há aspectos estratégicos (não estruturais) que mudam consoante o adversário.

Friday, February 20, 2009

Derby

Vésperas de grandes jogos misturam turbilhões de emoções, por vezes ambíguas, e até antagónicas. A coisa costuma durar, mais ou menos, uma semana. É tema de conversa em qualquer cantinho, da mesa de família à cadeira do barbeiro. Os jornais mostram-nos chorrilhos de páginas com jogos e intérpretes do passado, estatísticas, curiosidades e análises tácticas. No entanto, amanhã pelas 20:00, tudo isso se eclipsa para dar lugar ao jogo, e a uma nova história que passará a existir após o seu término, e que se juntará a mais de um século de outras tantas, para que na véspera do próximo confronto se repita tudo mais uma vez. No dia do jogo o país futebolístico afecto aos dois contendores (e não só) acorda tenso e ansioso, eufórico e angustiado, sendo que esse estado de quase psicose apenas será abandonado no momento do pontapé de saída.

À semelhança de outros derbys, o Sporting-Benfica ou Benfica-Sporting, acarreta uma carga simbólica e social que lhe transmite grande parte do seu encanto. Amanhã a cidade e o país dividem-se. De um lado, o clube nascido no seio da plebe, do outro, o clube fundado pela nobreza. Hoje, apesar de mais esbatidas essas diferenças, ainda se mantêm, e manter-se-ão naturalmente, óbvias reminiscências dessa génese social.

Para o jogo ninguém arrisca prognósticos, muito menos certezas, escapam apenas uns quantos mitos, como aquele que sustenta o favoritismo do antagonista que se encontra em “pior”momento…eu também não me atrevo a fazer a mais leve consideração a esse respeito, contudo, subscrevendo Afonso de Melo quando diz que o derby é como um romance cheio de personagens, tenho a certeza de que o que ficará para a história, será construído pelas personagens principais deste romance eterno: Suazo, Moutinho, Aimar, Liedson…

Tuesday, February 10, 2009

Os bravos do pelotão

Falar em blocos altos ou baixos ou pressing zonal em largura ou profundidade, deixa de fazer qualquer sentido quando um descarado embuste é sancionado por um árbitro, que desse modo, acaba por ter influência directa e objectiva no resultado do jogo.

Espero ansiosamente pelas reacções daqueles indivíduos que, despudorados, têm vindo a berrar, pateticamente, desde o Benfica-SC Braga, à semelhança do que já tinha sido feito durante toda a época 2004-2005. É preciso ter coragem para fazer este papel, quando se é adepto de um clube cujo presidente se encontra “suspenso” pela prática de corrupção desportiva.

Neste sentido, por exemplo, Rui Moreira é um bravo. Nos últimos tempos, o ilustre comentador tem revelado uma excitação, que até nem é habitual nele, barafustando, fazendo trocadilhos com a palavra “calabote”, entre outras recreações. É preciso audácia, de facto, para andar a figurar em público com um argumentário que se restringe ao desgraçado do Calabote num dos pratos da balança, quando no outro prato existem os casos Calheiros, os “quinhentinhos”, a agência Cosmos, o guarda Abel, a “fruta”, e tantos outros episódios que constituem a vergonha do futebol português das últimas décadas, e que este senhor e outros ignoram de forma olímpica.

Entretanto, Jesualdo Ferreira continua a brindar-nos com o seu já vasto repertório de velhacarias. Agora o professor, para além do futebol, parece também ter estendido os seus conhecimentos ao domínio da Física e quis partilhar as suas recentes descobertas com o grande público.

Thursday, February 05, 2009

Por falar em seriedade....

...esta convocatória é a sério?

A mulher de César não é, nem parece séria...

As palavras de Jesualdo depois do atropelamento que a sua equipa sofreu ontem em Alvalade não são para levar a sério, como aliás tem sido regra nas últimas declarações do professor. Jesualdo diz que não comenta arbitragens, depois de ter passado uma semana inteira a fazê-lo. Jesualdo diz que o “vermelho” a Fucile no Restelo, não foi nada de deliberado, quando o país inteiro assistiu à evidência da coisa. Portanto, quando Jesualdo ontem afirma que os objectivos da sua equipa para esta prova foram alcançados, só pode estar a querer esquivar-se às suas naturais e óbvias responsabilidades. A conversa do lançamento de jovens é uma enorme falácia. O professor apresentou um onze composto por aqueles jogadores que dele têm merecido os maiores elogios relativamente à sua afirmação na equipa…

A verdade é que Jesualdo está no fim da linha. O bom plantel que herdou está aos poucos a desmontar-se, e o professor não tem tido arte nem engenho – ao contrário do que o próprio e muitos outros querem fazer crer – para fazer a necessária transição. As “suas” contratações têm sido enormes fracassos. E agora Cissokho, Madrid e Varela (a confirmar-se na próxima época)…aguardemos para ver.

Monday, February 02, 2009

A essência do futebol

O golo de Mantorras na última jornada deu azo a muita prosa nos dias seguintes. Também não vou fugir à regra. Muitos são os que se interrogam sobre a espantosa relação de empatia que Mantorras tem com as bancadas. Relativamente a esse aspecto, Vítor Serpa apresentou, no jornal de que é Director, uma perspectiva que eu subscrevo totalmente e que passo a citar:

“... Julgo que as gentes benfiquistas vêem, no angolano, o que viam em muitos dos seus jogadores do passado. Um coração tão grande como a alma, uma alma tão grande como a vontade de ganhar e, como nesses tempos se dizia, de jogar à Benfica. Nos tempos modernos, os benfiquistas têm andado demasiado desiludidos com estrelas que insistem em brilhar sem suor e, talvez por isso, o futebol do clube, antes feito de emoção e de intensidade de jogo, foi-se tornando indolente e, não raras vezes, entediante. Por isso, quando Mantorras aquece, incendeia as bancadas de um fogo que parecia adormecido. E se mantorras entra em campo, faz um golo e, por culpa dele, o Benfia ganha, como ontem aconteceu, somam-se razões que a razão dos críticos e de toda a ordem de sábios do futebol parece desconhecer…”

(Vítor Serpa, A BOLA, 1/2/2009)

Vive-se o tempo do futebol racional. Um tempo que exaltou, de forma excessiva, a figura do treinador e onde diariamente proliferam, um pouco por todo o lado, as mais sofisticadas análises acerca do jogo. Num tempo destes, um fenómeno como Mantorras, é algo que possui (e apenas por breves instantes, o que lhe confere ainda mais fascínio) a capacidade de fazer transparecer a mais natural e verdadeira essência do futebol: a emoção.

Monday, January 26, 2009

Apreensão benfiquista

Antes de mais devo dizer que tenho imensa dificuldade em entender críticas públicas de um treinador dirigidas aos seus atletas. Ainda por cima neste caso em concreto, tendo em conta o desempenho do jogador em campo, durante os jogos, não se vislumbram fundamentos plausíveis que possam tornar essas críticas toleráveis. Diz Quique Flores que sobram capas de jornais a Reyes, em contraponto ao seu rendimento. Ora, esta mesma frase encaixaria também muito bem no próprio treinador. Não tenho memória (com excepção de Queiroz) de um treinador tão bem tratado pela nossa imprensa desportiva como Quique Flores, sendo que até uma biografia de Quique foi para as bancas, pouco tempo depois do espanhol aterrar em Portugal. Hoje mesmo, há um jornal que praticamente aplaude a atitude "disciplinadora" do treinador espanhol na conferência de imprensa do Restelo.

A verdade é que, em 5 meses de trabalho, o futebol do Benfica não entusiasma o menos exigente dos adeptos benfiquistas. Existe um extenso rol de aspectos de ordem técnico-táctica que levantam as mais sérias dúvidas e que causam algumas perplexidades a quem segue com atenção os jogos do clube encarnado. Entre outros, destaco a insistência num sistema táctico cujas fraquezas parecem ser exponenciadas no contexto do nosso futebol; para além do sistema, que como se sabe é apenas uma parte da equação, refira-se que em termos de modelo de jogo, a situação também não é muito diferente, com o processo ofensivo a centrar-se quase exclusivamente na profundidade de David Suazo; em termos de método, a aposta também ela restrita no ataque rápido e no contra-ataque, o que para um clube como o Benfica, parece algo curto; David Luiz a defesa- lateral esquerdo, parece-me ser uma má ideia (individual e colectiva); a aposta persistente em Bynia para a zona central do campo, onde Rúben Amorim, um dos melhores nesse sector, nunca mereceu uma oportunidade. Depois há o ostracismo a que certos jogadores do plantel foram/são votados, alguns sem que se perceba muito bem as razões para tal medida.
Para além disto tudo, é preciso também lembrar a deplorável campanha europeia que não pode ser branqueada com a posição no campeonato interno…

São sinais pouco tranquilizadores, diria mesmo que são sinais, que a juntar a este - que acabou por passar em claro, graças a mais uma gentileza da imprensa portuguesa para com Quique – acabam por causar muita e justificada apreensão no universo benfiquista.

Sunday, January 25, 2009

Parabéns...

...ao melhor futebolista português de todos os tempos e um dos melhores do mundo.


Memória eterna


Saturday, January 24, 2009

O grande circo...

O circo do futebol português continua. É preciso elogiar o arrojo e a falta de vergonha presentes nas actuações fantásticas de Jesualdo e Jorge Jesus na jornada de hoje. Já nem falo de outros patetas, pois relativamente a esses, ainda sou tentado a ter a esperança de que não se prestem – mais ainda – a figuras tristes.

A prestação de Jorge Jesus na conferência de imprensa foi quase comovente. Após ter visto (provavelmente por via do seu sistema on line) o saque a que a sua equipa foi sujeita, não lhe restou alternativa e sentiu-se obrigado a fazer referência a cada um dos casos do jogo, não obstante a parcimónia com que o fez, em contraponto à gritaria da última jornada…de facto, comovente.

Jesualdo, esse teve requintes da mais pura hipocrisia. Quando instado a comentar a arbitragem, esquivou-se, visivelmente incomodado, argumentando que isso é assunto que não é da sua conta. Esqueceu-se foi de dizer que tal constitui uma novidade. Então mas não foi Jesualdo quem ainda na última jornada comentou de forma crítica a arbitragem do jogo da sua equipa? E não satisfeito com isso, ainda se lembrou de comentar e avaliar a arbitragem do jogo de outra equipa, jogo esse que tinha acabado instantes antes do início do seu próprio jogo…então não foi ele que na antevisão do jogo que findou há pouco em Braga, falou em facturas de árbitros e coisas do género…patético.

Sempre quero ver como vai decorrer a ressaca da jornada durante a semana. Espero ansiosamente pelas reacções daqueles que não têm mais nada a que se agarrar que não seja o desgraçado do Calabote.

Monday, January 19, 2009

A vida difícil de Mourinho

A primeira volta da Liga Italiana chegou ao fim, e com uma estrondosa derrota do Inter de Milão em Bérgamo, frente à Atalanta, que só não foi mais humilhante por acaso. Apesar disso, os nerazurri de Mourinho persistem na liderança, agora com a Juventus mais próxima. O jogo deste fim-de-semana teve também a curiosidade de ter colocado frente a frente nos bancos das duas equipas, Mourinho e o seu sucessor no FC Porto, Del Neri.
Foi o pior resultado da época para o Inter, no entanto, a exibição dos nerazurri foi igual a muitas outras, ou seja, muito pobre, não obstante ter que se atribuir mérito à equipa de Bérgamo, que realizou uma grande partida.

Os últimos jogos do Inter para o campeonato têm sido extremamente complicados. Há duas jornadas, o empate em casa frente ao Cagliari foi bastante lisonjeiro para a equipa de Mourinho, que se livrou de uma humilhação embaraçosa graças a um lance de inspiração individual de Crespo e à inépcia dos atacantes da equipa da Sardenha…

Isto, já para não falar da enorme quantidade de jogos ganhos pela diferença mínima, com golos nos últimos minutos, e em alguns casos até irregulares, como aconteceu em Siena.

A liga italiana é mais complicada que a portuguesa ou até mesmo a inglesa, sobre isso não parecem existir grandes dúvidas e até já Mourinho deu conta disso publicamente.
Por exemplo, ao contrário de outras ligas, onde existe um padrão táctico perfeitamente reconhecido (em Inglaterra o 4-4-2 clássico, em Portugal o 4-3-3 e agora os híbridos 4-4-2 losango), no Calcio “tacticista”, temos de tudo um pouco, o 4-3-3 da Lazio, o 3-4-3 do Génova, o 3-5-2 do Nápoles, o 4-4-2 clássico da Atalanta que saiu vencedor no duelo com a outra variante do sistema (losango), precisamente no jogo a que se aludiu no início do texto. É a liga das “velhas raposas” do futebol, onde pontificam nomes como Delio Rossi (Lazio); Gasperini (Génova) ou Edoardo Reja (Nápoles), entre outros. Foi também por estes motivos que José Mourinho se quis juntar a esta liga, ciente porém, do desafio que iria encontrar.

Mas voltando ao futebol do Inter. De facto, qualquer semelhança com o FC Porto ou o Chelsea orientados pelo treinador português, é mera coincidência. As dificuldades começaram logo a fazer-se sentir ao nível da definição de um sistema de jogo. É sabida – sobretudo, olhando para trabalhos anteriores – a predilecção de Mourinho pelo 4-3-3, pelo menos numa primeira época. Depois, tal como o próprio já fez questão de afirmar num dos muitos livros escritos sobre ele, numa segunda época, dá preferência a outro dispositivo táctico, mais complexo, e como tal, que permita manter a motivação e a concentração da equipa. Essa opção tem sido o 4-4-2 losango. Tendo em conta estas premissas, e como o Inter não dispunha de médios-ala para além de Figo, contrataram-se Mancini e Quaresma para compor, assim, o 4-3-3. Acontece que o talento de Quaresma eclipsou-se mais uma vez após atravessar a fronteira. Depois há Ibrahimovic e Adriano (este, por si só, constituindo outra complexidade), duas fortes razões para o abandono do 4-3-3, algo que de facto se veio a verificar. O problema é que, olhando para o tal losango, não se consegue vislumbrar uma pontinha de criatividade, o que, obviamente, tem tido custos evidentes ao nível da construção do processo ofensivo. O ganês Muntari (outro reforço de Mourinho) parece também ter sido contratado na óptica do 4-3-3, sobretudo para dar robustez ao trio do meio campo. O futebol nerazurri tem assim vivido dos recuos de Zlatan Ibrahimovic para a zona de criação/construção e da profundidade dada por Maicon ao corredor lateral direito. Estes são os únicos movimentos que se vêem sistematizados na equipa, o resto tem sido a inspiração individual dos jogadores. Pressing? Nem vê-lo! Alto, médio ou baixo, nada que se assemelhe.

O sector defensivo (eventualmente com excesso de veterania) também necessitaria, porventura, de “sangue novo”, para responder de forma mais profícua aos imperativos da pressão alta. Ao que parece, o mercado não será parte da solução para estes problemas, pelo menos a avaliar pelos discursos de Mourinho e do presidente do clube.
Presume-se, também, que Para o treinador português não será fácil assumir a necessidade de recorrer ao mercado, o que seria o mesmo que reconhecer os seus erros de casting do início da temporada…

Apesar deste quadro pouco animador, o clube segue líder, e os principais rivais também têm as suas lacunas, para além disso, estamos a falar de um dos melhores treinadores da actualidade, pelo que as cenas dos próximos capítulos se revestem de um enorme interesse, sem dúvida.

Wednesday, January 14, 2009

A grande farra, os oportunistas e o cuspir para o ar...

Tenho andado entretido e, naturalmente divertido, com o patético alarido que se criou relativamente a uma, obviamente má arbitragem, mas que não merece, de forma alguma, tamanha algazarra.

Tem dado para tudo, desde o confrangedor balbuciar de Jorge Jesus e do seu presidente, às despudoradas e absurdas intervenções de um indivíduo com responsabilidades ao mais alto nível no futebol, e que, diga-se, a esse nível tem um passado muito pouco limpo, bem como a outros níveis…

Um dos lances ocorridos no Benfica-Braga que mais tem sido objecto de gritaria, foi o do golo validado. Dizem muitos que foi um lance “escandaloso”…

Ironicamente, ontem, a nossa arbitragem mostrou-nos o que é, de facto, um golo irregular escandaloso. Não é preciso explicar, pois não? Engraçado também, foi o facto de esse golo ter beneficiado um clube que, como é hábito, não perdeu muito tempo para se juntar à gritaria em torno do outro jogo…

Tuesday, January 13, 2009

Leituras

O moço de recados


Não conseguindo arranjar, em tão curto espaço de tempo, um excremento que se faça passar por livro para, sob o pretexto do seu lançamento num qualquer espaço cultural portuense de distinto recorte, vir vomitar a sua ‘fina ironia’, o indivíduo que manda no futebol português – e que foi condenado por corrupção - mandou um dos seus capangas vir a público vomitar um rol de alarvidades e lançar suspeitas idiotas. O lacaio em questão é Presidente de uma Câmara Municipal de uma bela cidade do Norte e, em tempos, como dirigente do Braga, acedeu a jogar uma final da Taça de Portugal com o clube condenado por corrupção nas Antas, o que é interessante.
Interessante também é o facto de, coincidência das coincidências, sob a sua presidência na Câmara, o clube da cidade ter o estádio pago exclusivamente com dinheiros públicos (à semelhança de uma outra infra-estrutura paga pelo erário público situada em Gaia) e depois fazer-se uso de um subterfúgio contratual para o usar como seu. Como interessante é o facto da promiscuidade entre o poder político e o futebol permitir que determinados autarcas (com cargos quase vitalícios) canalizem dinheiros públicos para orçamentos de clubes e SADs (de que a situação entre o Governo Regional da Madeira e o Marítimo também é um exemplo absolutamente atordoante) e promovam a concorrência desleal com clubes que vivem das suas fontes legítimas de receitas.

Diria que ataques ao Glorioso vindos de uma personagem deste calibre só podem significar que estamos no bom caminho.

Ah, só mais um pequeno pormenor. Este idóneo personagem é Presidente da Assembleia Geral da FPF e andou a fazer de anjo da guarda do Gonçalves Pereira (o famoso moço que gostava de brincar ao Terceiro Reich no Conselho de Justiça da FPF) até ao limite do nojo. Parece uma piada, mas não é. O país em que vivemos, esse sim, é uma piada. De mau gosto.



Gwaihir, Tertúlia Benfiquista

Monday, January 05, 2009

Pior que a lástima da Trofa...




"Quiero abrir mi carrera a Europa"

Quique Flores, ao El País


Sobre a exibição patética do Benfica na Trofa, não há muito a acrescentar ao que a generalidade dos comentadores disse ou escreveu. As debilidades e inconsistências que a equipa tem relevado também toda a gente as vislumbra com a maior das facilidades. Portanto, não haveria grandes novidades no dia seguinte ao jogo. No entanto, eis que surge esta extraordinária entrevista do treinador Quique Flores, cujo título é muito bem conseguido...
Apenas me ocorre uma palavra para descrever esta "descontraída conversa" do treinador espanhol: perturbante! Isto, claro, na perspectiva do adepto benfiquista.

Esta entrevista permite-nos ter mais informação relativamente ao pensamento do espanhol.
Ficamos a saber, entre muitas outras coisas, que Portugal fica no continente americano ou africano, ou então que é, quiçá, uma província de Espanha... Ficamos também a saber que a aspiração de Quique em rumar à Europa implica a necessidade de aprender línguas, e pela seguinte ordem: inglês, alemão e por último português...fantástico!

Ficamos a saber também que, para Flores, Reyes tem tendência a ser irregular, Capello, Wenger e Aguirre não conseguiram alterar isso, portanto...

Por último fica o elogio à cidade "muita aberta ao mar que oferece muitas expectativas" - talvez para partir para a Europa, acrescentaria eu..."Há que desfrutar da cidade", refere o espanhol. Pois...isso é que já não sei se será bem assim. É que os adeptos do Benfica não têm desfrutado de nada para além de uma mediocridade absoluta...